O duro testemunho de um cubano deportado: impotência e dor por estar longe de sua esposa e filhos nos EUA.

"Não posso dar um abraço nela quando está cansada, quando ela se sente mal porque ela também se sente mal, não posso dar um abraço aos meus filhos quando estão chorando, quando perguntam onde está meu pai."

Cubano deportado narra o drama de estar longe de sua esposa e filhos nos EUA.Foto © TikTok / @roxanamaldonado_

Um vídeo publicado no TikTok pela usuária @roxanamaldonado_ mostra seu esposo, Reinier Gutiérrez, deportado para Cuba em 2023, falando sobre a dura realidade que enfrenta mais de dois anos após ter sido separado de sua família nos Estados Unidos.

O cubano, pai de duas crianças pequenas, descreve com palavras cruas a impotência de não poder estar ao lado de sua esposa nem participar da criação e da sustentação do lar.

“Sou Reinier, esposo de Roxana, pai de dois meninos pequenos, Luna e Lando. Falo com vocês hoje de Cuba, onde me encontro após ter sido deportado”, começa dizendo no vídeo.

“Minha impotência estando aqui em Cuba é saber que não posso estar ao lado da minha esposa e dos meus dois filhos para ajudá-los... a cada dia acordo preocupado com como ela está lidando sozinha”, expressa. Em sua mensagem, ele se pergunta: “Como ela consegue pagar a gasolina, as contas, a escola das crianças e ao mesmo tempo tentar dar uma infância normal aos nossos filhos, quando eu deveria estar lá?”.

O impacto emocional também é evidente em suas palavras: “Não posso dar um abraço nela quando está cansada, quando se sente mal... não poder dar um abraço nos meus filhos quando estão chorando, quando perguntam onde está meu papai e quando vamos estar com o papai. Essas são coisas que doem muito”.

Reinier afirma que sente não poder cumprir com seu papel como pai e sustentador do lar: “Não consigo contribuir como homem da casa, como pai, como deveria contribuir para o lar... a distância parte minha alma” e também expressa sua frustração por não poder oferecer apoio econômico nem emocional desde Cuba, fazendo um apelo à solidariedade: “A única coisa que me resta é confiar em Deus e na solidariedade de pessoas de bom coração que queiram estender a mão para mim”.

“Cada doação, por menor que seja, significa um alívio para minha esposa e um prato de comida seguro para meus filhos, porque aqui de Cuba não tenho como ajudá-los”, acrescenta.

Mais de dois anos de separação

Reinier Gutiérrez foi deportado para Cuba em 22 de junho de 2023, após ter permanecido detido desde maio sob uma ordem de deportação imediata (I-220A). Naquele momento, seu filho mais novo tinha três meses, era cidadão americano e apresentava problemas de saúde. Sua esposa, Roxana Maldonado, também cidadã americana, denunciou que não lhes foi permitido casar-se após a detenção, o que impediu que apresentassem um caso migratório baseado em vínculos familiares.

Em declarações recolhidas na época por meios locais, Gutiérrez questionou o processo: “Não tiveram piedade, não tiveram nada com uma criança que é cidadã americana, que tem doenças. Meu avô, que é uma pessoa idosa e é cidadão americano, e todas essas pessoas dependem de mim.”

Roxana assegurou que seu marido havia se apresentado pontualmente às autoridades migratórias, que não tinha antecedentes criminais e que nunca deixou de cumprir os requisitos do sistema. “Ele se apresentava, nunca deixou de cumprir, além disso, no tempo que esteve aqui, nunca cometeu nenhum crime ou infração”, afirmou.

A dificuldade de manter o vínculo

Em julho de 2025, Roxana compartilhou um vídeo descrevendo como sua vida mudou desde a deportação. “A vida após a deportação de um ente querido, ou no meu caso, meu marido, é, meu Deus, a coisa mais difícil, mais brutal, mais humilhante que um ser humano pode viver”, Expressou.

Explicou que a má conexão na zona rural onde vive seu marido em Cuba tornou quase impossível manter conversas estáveis. “Sempre que estou falando com meu marido, não consigo completar uma conversa”, lamentou. Detalhou que ambos dependem de um gerador antigo que ele mesmo havia enviado dos Estados Unidos e que precisou ser consertado.

Um reencontro esperado, mas limitado

No dia 3 de julho, Roxana viajou com seus filhos para Cuba para reencontrar Reinier. Embora não tenha conseguido gravar o momento devido ao tremor das mãos, ela documentou sua chegada à ilha no TikTok: “Finalmente cheguei a Cuba. ¡Motembo está pegando fogo!”, disse em tom esperançoso.

Em outra publicação, explicou que decidiu viajar para "reiniciar um pouco", após mais de dois anos de separação. A família tenta se manter unida em meio a uma situação que continua marcada pela distância, pelas limitações tecnológicas e legais, e pela incerteza sobre seu futuro.

Reações ao testemunho

O vídeo gerou dezenas de comentários de usuários que ofereceram palavras de encorajamento, empatia e experiências semelhantes. “Que dor ouvir este homem falar”, escreveu uma usuária. “Sua esposa é muito forte, ela suportou essa situação, confie em Deus”, comentou outra. Várias mensagens recomendaram buscar uma solução em outro país ou ressaltaram o valor da família.

A história de Reinier e Roxana ressoou especialmente entre cubanos dentro e fora da ilha que vivem situações semelhantes: separação forçada, dificuldades migratórias e barreiras constantes para a reunificação. Um drama que, como mostrou este testemunho, não termina com uma deportação, mas se prolonga dia a dia nas vidas daqueles que ficam divididos pelas fronteiras.

Perguntas frequentes sobre a deportação e separação familiar de cubanos

Qual é a situação atual de Reinier Gutiérrez após sua deportação para Cuba?

Reinier Gutiérrez foi deportado para Cuba em 2023 e desde então enfrenta a dificuldade de estar separado de sua família, que permanece nos Estados Unidos. Ele não pode participar da criação de seus filhos nem oferecer apoio econômico, o que lhe provoca uma grande impotência e dor emocional.

Como a separação familiar afeta Roxana Maldonado e seus filhos?

Roxana Maldonado enfrenta grandes desafios para manter sua família unida e cobrir as despesas diárias. A distância e a má conexão com Cuba dificultam a comunicação constante com seu marido, o que aumenta a carga emocional e o estresse de criar seus filhos sozinha.

Quais obstáculos as famílias cubanas enfrentam para a reunificação após uma deportação?

As famílias cubanas enfrentam obstáculos legais e tecnológicos para alcançar a reunificação, como a falta de oportunidades para apresentar casos migratórios com base humanitária e as dificuldades de comunicação devido a apagões e má conectividade em Cuba.

Qual é o impacto das deportações na comunidade cubana dentro e fora da ilha?

As deportações afetam profundamente a comunidade cubana, gerando uma dor coletiva pela separação familiar e pelas barreiras para se reunirem. Essas histórias ressoam entre aqueles que viveram processos semelhantes, aumentando a empatia, mas também a frustração pela falta de soluções efetivas.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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