"Hasta prevenir um embarazo se dificulta": Testemunho viral expõe a escassez de anticonceptivos em Cuba

"Antigamente, nos hospitais você conseguia o que eram os DIUs, e na farmácia encontrava os preservativos e as pílulas anticoncepcionais."

Testemunho viral evidencia a falta de anticoncepcionais em Cuba e seu impacto na saúde reprodutivaFoto © TikTok / @briana_matancera

Uma jovem cubana identificada como @briana_matancera compartilhou um vídeo no TikTok onde descreve as dificuldades que as mulheres em Cuba enfrentam para acessar métodos contraceptivos.

“Resulta e acontece que aqui em Cuba as mulheres têm dificuldades até para conseguir métodos contraceptivos e assim prevenir uma gravidez”, afirmou a jovem mãe em sua publicação, que foi vista por milhares de pessoas e gerou dezenas de comentários.

No vídeo, a jovem residente em Matanzas destaca que “antigamente, nos hospitais, você conseguia o que eram os DIUs, e na farmácia encontrava os preservativos e as pílulas anticoncepcionais, que hoje, minha vida, isso está perdido”.

Embora reconheça que “dificilmente os policlínicos e os consultórios médicos da família recebem DIUs”, alerta que esses recursos são destinados principalmente “para pessoas que são, ou seja, mulheres em situação de vulnerabilidade social, que já tiveram muitos filhos e os colocam para evitar que continuem a engravidar, já que não têm as melhores condições”.

“El resto da população, o que tem que fazer? Buscar esses métodos contraceptivos no mercado negro. Já podem imaginar, pela palavra, os preços que têm todas essas coisas no mercado negro”, lamentou.

Al final do vídeo, a jovem resume a situação com uma frase contundente: “E bem, meu amor, assim é, aqui se torna difícil para o cubano até essa simplicidade”.

“Aqui se passa trabalho para tudo.”

A publicação recebeu respostas de diferentes países da América Latina e da Europa, onde muitos usuários expressaram surpresa diante das dificuldades descritas e alguns compartilharam como acessam os anticoncepcionais: “Na Argentina, na farmácia com desconto de convênio... o DIU é colocado pelo ginecólogo. Em hospitais públicos, pode chegar a ser gratuito”, comentou uma usuária. Outra pessoa da Espanha destacou: “Preservativos comprando no supermercado ou nas farmácias... o DIU sempre na planejamento familiar e deve ser colocado pelo cirurgião, seguindo todo um procedimento”. Do Panamá, uma internauta escreveu: “Eu vejo o Microgynon 750 e aqui custa 11 dólares”. Outros comentários indicaram que na República Dominicana, no Equador e em Porto Rico também é possível adquiri-los em farmácias ou com planos de saúde, embora nem sempre de forma gratuita.

“Sou nicaraguense, assim como vivemos sob um regime comunista, mas ainda nos hospitais e postos de saúde oferecem métodos anticonceptivos gratuitos. De todos, desde DIU, pílulas, injeções… até realizam operações para não ter mais filhos”, comentou um usuário. “Aqui no Chile te dão de graça no consultório”, “No México, nos hospitais e centros médicos os métodos anticonceptivos são oferecidos gratuitamente”, “No Uruguai, são gratuitos no hospital público”, foram algumas das respostas. Outros comentários mencionaram que em países como Espanha, México, Colômbia, Chile, Equador, República Dominicana, Uruguai, Portugal, Panamá e Honduras, os métodos anticonceptivos são oferecidos gratuitamente ou a baixo custo, inclusive em supermercados, clínicas privadas ou por meio de programas de planejamento familiar.

Uma usuária resumiu o contraste dizendo: “Pensar que na Colômbia são gratuitos por meio do seguro médico e dos hospitais, e mais, até eles mesmo te ligam para oferecer os anticoncepcionais que você preferir usar. É verdade que às vezes a gente se queixa e há pessoas que passam por situações piores.”

Um problema conhecido e persistente

O testemunho da jovem mãe matancera sobre os problemas estruturais que já foram documentados em diferentes reportagens sobre a alta taxa de gravidez entre adolescentes, a escassez de testes de gravidez e a demanda crescente devido à falta de anticoncepcionais.

Em junho de 2025, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) alertou que, apesar de Cuba manter uma baixa taxa de natalidade geral, a taxa de fecundidade entre adolescentes continua elevada, devido à falta de educação sexual integral, lacunas na planejamento familiar e certa permissividade social em relação às uniões precoces.

Em abril deste ano, CiberCuba relatou que o teste de gravidez HeberFast Line voltou às farmácias após meses de ausência, com um preço duplicado: 120 pesos. Sua escassez, junto com a falta de anticoncepcionais orais e injetáveis, havia causado desde 2022 um aumento na demanda por esses testes, muitas vezes vendidos em redes sociais ou no mercado informal.

Em paralelo, o país enfrenta uma das piores crises sanitárias de sua história recente. Em maio, foi revelado que o regime promovia xaropes de alho e cebola como alternativas diante da escassez de medicamentos, e em dezembro foi confirmado que mais de 70 por cento dos medicamentos essenciais estavam em falta, afetando gravemente pacientes crônicos e o programa materno-infantil.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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