A bailarina cubana Daniela Rittoles compartilhou no TikTok um testemunho sobre sua experiência de emigração para a Alemanha e de trabalhar na mesma profissão que estudou em Cuba, evocando o que ouvia na ilha sobre a falta de estabilidade laboral na arte.
“Saí de Cuba e hoje vivo do que estudei. Quando estava em Cuba, muitas pessoas diziam que a dança era apenas um hobby, que fora do país não seria um trabalho de verdade, porque pagava muito mal. Agora vivo na Alemanha e continuo sendo bailarina, o que para muitos em Cuba era apenas um passatempo me ajudou a abrir portas para conhecer outros países, trabalhar e crescer”, afirmou.
Em sua mensagem, ele destacou as dificuldades para encontrar empregos bem remunerados na ilha e a percepção de instabilidade que alguns têm sobre a arte como profissão: “Sei que o salário nunca vai ser como o de um médico ou um advogado, mas viver da minha paixão me dá uma estabilidade e uma vida confortável, fazendo o que amo, sem precisar fazer mil trabalhos para sobreviver.”
O vídeo gerou mais de uma centena de comentários, desde felicitações até um debate sobre o prestígio do ballet em Cuba. Diante da opinião de que nesta ilha essa disciplina é respeitada socialmente, Daniela esclareceu: “Para aqueles que estamos dentro da escola, sim, mas há muitas pessoas de fora que dizem ‘se você fosse médico ou advogada, teria um futuro melhor no exterior e seria melhor paga’. Além disso, comentam que lá fora é muito difícil para os bailarinos exercerem o que fazem, que geralmente estão trabalhando em bares (o que é certo até certo ponto), mas não é sempre assim.”
Em outra troca com usuários, ressaltou: “Nunca disse que dissessem que o balé em Cuba era ruim, mas é verdade que nada em Cuba é bem remunerado e que, ao sair, nem todo mundo consegue estar em uma companhia e acaba exercendo outras atividades ou trabalhando em várias coisas para conseguir se manter.”
Alguns concordaram com ela ao dizer que “em Cuba há muitas pessoas que não valorizam a arte”, enquanto outros defenderam que “o ballet cubano faz parte da elite social” e que é “altamente prestigioso”. Daniela respondeu: “Entre colegas e professores, eles conhecem o prestígio, estou falando das pessoas fora desse meio, das pessoas da ‘rua’, como se diz em Cuba”.
Bailarina cubana na Alemanha recorda que em Cuba lhe diziam que a arte não era um trabalho de verdade
A bailarina cubana Daniela Rittoles compartilhou no TikTok um testemunho sobre sua experiência emigrando para a Alemanha e trabalhando na mesma profissão que estudou em Cuba, evocando o que ouvia na ilha sobre a falta de estabilidade laboral na arte.
“Saí de Cuba e hoje vivo do que estudei. Quando estava em Cuba, muita gente dizia que a dança era apenas um hobby, que fora não seria um trabalho real, porque pagava muito mal. Agora moro na Alemanha e continuo sendo bailarina, o que para muitos em Cuba era apenas um passatempo me ajudou a abrir portas para conhecer outros países, trabalhar e crescer”, afirmou.
Em sua mensagem, destacou as dificuldades para encontrar empregos bem remunerados na ilha e a percepção de instabilidade que alguns têm sobre a arte como profissão: “Sei que o salário nunca será como o de um médico ou um advogado, mas viver da minha paixão me proporciona uma estabilidade e uma vida confortável, fazendo o que amo, sem ter que realizar 1.000 trabalhos para me sustentar.”
