"Não tinha dinheiro e aceitei": A dura confissão de um jovem cubano sobre sua primeira vez com um estrangeiro em Havana

“Quero ser um porta-voz para todos os jovens que tiveram essa experiência, não é fácil, mas foi a minha realidade”, diz Yasiel na descrição de sua publicação.

Malecón de La Habana, área frequentada por turistas (Imagem de Referência)Foto © Flickr/CiberCuba

“Eu tinha 15 anos. Não tinha dinheiro. Ele me ofereceu dinheiro e eu aceitei.” Assim resume Yasiel Guerra, um jovem cubano identificado em Instagram como yasiel0910, sua primeira experiência sexual com um estrangeiro.

Seu testemunho, cru e desprovido de dramatismo, gerou uma onda de comentários entre aqueles que veem em suas palavras o reflexo de uma realidade desconfortável marcada pela pobreza, a sexualidade forçada pelas circunstâncias e a prostituição juvenil em Cuba.

Em um vídeo gravado em El Vedado, ao qual ele chama de “o verdadeiro estúdio”, Yasiel conta sua história sem exageros. Ele diz que naquele dia tinha apenas a tarefa de sua mãe de vender uma bolsa de açúcar no mercado.

No tinha dinheiro para sair com seus amigos. De repente, um estrangeiro o parou no meio do Parque da Fraternidade: “Ele me disse que eu era bonito, que queria ter sexo comigo e que me pagaria bem”.

Confessa que nunca tinha feito algo assim. Duvidou. Mas o estrangeiro ofereceu-lhe dinheiro, “e naquele momento o dinheiro valia mais”, e ela aceitou. Depois, encontraram-se uma segunda vez. “Não passei um mau momento”, diz, mas também afirma sentir-se “stranho” e confuso. Sua narrativa termina sem vitimismo, mas revela um relato doloroso.

Nos comentários do vídeo, os usuários reconhecem a coragem de contar uma história assim. Alguns se veem refletidos: “Parece com a minha história”, escreveu um. Outro acrescentou: “A maldita pobreza desse país não tem perdão”. Também há quem denuncie o silêncio sobre os adultos que seduzem menores em situação vulnerável: “Por que não analisamos o comportamento de quem convence um jovem de 15 anos a se prostituir?”

A prostituição juvenil e o turismo sexual: uma realidade incômoda

A confissão de Yasiel reanima um debate que a sociedade cubana muitas vezes prefere evitar. Já em 2023, CiberCuba recolhia o testemunho comovente de três jovens cubanas com idades entre 19 e 22 anos que se prostituíam “porque a situação está difícil”, cobrando até 200 dólares de turistas estrangeiros.

“Nós fazemos isso por necessidade, porque este país não serve para nada”, disse uma delas.

Mas também existe a prostituição masculina, menos visível e mais estigmatizada. O livro Pingueros en La Habana, do pesquisador Julio César González Pagés, documentou 120 testemunhos de homens jovens que exerceram a prostituição, muitos deles abusados na infância ou empurrados pela pobreza. “É uma realidade incômoda para a sociedade cubana”, afirma o autor.

Histórias como a de Yasiel também lembram o filme “Chamaco” (2010), do realizador Juan Carlos Cremata, que abordou pela primeira vez no cinema cubano a prostituição masculina e a Havana noturna de corpos oferecidos e sonhos despedaçados.

“Quero ser um porta-voz para todos os jovens que tiveram essa experiência, não é fácil, mas foi a minha realidade”, diz Yasiel na descrição de sua publicação, e essa é a importância de seu relato.

Captura de Instagram/@yasiel0910

Perguntas frequentes sobre a prostituição juvenil e a situação econômica em Cuba

Qual é a realidade da prostituição juvenil em Cuba?

A prostituição juvenil em Cuba é uma realidade que reflete a pobreza e a vulnerabilidade dos jovens na ilha. A história de Yasiel Guerra, um jovem que teve sua primeira experiência sexual com um estrangeiro em troca de dinheiro, é um exemplo de como a necessidade econômica leva muitos jovens a situações de prostituição. Este fenômeno é tanto masculino quanto feminino, embora a prostituição masculina seja menos visível e mais estigmatizada.

Como a situação econômica afeta os jovens em Cuba?

A precária situação econômica em Cuba afeta gravemente os jovens, levando-os a situações desesperadoras como a prostituição. Com salários baixos e um sistema de aposentadoria insuficiente, muitos jovens não veem outra opção a não ser recorrer à prostituição ou ao trabalho informal para sobreviver. A falta de oportunidades de trabalho dignas no setor estatal faz com que muitos optem pelo setor privado, que oferece melhores rendimentos.

Qual é o papel do governo cubano em relação à prostituição juvenil?

O governo cubano tem sido criticado pela sua falta de resposta eficaz diante da prostituição juvenil. Apesar dos esforços para manter a imagem de um sistema social justo, as condições de vida na ilha mostram uma realidade diferente, onde muitos jovens se veem obrigados a se prostituir por necessidade econômica. A inação do governo em relação à melhoria das condições de vida e à proteção dos menores vulneráveis tem sido alvo de críticas por parte da sociedade civil.

Qual é o impacto do testemunho de Yasiel Guerra na sociedade cubana?

O testemunho de Yasiel Guerra gerou um debate sobre a prostituição juvenil e a pobreza em Cuba. Ao compartilhar sua experiência, Yasiel trouxe à tona uma realidade que muitos preferem ignorar, destacando a falta de proteção para os jovens em situações vulneráveis. Sua história ressoou com outros jovens que viveram experiências similares, promovendo uma discussão necessária sobre as causas e consequências da prostituição juvenil no país.

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