Juiz desestima parte da demanda de migrantes contra “Alligator Alcatraz” na Flórida: Qual parte permanece vigente?

A resolução rejeitou parte das reivindicações dos autores, mas manteve outras acusações que agora deverão ser resolvidas em uma jurisdição distinta.

Área externa do Alligator AlcatrazFoto © YouTube/Captura de Tela - Notícias Telemundo

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Um juiz federal emitiu nesta segunda-feira uma decisão dividida em um dos casos legais que enfrenta o polêmico centro de detenção de migrantes conhecido como “Alligator Alcatraz”.

A resolução rejeitou parte das reivindicações dos demandantes, mas manteve outras acusações que agora deverão ser resolvidas em uma jurisdição diferente.

A demanda inicial: acesso a advogados e audiências judiciais

O caso foi apresentado em 16 de julho, poucas semanas depois que os primeiros migrantes foram transferidos para o centro.

Em sua queixa, um grupo de detidos alegou que não tinha acesso confidencial a seus advogados nem a audiências em tribunais de imigração, o que, na sua opinião, violava seus direitos fundamentais.

Durante uma audiência realizada em Miami, os advogados de direitos civis solicitaram uma liminar que obrigasse a instalação a garantir reuniões privadas com seus defensores legais e a facilitar audiências judiciais.

Segundo afirmaram, “os advogados têm sido incapazes de acessar, e muito menos identificar, o tribunal adequado para essas audiências”.

Seis dos demandantes conseguiram se comunicar com seus representantes por meio de videoconferências, mas relataram que essas conversas não eram confidenciais: eram realizadas em espaços abertos, sob a supervisão da equipe do centro.

A reviravolta com a nomeação de Krome

Em uma decisão de 47 páginas -citada pela agência AP- o juiz de distrito Rodolfo Ruiz afirmou que a situação mudou substancialmente depois que a administração de Donald Trump designou o Centro de Processamento Krome North, em Miami, como sede para tramitar os casos de todos os detidos em "Alligator Alcatraz".

Esse mudança, explicou o magistrado, deixou sem efeito a principal queixa dos demandantes: a ausência de um tribunal de imigração competente.

“Muito tem mudado desde a apresentação da ação”, escreveu Ruiz, lembrando que a ação civil havia passado por constantes modificações.

"Casi todos os aspectos da ação civil dos demandantes - suas causas de ação, seus fatos que a apoiam, suas teorias sobre o lugar, seus argumentos de mérito e seus pedidos de alívio - mudaram a cada apresentação", acrescentou.

Com essa lógica, Ruiz rejeitou as alegações relacionadas à falta de acesso a audiências e advogados, ao considerar que perderam a validade.

Jurisdição em disputa

Outro ponto-chave foi a discussão sobre a jurisdição. O centro de detenção está situado em uma pista de pouso isolada, de propriedade do condado de Miami-Dade, mas fisicamente encontra-se dentro do condado de Collier, que pertence ao Distrito Central da Flórida.

O estado e o governo federal argumentaram que, por essa razão, o Distrito Sul -onde a ação foi apresentada- não era o foro adequado.

O juiz Ruiz concordou com essa posição e ordenou a transferência do caso.

Que parte da demanda permanece ativa?

Embora Ruiz tenha rejeitado as principais acusações sobre acesso à representação legal e audiências, o magistrado deixou em aberto a possibilidade para que os demandantes continuem com outra parte de suas reivindicações: as supostas violações da Primeira Emenda.

Estas denúncias, relacionadas com limitações à comunicação e expressão dos detidos, serão examinadas no Distrito Central da Flórida, para onde o juiz remeteu o caso.

Outra batalha legal: As ações ambientais

O panorama judicial de “Alligator Alcatraz” se complica ainda mais por um processo paralelo.

Organizações ambientalistas e a comunidade indígena miccosukee entraram com uma ação para parar a construção e a expansão do centro até que cumpra com a legislação federal ambiental.

Nesse processo, a juíza federal Kathleen Williams, com sede em Miami, ordenou no dia 7 de agosto uma pausa temporária de 14 dias nas obras.

Os testemunhos foram prestados na semana passada e espera-se uma decisão antes que a medida cautelar expire. Williams ainda não decidiu se esse caso também deve ser transferido para outra jurisdição.

Perguntas frequentes sobre o caso do centro de detenção "Alligator Alcatraz" na Flórida

Qual parte da demanda contra "Alligator Alcatraz" ainda está vigente?

A parte da demanda que permanece vigente refere-se às supostas violações da Primeira Emenda, relacionadas às limitações à comunicação e expressão dos detidos. Essas denúncias serão examinadas no Distrito Central da Flórida, conforme decidido pelo juiz Rodolfo Ruiz.

Por que as principais acusações da ação foram descartadas?

O juiz Rodolfo Ruiz rejeitou as principais acusações sobre o acesso a advogados e audiências judiciais porque a situação mudou após o Centro de Processamento Krome North em Miami ter sido designado como sede para tramitar os casos dos detidos. Essa mudança tornou sem efeito a reclamação sobre a falta de um tribunal de imigração competente.

Quais controvérsias ambientais enfrenta o centro "Alligator Alcatraz"?

O centro enfrenta uma ação judicial por violações ambientais, pois organizações ambientalistas e a comunidade indígena miccosukee argumentam que a construção e expansão do centro não cumpriram com a legislação federal ambiental. A juíza Kathleen Williams ordenou uma pausa temporária nas obras enquanto essas acusações estão sendo revisadas.

Qual é a posição do governo da Flórida em relação ao "Alligator Alcatraz"?

O governo da Flórida, liderado pelo governador Ron DeSantis, defende o centro como parte de uma estratégia para reforçar a luta contra a imigração irregular. Apesar das críticas por condições desumanas e violações de direitos, a administração afirma que mantém os padrões mínimos e planeja expandir o modelo para outros estados.

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