O vídeo gerou mais de cem comentários, desde felicitações até um debate sobre o prestígio do balé em Cuba. Diante da opinião de que, na ilha, essa disciplina é socialmente respeitada, Daniela esclareceu: “Para aqueles que estamos dentro da escola, sim, mas muitas pessoas de fora dizem que ‘se você fosse médico ou advogada, teria um futuro melhor no exterior e seria melhor remunerada’. Além disso, elas afirmam que é muito difícil para os bailarinos exercerem o que fazem fora, que geralmente estão trabalhando em bares (o que é verdade até certo ponto), mas nem sempre é assim”.
Em outro intercâmbio com usuários, destacou: “Nunca disse que dissessem que o balé em Cuba era ruim, mas é verdade que nada em Cuba é bem pago e que, quando você sai, nem todo mundo consegue estar em uma companhia e acabam exercendo outras atividades ou trabalhando em várias coisas para conseguir se sustentar.”
Alguns concordaram com ela ao afirmar que “em Cuba há muitas pessoas que não valorizam a arte”, enquanto outros defenderam que “o balé cubano faz parte da elite social” e que é “altamente prestigioso”. Daniela replicou: “Entre colegas e professores, eles reconhecem o prestígio, estou falando das pessoas fora desse meio, das pessoas da ‘rua’, como se diz em Cuba”.
Do arte aos números: quanto custa viver na Alemanha
Días antes, a bailarina havia publicado outro vídeo detalhando seus gastos mensais na Alemanha. Sob o título “Quanto custa viver na Alemanha sendo artista cubana?”, mostrou que paga 600 € de aluguel (inclui água), 64 € de gás-aquecimento, 60 € de eletricidade, 40 € de internet, para um total de 764 € em moradia e serviços. A isso se soma entre 200 e 250 € em comida, 100 € em saídas (“Quase não tenho vida social, não conheço muitas pessoas”), 58 € em transporte com o Deutschlandticket, e 200 € em extras, alcançando um gasto mensal aproximado de 1 372 €.
Nos comentários, usuários de outras cidades europeias compararam preços e salários, e perguntaram sobre impostos e contratos de trabalho. Daniela explicou: “Li que a média na Alemanha ganha 2 100 € após impostos, agora não sei quão verdade isso é”. Sobre sua situação laboral, indicou: “Pago cerca de 400 euros do meu salário e o restante é pago pelo meu trabalho, ou seja, supõe-se que fica como se fosse metade (sou Festestelle)”. Reconheceu que ainda está aprendendo sobre o sistema: “No meu país não se pagava nada de impostos... no início é um pouco mais difícil se adaptar”.
Também mencionou que vive em Stuttgart-Obertürkheim, “um pouco fora da cidade”, em um apartamento de 35 metros quadrados tipo estúdio, e que a proprietária lhe deu o aluguel porque “ama o balé”.
Mais cubanos na Alemanha
O caso de Daniela se soma a outros testemunhos recentes. Em julho, Mayara, uma enfermeira cubana, contou à CiberCuba como emigrou sem gastar um centavo através de um programa de voluntariado social que lhe ofereceu alojamento, comida e seguro médico, abrindo-lhe depois oportunidades de trabalho. Em janeiro, Roly, conhecido como @rolylabestia1985, celebrou sua cidadania alemã após chegar em 2015 “sem saber alemão, sem trabalho e em condição de ilegal”, destacando que conseguiu com “estudo, esforço e paciência”.
Em um contexto migratório em que milhares de cubanos buscam alternativas legais e seguras para sair da ilha, as histórias de Daniela, Mayara e Roly mostram diferentes caminhos e desafios para se desenvolver na Alemanha sem abrir mão de sua vocação.
Do arte aos números: quanto custa viver na Alemanha
Días antes, a bailarina tinha publicado outro vídeo detalhando seus gastos mensais na Alemanha. Sob o título “Quanto custa viver na Alemanha sendo artista cubana?”, mostrou que paga 600 € de aluguel (inclui água), 64 € de gás-aquecimento, 60 € de eletricidade, 40 € de internet, totalizando 764 € em moradia e serviços. A isso soma entre 200 e 250 € em comida, 100 € em saídas (“Quase não tenho vida social, não conheço muitas pessoas”), 58 € em transporte com o Deutschlandticket, e 200 € em extras, alcançando um gasto mensal aproximado de 1 372 €.
