Cubanos respondem a Lula da Silva: “O que temos não é vida”

As declarações de Lula da Silva instando os EUA a deixarem os cubanos viverem geraram indignação. Cidadãos criticam que a verdadeira opressão vem do regime e não de sanções externas.

Lula da Silva e Miguel Díaz-CanelFoto © Prensa Latina

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As declarações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, nas quais ele instou os Estados Unidos a “deixar os cubanos viverem suas vidas”, geraram uma onda de indignação entre cidadãos dentro e fora da ilha.

Para muitos usuários nas redes sociais, as palavras de Lula não apenas ignoram a realidade que o povo cubano enfrenta, mas também ofendem a memória daqueles que viveram décadas de escassez, repressão e miséria.

“Que vida?”, questionam dezenas de vozes que reagiram ao discurso de Lula com frustração e descontentamento. Em sua intervenção, o presidente brasileiro responsabilizou o embargo estadunidense pelas carências em Cuba e pediu respeito por um governo que, segundo ele, tem sido vítima de sanções injustas.

No entanto, centenas de cubanos deixaram claro que seu descontentamento não é contra Washington, mas sim contra aqueles que os governam há mais de seis décadas.

“Aqueles a quem Lula quer que se respeite a vida são os mesmos que nos roubaram a nossa”, opinou um leitor. “Eles vivem em mansões, com ar condicionado e comida garantida. O povo sobrevive sem leite, sem medicamentos, sem luz e comendo do lixo.”

Outra pessoa expressou: "Por favor, digam a Lula que os cubanos o que não temos é vida. A vida está sendo levada por aqueles que nos dirigem. Estou há 62 anos esperando um dia melhor."

Uma narrativa comum: O povo não vive, sobrevive

“Isso que temos não é vida”, “estamos morrendo em vida” ou “viver sem dignidade não é viver” são algumas das frases mais repetidas nos comentários à publicação inicial com as declarações do governante brasileiro.

Muitos apontaram que, se Lula deseja falar sobre direitos, deveria começar exigindo de seus “amigos” em Havana que permitam aos cubanos decidir seu próprio futuro. “Que ele peça a Díaz-Canel e Raúl Castro que deixem o povo viver”, escreveram vários usuários.

Também houve quem qualificou as palavras do presidente brasileiro como uma defesa cúmplice do regime cubano. “Você está defendendo aqueles que condenaram um povo inteiro à miséria,” expressou um usuário.

"O que Cuba precisa não é que levantem as sanções, mas sim que levantem a repressão", argumentou outra pessoa.

Alguns comentários denunciaram que os líderes latino-americanos, como Lula, que visitam Cuba em visitas oficiais, só veem a fachada que lhes mostram do país. “Se tivesse caminhado por Centro Habana, se tivesse falado com uma mãe que não consegue alimentar seus filhos, não se atreveria a falar de vida”.

Enquanto isso, a reivindicação do povo cubano continua a mesma: uma vida digna, com liberdade, direitos e a possibilidade de construir um futuro fora do controle de uma elite entrincheirada no poder.

“A ditadura é quem deve nos deixar viver. Não precisamos de discursos distantes, precisamos de ações que nos devolvam a esperança.”

Perguntas frequentes sobre as declarações de Lula da Silva e a situação em Cuba

Por que as declarações de Lula da Silva sobre Cuba geraram indignação?

As declarações do presidente brasileiro Lula da Silva geraram indignação porque muitos cubanos consideram que ignoram a realidade vivida na ilha. Os cidadãos viveram décadas de escassez, repressão e miséria, e sentem que o problema não está no embargo americano, mas sim no governo cubano.

Qual é a percepção dos cubanos sobre o embargo estadunidense a Cuba?

Embora o embargo dos Estados Unidos tenha sido apontado como uma causa das dificuldades em Cuba, muitos cubanos acreditam que seus problemas são consequências diretas do regime que os governa há mais de seis décadas. Eles afirmam que a remoção das sanções não resolverá as carências enquanto a repressão continuar.

O que os cubanos expressaram sobre sua qualidade de vida atual?

Os cubanos expressaram que o que têm não é vida, mas apenas sobrevivência. Enfrentam uma realidade de escassez de alimentos, medicamentos, apagões e condições indignas de vida, enquanto os líderes vivem com privilégios. Essa discrepância aumentou o descontentamento e a frustração na população.

Como os cubanos reagiram à defesa do regime por parte de líderes estrangeiros?

Os cubanos têm reagido com críticas e rejeição às declarações de líderes estrangeiros que defendem o regime cubano. Consideram que essas defesas ignoram a repressão e as violações de direitos humanos que sofrem diariamente.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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