Trump impõe tarifas de até 41% a quase cem países: Veja como fica a lista após as negociações

Entrarão em vigor no dia 7 de agosto.

Foto © X/Presidente Donald J. Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma nova ofensiva tarifária que afeta mais de 90 países e territórios ao redor do mundo.

Em uma série de decretos assinados neste 31 de julho, a Casa Branca anunciou um plano que impõe tarifas sobre as importações que variam de 10% a 41%, no que Trump qualificou como uma tentativa de "restaurar a soberania econômica dos Estados Unidos".

O plano entrará em vigor em 7 de agosto, exceto no caso do Canadá, cujos novos direitos começaram a ser aplicados a partir de 1 de agosto.

Este novo esquema substitui em parte o pacote do "Dia da Libertação" anunciado no dia 2 de abril passado, reduzindo em vários casos as tarifas inicialmente previstas, mas também aumentando outras por razões políticas ou comerciais.

Canadá: O caso mais crítico

Um dos países mais afetados por esta nova política comercial é o Canadá. Trump assinou uma ordem executiva independente que eleva os impostos de importação para produtos canadenses não contemplados no T-MEC (Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá) de 25% para 35%.

A medida foi justificada como uma resposta à falta de cooperação de Ottawa para conter o tráfico de fentanilo e outras drogas.

"Canadá não tem cooperado para frear o fluxo constante de fentanilo e outras drogas ilícitas, e tem tomado represálias contra os Estados Unidos pelas ações do presidente para enfrentar esta ameaça incomum e extraordinária", declarou a Casa Branca.

Adicionalmente, foi imposto um gravame de 40% sobre os produtos que forem transbordados através de países terceiros para evadir as novas tarifas.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, reagiu com firmeza: "Estou decepcionado. Os setores mais afetados por esta decisão americana serão os de madeira, aço, alumínio e automotivo."

O Canadá anunciou que tomará medidas para proteger sua indústria nacional, embora ainda não tenha formalizado nenhuma contramedida específica.

Estrutura do novo plano tarifário

O novo sistema está estruturado da seguinte maneira:

-Tarifas de 10%: Para países com os quais os EUA têm superávit comercial. Esta é a tarifa "universal", aplicável a parceiros como o Reino Unido e a Austrália.

-Impostos de 15%: Mínimo aplicável a cerca de 40 países com os quais há um déficit comercial.

-Aranceles de mais de 15%: Para países sem acordo, com altos déficits ou que foram alvo de represálias políticas.

"Trump está restaurando a soberania econômica dos Estados Unidos ao reduzir nossa dependência de países estrangeiros", afirmou Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca.

O presidente justificou a medida como uma resposta a décadas de desequilíbrios comerciais.

"O único preço que subiu é o dos centenas de bilhões de dólares que estão entrando", disse Trump em uma entrevista.

O caso do Brasil: apoio a Bolsonaro e tarifas de 50%

Brasil receberá um tratamento particularmente severo: além dos 10% universais, é imposto uma tarifa adicional de 40%, totalizando 50%.

A decisão responde ao julgamento que o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta.

"Não é necessário fazer negócios com os Estados Unidos, e para mim está tudo bem", comentou o mandatário sobre a postura do presidente brasileiro Lula da Silva.

China, México e a União Europeia: exceções e acordos

China: alcançou um acordo temporário que reduz as tarifas de 145% para 30%, enquanto Pequim as reduziu de 125% para 10%. As negociações continuam até 12 de agosto.

Mexicano: obteve uma prorrogação de 90 dias para continuar negociando antes da aplicação de tarifas de 30%. A tarifa de 25% sobre produtos fora do T-MEC permanece.

Unión Europeia, Japão e Coreia do Sul: concordaram com tarifas de 15% após negociações diretas.

Mudanças em relação ao plano de abril

A nova ordem substitui parcialmente o pacote tarifário anunciado em 2 de abril. Na maioria dos casos, as tarifas foram reduzidas.

Angola: 32% → 15%

Bangladesh: 37% → 20%

Bósnia e Herzegovina: 35% → 30%

Botsuana: 37% → 15%

Brunei: 24% → 25%

Camboda: 49% → 19%

Camarões: 11% → 15%

Chade: 13% → 15%

Coreia do Sul: 25% → 15%

Costa do Marfim: 21% → 15%

Guiné Equatorial: 13% → 15%

Filipinas: 17% → 19%

Fiji: 32% → 15%

Guiana: 38% → 15%

Índia: 26% → 25%

Indonésia: 32% → 19%

Irak: 39% → 35%

Ilhas Malvinas: 41% → 10%

Israel: 17% → 15%

Japão: 24% → 15%

Jordânia: 20% → 15%

Kazajistão: 27% → 25%

Laos: 48% → 40%

Lesoto: 50% → 15%

Líbia: 31% → 30%

Liechtenstein: 37% → 15%

Madagascar: 47% → 15%

Malawi: 17% → 15%

Malásia: 24% → 19%

Mauricio: 40% → 15%

Moldávia: 31% → 25%

Moçambique: 16% → 15%

Mianmar (Birmania): 44% → 40%

Namíbia: 21% → 15%

Nauru: 30% → 15%

Nigéria: 14% → 15%

Macedônia do Norte: 33% → 15%

Paquistão: 29% → 19%

República Democrática do Congo: 11% → 15%

Sérvia: 37% → 35%

Sri Lanka: 44% → 20%

Suíça: 31% → 39%

Taiwan: 32% → 20%

Tailândia: 36% → 19%

Túnez: 28% → 25%

União Europeia: 20% → 15%

Vanuatu: 22% → 15%

Vietnã: 46% → 20%

Zâmbia: 17% → 15%

Zimbábue: 18% → 15%

Reações internacionais e efeitos econômicos

- O anúncio provocou quedas generalizadas nos mercados financeiros:

Europa: Frankfurt, Paris e Ibex 35 com descensos de 2% a 3%.

-Wall Street: abertura negativa.

-Ásia: descensos em Hong Kong e Tóquio.

O euro também se enfraqueceu, caindo para 1,14 dólares por unidade, marcando sua pior semana desde 2022.

Com esta nova onda de medidas, Donald Trump intensifica sua aposta protecionista com uma estratégia que mistura motivos comerciais e geopolíticos.

Enquanto alguns países tentam fechar acordos antes do dia 7 de agosto, outros se preparam para responder com represálias.

O impacto a médio prazo, tanto econômico quanto diplomático, poderá ser definido nos próximos meses, mas por agora, o cenário comercial global se torna mais incerto.

"Os tarifas de Trump marcarão o início de uma nova era no comércio global na próxima semana, e ninguém pode prever com certeza como funcionarão essas barreiras", advertiu Jochen Stanzl, analista da CMC Markets.

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