Nos comentários, usuários de outras cidades europeias compararam preços e salários, e perguntaram sobre impostos e contratos de trabalho. Daniela explicou: “Li que a média na Alemanha ganha 2.100 € após impostos, agora não sei quão verdadeiro é isso”. Sobre sua situação laboral, indicou: “Pago cerca de 400 euros do meu salário e o resto é pago pela minha empresa, ou seja, supõe-se que seja como metade (sou Festestelle)”. Reconheceu que ainda está aprendendo sobre o sistema: “No meu país não se pagava nada de impostos... no começo é um pouco mais difícil se adaptar”.
Também precisou que vive em Stuttgart-Obertürkheim, “um pouco fora da cidade”, em um apartamento de 35 metros quadrados tipo estúdio, e que a proprietária lhe deu o aluguel porque “ama o balé”.
Outros testemunhos de cubanos na Alemanha
O caso de Daniela se soma a outros depoimentos recentes. Em julho, Mayara, uma enfermeira cubana, contou a CiberCuba como emigrou sem gastar um centavo por meio de um programa de voluntariado social que lhe ofereceu acomodação, alimentação e seguro de saúde, abrindo assim oportunidades de trabalho. Em janeiro, Roly, conhecido como @rolylabestia1985, celebrou sua cidadania alemã após chegar em 2015 “sem saber alemão, sem trabalho e em situação ilegal”, destacando que conseguiu com “estudo, esforço e paciência”.
Em um contexto migratório em que milhares de cubanos buscam alternativas legais e seguras para sair da ilha, as histórias de Daniela, Mayara e Roly mostram caminhos e desafios distintos para se desenvolver na Alemanha sem renunciar à sua vocação.
Perguntas frequentes sobre a experiência da migração e a vida de cubanos no exterior
Como conseguiu Daniela Rittoles viver da dança na Alemanha?
Daniela Rittoles conseguiu viver da dança na Alemanha apesar das advertências recebidas em Cuba sobre a falta de estabilidade no mercado de trabalho artístico. Através de seu testemunho no TikTok, ela destacou que o que muitos consideravam um hobby lhe permitiu conhecer outros países, trabalhar e crescer profissionalmente.
Quais são as despesas mensais de uma artista cubana na Alemanha?
Daniela Rittoles compartilhou que seus gastos mensais na Alemanha somam aproximadamente 1.372 €. Seus principais gastos incluem 764 € em moradia e serviços, sendo 600 € de aluguel, 64 € de gás-aquecimento, 60 € de eletricidade e 40 € de internet. Além disso, gasta entre 200 e 250 € em comida, 100 € em saídas, 58 € em transporte e 200 € em extras.
Como é percebido o ballet cubano dentro e fora de Cuba?
Em Cuba, o balé é visto como uma disciplina prestigiosa dentro das escolas e entre os profissionais da arte. No entanto, Daniela Rittoles aponta que fora desse círculo, muitas pessoas não valorizam a arte e consideram que profissões como a medicina ou o direito oferecem um futuro melhor. A nível internacional, o balé cubano é reconhecido por sua qualidade, mas os bailarinos enfrentam desafios para trabalhar em sua área fora do país.
Quais desafios enfrentam os cubanos que emigram para países como a Alemanha?
Os cubanos que emigram para países como a Alemanha enfrentam diversos desafios, como a adaptação ao sistema laboral e fiscal. Daniela Rittoles menciona que em Cuba não se pagavam impostos, o que complica o processo de adaptação à vida na Alemanha. Além disso, o custo de vida e a necessidade de aprender um novo idioma são obstáculos comuns para os emigrantes que buscam se desenvolver profissionalmente no exterior.
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