Trump ameaça aumentar a pena de morte nos EUA nesses casos específicos

Trump se mostrou radical durante uma reunião de seu Gabinete.

Gage Skidmore (Imagem de referência)Foto © Flickr/Gage Skidmores

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Em uma declaração que provocou um intenso debate jurídico e político, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que sua Administração proponha a pena de morte para todos aqueles que cometerem homicídios em Washington D.C.

O anúncio foi feito durante a sétima reunião de seu Gabinete, como parte de uma estratégia mais ampla para enfrentar o que ele classifica como uma “criminalidade descontrolada” na capital do país.

Durante sua intervenção, Trump foi categórico: “Se alguém assassinar alguém na capital, pena de morte”.

O presidente justificou sua proposta como uma medida de prevenção extrema. “É uma medida de prevenção muito forte”, afirmou.

“Não sei se estamos preparados para isso neste país. Mas não temos outra opção”, acrescentou.

A reiteração da mensagem durante seu discurso marcou o tom de urgência e firmeza com que pretende abordar o tema da segurança em Washington:

“Se alguém matar alguém”, insistiu; “vai ser pena de morte”.

Segundo Trump, toda a sua Administração apoia esta iniciativa, embora o anúncio tenha gerado diversas reações, tanto de apoio quanto de alarme, especialmente pelos possíveis efeitos colaterais e pelas implicações constitucionais que uma medida desse tipo teria em uma cidade sem pena de morte local e sob jurisdição federal compartilhada.

Uma capital sob controle federal

Este anúncio não é um fato isolado, mas se insere em um contexto de intervenção direta por parte do Executivo federal nos assuntos de segurança de Washington D.C.

No dia 11 de agosto, Trump ativou uma medida que lhe permitiu assumir o controle da segurança pública da cidade por 30 dias, amparando-se em uma disposição legal que autoriza a intervenção em caso de "emergência".

A intervenção foi justificada pela suposta escalada de violência e criminalidade na capital, embora as estatísticas mostrem que, apesar dos altos níveis de delitos, os índices gerais permanecem em seu ponto mais baixo nas últimas três décadas.

Desdobramento maciço de forças de segurança

Como parte desta intervenção, Trump ordenou o desdobramento de recursos militares e policiais sem precedentes na cidade.

Aos 800 efetivos da Guarda Nacional de Washington ativados inicialmente, somaram-se tropas enviadas por seis estados com governadores republicanos: Virgínia Ocidental, Carolina do Sul, Ohio, Mississippi, Louisiana e Tennessee.

No total, o número de efetivos da Guarda Nacional desplegados na cidade chega a cerca de 2.000.

Além do pessoal militar, a capital está sendo patrulhada por várias agências federais: o FBI, a Administração de Controle de Drogas (DEA), o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) e a Polícia Metropolitana.

A procuradora geral Pam Bondi informou que, sob esta operação conjunta, já foram presos 1.094 pessoas e foram confiscadas pelo menos 115 armas ilegais.

Denúncias de organizações civis

A intensificação do controle federal despertou críticas por parte de ativistas e organizações de direitos civis.

Denunciam que a chamada “guerra contra o crime” está sendo usada como pretexto para aumentar a vigilância sobre comunidades vulneráveis, em particular os migrantes indocumentados.

Diversas vozes alertaram sobre detenções arbitrárias por parte de agentes federais, especialmente do ICE, em operações que aparentemente nada têm a ver com a luta contra a violência homicida.

O temor entre as comunidades imigrantes cresceu, alimentado pela retórica e pelo histórico de medidas restritivas do atual Governo.

Debate jurídico e constitucional

A proposta de Trump sobre a pena de morte levanta dúvidas significativas sobre sua viabilidade legal.

Washington D.C. aboliu formalmente a pena de morte em 1981 e, embora como capital federal tenha um status especial, uma medida dessa magnitude exigiria profundas modificações legislativas e certamente enfrentaria múltiplos desafios nos tribunais.

Além disso, a aplicação seletiva da pena de morte por jurisdição e tipo de crime -neste caso, apenas para assassinatos cometidos em uma área específica do país- abriria espaço para questionamentos sobre igualdade perante a lei, proporcionalidade e respeito ao devido processo.

Para juristas, ativistas e especialistas em políticas públicas, esta proposta reflete uma abordagem punitivista que ignora a complexidade do problema do crime urbano e que pode violar direitos fundamentais.

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