Corresponsal da CNN em Cuba desmente o regime: “Tirei uma mulher sem pernas de um contêiner de lixo”

O correspondente da CNN, Patrick Oppmann, desmente o governo cubano ao narrar como ajudou uma mulher sem pernas presa em um contêiner de lixo.

Mulher em um lixão em CubaFoto © Instagram / cubareporter

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Em meio à tempestade política e social provocada pelas polêmicas declarações da ministra cubana do Trabalho, Marta Elena Feitó Cabrera, o correspondente da CNN em Cuba, Patrick Oppmann, rompeu o silêncio nesta terça-feira para contradizer frontalmente o governo.

“Esta é uma mulher sem pernas a quem ajudei recentemente quando ficou presa em um contêiner de lixo enquanto procurava comida”, escreveu o jornalista em uma publicação no Instagram.

“Depois de atendê-la, pedi permissão para tirar uma foto. Nunca a publiquei porque a experiência me perturbou profundamente. Mas ontem à noite me perturbou ainda mais ouvir altos funcionários dizerem que os que procuram no lixo o fazem por ‘uma vida fácil’”, destacou.

Alegou que o governo insiste que “em Cuba não há mendigos, quando na realidade há cada vez mais.”

Publicação no Instagram

O testemunho responde às declarações de Feitó Cabrera, que na segunda-feira, durante uma sessão parlamentar, afirmou que “em Cuba não há mendigos”, mas sim pessoas “disfarçadas” que optaram por uma “vida fácil” em vez de trabalhar.

"Quando você olha para as mãos deles, as roupas... estão disfarçados. Encontraram uma maneira fácil de ganhar dinheiro sem trabalhar", declarou Feitó, que gerou uma onda de indignação nas redes sociais, meios independentes e comunidades do exílio.

Intelectuais, artistas e cidadãos denunciaram a desconexão do regime com a crua realidade social: a pobreza visível nas ruas, o aumento da mendicância, a busca por alimentos em lixeiras e os casos extremos de abandono.

O primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero, e o governante Miguel Díaz-Canel publicaram nesta terça-feira mensagens ambíguas onde pedem “para não serem superficiais” ao analisar a indigência e prometeram que a Revolução “não deixará ninguém para trás”.

Díaz-Canel qualificou de “muito questionável” a falta de sensibilidade nas sessões parlamentares, sem mencionar diretamente a ministra.

Ambas as mensagens foram interpretadas como uma tentativa de controlar os danos sem assumir responsabilidade política, nem exigir contas a Feitó.

Enquanto isso, o Ministério do Trabalho e Segurança Social continua publicando conteúdo institucional sem se referir à controvérsia. A própria Feitó emitiu uma mensagem genérica sobre programas sociais, sem desculpas ou retificações.

Perguntas frequentes sobre as declarações da ministra do Trabalho em Cuba e a realidade social

Quais foram as declarações da ministra do Trabalho de Cuba que causaram controvérsia?

A ministra do Trabalho e Segurança Social de Cuba, Marta Elena Feitó Cabrera, afirmou que em Cuba não há mendigos, mas sim pessoas "disfarçadas de mendigos" que buscam uma forma de vida fácil para ganhar dinheiro sem trabalhar formalmente. Essas declarações negaram a existência de pobreza extrema no país e provocaram uma onda de indignação tanto dentro quanto fora de Cuba.

Como a sociedade cubana reagiu às declarações da ministra?

A sociedade cubana reagiu com indignação e repúdio às palavras da ministra. Intelectuais, artistas, cidadãos e ativistas expressaram seu descontentamento por meio das redes sociais, classificando as declarações como ofensivas e desconectadas da realidade. Uma campanha foi iniciada para exigir a destituição da ministra por seus comentários insensíveis e desprovidos de empatia.

Qual tem sido a resposta do governo cubano à polêmica gerada pelas declarações da ministra?

O presidente Miguel Díaz-Canel respondeu à polêmica com uma crítica vaga sobre a falta de sensibilidade na abordagem da vulnerabilidade, sem mencionar diretamente a ministra. Esta resposta foi vista como uma tentativa de se distanciar das declarações sem assumir responsabilidade política. O Ministério do Trabalho e da Segurança Social manteve silêncio sobre o assunto, continuando com suas atividades habituais sem abordar a controvérsia.

Qual é o impacto das declarações da ministra na percepção internacional da situação em Cuba?

As declarações da ministra reforçaram a percepção internacional de que o governo cubano está desconectado da realidade social do país. A negação da pobreza extrema e a criminalização das pessoas vulneráveis têm sido amplamente criticadas por observadores internacionais, que apontam a gravidade da crise econômica e social em Cuba.

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