A secretária de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Kristi Noem, criticou duramente os criadores de South Park depois que a série a retratou como uma funcionária obcecada por botox e responsável por disparar contra cães.
O episódio, exibido nesta quarta-feira, mostrou uma versão animada de Noem com o rosto deformado por procedimentos estéticos e participando de operações do ICE, nas quais atirava em cães.
Em uma entrevista no podcast Glenn Beck Program, Noem qualificou a paródia como “preguiçosa” e afirmou que recorrer a zombarias sobre a aparência física de uma mulher é uma tática simplista.
“Se alguém quisesse criticar meu trabalho, fiquem à vontade. Mas claramente não podem,” disse, acrescentando que não havia assistido ao episódio porque estava “revisando os números do orçamento”.
A sátira de South Park aludia tanto às operações migratórias da administração Trump —incluindo sua supervisão de operações massivas e sua presença midiática na prisão Cecot em El Salvador— quanto a episódios de seu passado pessoal.
Em suas memórias No Going Back (2024), Noem revelou que matou a tiros o cachorro de sua família e uma cabra rebelde na fazenda, fatos que geraram uma forte rejeição pública; uma pesquisa indicou que mais de 80% dos americanos desaprovaram suas ações.
O episódio faz parte de uma temporada em que a série tem ridicularizado repetidamente a administração Trump, em meio a movimentos midiáticos que incluem a fusão da Paramount com a Skydance Media e o cancelamento do Late Show de Stephen Colbert.
Desde a Casa Branca, um comunicado desconsiderou a relevância da série, afirmando que “não tem sido relevante há mais de 20 anos”.
O primeiro episódio da temporada 27 retrata o mandatário Donald Trump de forma grotesca, questionando sua masculinidade e mostrando-o na cama com o diabo, aludindo ao personagem de Saddam Hussein que durante anos apareceu no programa.
Além do conteúdo satírico, o episódio concluiu com um anúncio gerado por inteligência artificial que mostrava Trump completamente nu, vagando pelo deserto e com um falo diminuto, uma clara zombaria ao suposto acordo de anúncios de serviço público firmado entre Trump e a Paramount.
Este novo episódio de confrontação entre a administração Trump e a cultura pop faz parte de uma longa série de conflitos do presidente com a televisão noturna, celebridades e conglomerados de mídia, o que alguns observadores interpretam como parte de sua estratégia de consolidação autoritária e controle do discurso público.
Perguntas frequentes sobre a paródia de Kristi Noem em South Park e suas implicações
Por que Kristi Noem criticou South Park?
Kristi Noem criticou South Park por sua representação caricatural dela como uma funcionária obcecada por botox e responsável por disparar contra cães. Ela qualificou a paródia como "preguiçosa" e simplista, sugerindo que a série se limita a criticar a aparência física das mulheres em vez de abordar sua gestão política.
Quais aspectos da administração de Kristi Noem são satirizados no episódio de South Park?
O episódio de South Park satiriza a participação de Kristi Noem nas redadas do ICE e sua imagem pública, fazendo referência às controvérsias de seu passado pessoal, como a história de ter atirado em seu cachorro e em uma cabra. A série também alude às operações migratórias da administração Trump, das quais Noem tem sido uma figura proeminente.
Como a Casa Branca reagiu à paródia de Trump em South Park?
A Casa Branca desconsiderou a relevância de South Park, afirmando que "não é relevante há mais de 20 anos". Essa postura se inserta em uma série de confrontos da administração Trump com a cultura pop, como parte de sua estratégia de consolidação autoritária e controle do discurso público.
Quais controvérsias Kristi Noem enfrentou em sua carreira política?
Kristi Noem enfrentou várias controvérsias, como a rejeição das tribos indígenas de Dakota do Sul por suas declarações sobre infiltrações de cartéis de drogas e as críticas por ter matado seu próprio cachorro, como relata em sua autobiografia. Além disso, tem sido alvo de processos por promover serviços cosméticos, e sua postura enérgica em políticas migratórias também lhe gerou oposição.
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