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Ángel Luis Meléndez, um migrante cubano que viveu durante quatro anos nos Estados Unidos, afirma estar em uma situação de total incerteza após ser expulso pelas autoridades migratórias americanas e entregue às forças de imigração mexicanas.
Foi levado para o México, apesar de que o governo desse país tenha insistido publicamente que não aceitou receber deportados de outras nacionalidades.
O relato de Meléndez, coletado por Univision, descreve um processo abrupto e traumático que começou após a rejeição de seu pedido de asilo político.
Ángel Luis, depois de passar 25 dias detido no centro conhecido como Alligator Alcatraz, foi trasladado de El Paso, Texas, até um ponto fronteiriço onde, segundo suas declarações, agentes do Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras (ICE) dos EUA o entregaram diretamente às autoridades mexicanas.
“Eles te entregam à parte mexicana, estão te esperando lá”, declarou Meléndez.
Uma vez no México, foi detido por entrar sem status legal.
As autoridades migratórias mexicanas o transferiram para Chihuahua, onde ficou sob custódia por três dias antes de ser liberado.
No entanto, sua situação atual é incerta: não possui documentação válida, nem foi reconhecido oficialmente como refugiado ou asilado, o que o deixa, segundo suas próprias palavras, “em um limbo legal”.
Deportação discreta e sem garantias
O tratamento recebido por Meléndez no centro de detenção Alligator Alcatraz foi descrito como "um inferno".
Assegura que nunca antes havia estado privado de liberdade e que sua estadia no centro dos Everglades lhe deixou uma profunda marca emocional.
Ante sua nova realidade, agora considera solicitar asilo político no México, embora ainda não tenha iniciado formalmente esse processo.
Meléndez não foi o único a ser expulso dessa maneira. Seu parceiro apontou que conhece outros cubanos que passaram por situações semelhantes.
Aludiu em particular ao caso de uma mulher cujo marido foi deportado para Villahermosa, México, ainda vestido com o uniforme de detento que usava durante sua detenção nos Estados Unidos.
México nega ser "terceiro país seguro"
As declarações do migrante contrastam com o que foi expressado pela presidenta mexicana Claudia Sheinbaum, que no dia 24 de junho rejeitou categoricamente que o México tenha assinado qualquer acordo com os Estados Unidos para se tornar um "terceiro país seguro" na gestão da política migratória.
“México não assinou nada disso”, afirmou Sheinbaum durante sua habitual coletiva matinal. Diante da pergunta se seu governo considerava fazê-lo no futuro, sua resposta foi categórica: “Não”.
Sheinbaum explicou que, nos casos em que pessoas estrangeiras entram no México por razões humanitárias, o país age com base em princípios de respeito aos direitos humanos.
As autoridades mexicanas, disse, primeiro verificam se os migrantes desejam retornar ao seu país de origem e, se não for o caso, buscam alternativas para sua incorporação temporária no território mexicano.
Segundo dados oficiais, desde 20 de janeiro de 2025 -data em que Donald Trump assumiu novamente a presidência dos Estados Unidos— até o final de junho, mais de 651.000 pessoas haviam entrado no México, das quais 5.728 eram estrangeiras.
No obstante, não foi especificado publicamente quais nacionalidades compõem esse grupo.
Denúncias de ONG e repatriações diretas
Organizações não governamentais denunciaram um aumento nas violações de direitos humanos devido ao uso da Guarda Nacional mexicana em atividades de controle migratório.
Enquanto isso, Sheinbaum ressaltou que os Estados Unidos mantêm acordos de repatriação direta com vários países, o que -na teoria- tornaria desnecessária a entrega de estrangeiros ao México para seu posterior retorno.
Incluso, mencionou que Washington tem repatriado migrantes “até a África” sem exigir a mediação mexicana, o que coloca em questão a prática de expulsar cubanos e deixá-los em território mexicano sem uma base jurídica clara.
Em meio a essas contradições diplomáticas e procedimentos opacos, Ángel Luis Meléndez se encontra preso no México, com poucas opções claras e sem um caminho legal definido.
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