Dono do Cosco cubano denuncia tortura na prisão e anuncia greve de fome

Frank Cuspinera Medina, fundador da Diplomarket, denuncia tortura psicológica e manipulação judicial na prisão em Cuba.


Frank Cuspinera Medina, empresário cubano-americano e fundador do supermercado Diplomarket, conhecido popularmente como o “Costco cubano”, denunciou em uma carta pública ter sido vítima de tortura psicológica, manipulação judicial e violação de seus direitos fundamentais enquanto permanece preso em Cuba.

Na carta, onde Cuspinera anuncia uma greve de fome, também faz um apelo urgente à comunidade internacional, aos organismos de direitos humanos e ao Departamento de Estado dos Estados Unidos para que intervenham diante do que classifica como “constantes violações” por parte das autoridades cubanas, citou o portal de notícias 14 y Medio.

Segundo o empresário, seu caso foi premeditado e dirigido pela Segurança do Estado (DSE) e outras instituições, como a Direção Técnica de Investigações (DTI), com a cumplicidade até mesmo de seu próprio advogado.

“Negaram-me o direito de me comunicar e de ter uma defesa legal desde o início”, escreveu o cubano-americano, que afirma ter sido preso no dia 20 de junho de 2024.

A partir dessa data —segundo versões não oficiais— seu negócio foi intervido por forças do regime, incluindo auditores do conglomerado militar GAESA, que teriam confiscado todos os seus bens.

O empresário, que também atua como vice-presidente da empresa Las Américas TCC Corporation na Flórida, denuncia que tudo foi parte de um plano orquestrado pelo regime para neutralizar seu crescente protagonismo como ator do setor privado.

“Desenvolvia uma empresa com licenças federais nos EUA que competia com empresas estatais. Isso foi suficiente para me tornar alvo do aparato repressivo”, afirma.

Cuspinera anuncia também que iniciará uma greve de fome no dia 1 de junho, disposto a chegar a “consequências extremas” se não lhe for permitido se defender legalmente e solicitar uma fiança. Em sua carta, refere-se a si mesmo como “cidadão, advogado e empresário cubano-americano” e vincula sua empresa Cuspinera SURL LVI, tanto em Havana quanto na Flórida, sob a marca Diplomarket.

O supermercado, inaugurado discretamente no final de 2022, ganhou destaque após uma publicação do correspondente da CNN, Patrick Oppmann. Localizado em Berroa, nos arredores de Havana, o Diplomarket inicialmente operava como uma loja online e passou por forte vigilância desde o seu início, conforme confirmou o meio independente 14ymedio.

Embora as autoridades cubanas o acusem informalmente de evasão fiscal, tráfico de moeda e lavagem de ativos, Cuspinera afirma que essas acusações se baseiam em testemunhos manipulados de funcionários, alguns dos quais já deixaram o país. “Eles fabricaram um caso sem fundamentos para justificar a expropriação do meu negócio”, assegura.

A denúncia do empresário lembra outros casos recentes de altos perfis empresariais e oficiais que caíram em desgraça dentro do regime, como o do ex-ministro da Economia Alejandro Gil, detido em março de 2024.

Com sua carta, Cuspinera busca romper o silêncio oficial e expor o que considera um padrão sistemático de repressão contra aqueles que tentam impulsionar o desenvolvimento do setor privado em Cuba. "Não quero evadir a ação da justiça", conclui, "apenas exijo poder me defender".

Perguntas frequentes sobre a denúncia de tortura e repressão em Cuba

Quais denúncias Frank Cuspinera Medina fez da prisão?

Frank Cuspinera Medina denunciou ser vítima de tortura psicológica, manipulação judicial e violação de seus direitos fundamentais enquanto está preso em Cuba. Em sua carta pública, também faz um apelo à comunidade internacional para que intervenha diante do que ele qualifica como constantes violações por parte das autoridades cubanas.

Por que Frank Cuspinera Medina foi preso?

Frank Cuspinera Medina foi preso sob acusações informais de evasão fiscal, tráfico de moeda e lavagem de ativos. No entanto, ele afirma que essas imputações se baseiam em depoimentos manipulados e fazem parte de um plano do regime para neutralizar seu protagonismo no setor privado. De acordo com Cuspinera, seu negócio foi intervenido por forças do regime e seus bens foram confiscados.

Quais ações Frank Cuspinera tomou em resposta à sua situação na prisão?

Frank Cuspinera anunciou que iniciará uma greve de fome no dia 1º de junho para exigir que lhe seja permitido se defender legalmente e solicitar uma fiança. Está disposto a enfrentar "consequências extremas" se não lhe garantirem o direito a uma defesa justa.

Como se relaciona a situação de Frank Cuspinera com o contexto mais amplo de repressão em Cuba?

A situação de Frank Cuspinera é parte de um padrão mais amplo de repressão sistemática em Cuba contra aqueles que tentam promover o desenvolvimento do setor privado. Organizações de direitos humanos denunciaram numerosas violações nas prisões cubanas, incluindo torturas e detenções arbitrárias, como parte de uma estratégia do regime para manter o controle sobre a sociedade civil e os empresários.

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