O regime cubano publicou nesta quarta-feira na Gaceta Oficial da República de Cuba uma nova versão de sua Lista Nacional de Pessoas e Entidades Vinculadas ao Terrorismo, que inclui 62 indivíduos e 20 entidades apontadas como responsáveis ou vinculadas a supostos atos de terrorismo.
Segundo o documento, os incluídos foram “submetidos a investigações penais” e são “procurados pelas autoridades cubanas por sua implicação em atos de terrorismo”.
A lista, além disso, foi entregue oficialmente à Organização das Nações Unidas (ONU), conforme indica o texto.
O Ministério do Interior (MININT) denunciou na rede social X a “impunidade” que, segundo afirma, protege os responsáveis por atos terroristas que operam a partir dos Estados Unidos.
“Denuncia Cuba a impunidade dos terroristas que atuam desde os EUA há mais de 60 anos. Continuam os planos, atos e incitações a ações violentas enquanto prevalece a inação das autoridades norte-americanas contra os autores”, escreveu o organismo.
Quem está na lista? Figuras do exílio, influenciadores e organizações do sul da Flórida
A resolução publicada na Gaceta Oficial —número 13/2025 do Ministério do Interior— identifica pelo nome, sobrenome e local de residência 62 pessoas, na sua maioria cubanos exilados nos Estados Unidos e em outros países.
Entre eles figuram nomes conhecidos do ativismo político, do exílio histórico e do ambiente digital cubano. A maior parte da lista permanece inalterada em relação a a publicada pelo regime em 2023.
Lista oficial das 62 pessoas incluídas na resolução 13/2025:
- Pedro Remón Crispín Rodríguez
- José Francisco Hernández Calvo
- Manuel Pérez Alzugaray
- Alfredo Carmona Quían
- Ramón Domínguez Rodríguez
- Emeterio Celedonio Invierno Santana
- Raúl González (Isidro Moscú)
- Gerardo Capote Dueñas
- Santiago Álvarez Fernández Magriñá
- Antonio Eugenio Iglesia Pons
- Ninoska Pérez Castellón
- José Antonio Costa Labrador
- Horacio Salvador García Cordero
- Domingo Moreira Armada
- Lombardo Pérez Placencia
- Fernando Canto Martí
- Luis Manuel de la Caridad Zúñiga Rey
- Manuel Ramón José Cereijo Álvarez
- Domingo José Antonio Sarduní Casas
- Rodolfo Frómeta Caballero
- Jesús Isidro Canoura Hernández
- Sergio Francisco González Rosquete
- Diego Miguel Tintorero Rodríguez
- Julio César Codiac
- Héctor Francisco Alfonso Ruiz
- Eduardo Macaya Álvarez
- Ramón Saúl Sánchez Rizo
- José de Jesús Constantino Basulto León
- Ángel Manuel Alfonso Alemán
- Antonio Calatayú Rivera
- Francisco Eulalio Castro Paz
- Pedro Adrián Acosta
- Silverio Liriano Rodríguez Pérez
- Félix Ismael Rodríguez Mendigutía
- Leonel Macías González
- Luis Mario Vela Reyes
- Yasser Izquierdo Hernández
- Ana Olema Hernández Matamoros
- Iván Leyva Basulto
- Jorge Luis Fernández Figueras
- Yonel Fernando Cardoso
- Rogelio Enrique Bolufé Izquierdo
- William Cabrera González
- Michel Naranjo Riverón
- Alipio Estupiñan Tamayo
- Yamila Betancourt García
- Alexander Otaola Casal
- Orlando Gutiérrez Boronat
- Eliecer Ávila Cecilia
- Liudmila Santiesteban Cruz
- Manuel Milanés Pizonero
- Alain Lambert Sánchez (Paparazzi cubano)
- Jorge Ramón Batista Calero (Ultrack)
- Eduardo Arias León
- Alexander Alazo Baró
- Leo Juvier Hendrick
- Amijail Sánchez González
- Rolando Miguel Pérez Ruiz
- Leordan Cruz Gómez
- Hamlet Pedraza Rivas
- Armando Labrador Coro
- Seriocha Humberto Fernández Rojas
A resolução também relaciona os mencionados com processos criminais sobre supostos atentados, sabotagens ao sistema elétrico nacional, infiltrações armadas e promoção de ações contra instituições estatais.
Em muitos casos, alude-se a fatos ocorridos nas décadas de 1990, 2000 ou 2010, e em vários dossiês menciona-se a organização de ações a partir dos Estados Unidos com financiamento externo.
Quanto às 20 entidades declaradas "terroristas", todas estão localizadas fora de Cuba, principalmente na Flórida:
- ALPHA-66
- Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA)
- Ex Club (Associação de Ex-Prisioneiros e Combatentes Políticos Cubanos)
- Hermanos al Rescate
- Movimento Democracia
- Partido Unidade Nacional Democrática (PUND)
- Comandos F-4
- Junta Patriótica de Cuba
- Movimento 30 de Novembro
- Assembleia da Resistência
- Movimento Clandestino
- Comando C-40
- Partido Nacionalista Cubano (PNC)
- Cuba Primeiro
- Lobos Solitários
- Nova Nação Cubana
- A Nova Nação Cubana em Armas
- M20 Movimento de Resistência Esquadrão Amalia (MREA)
- Auto Defesa do Povo
- Conselho para a Guerra Anticomunista
Segundo o documento, essas organizações "organizam, financiam, fornecem meios e executam ações contra a segurança do Estado cubano".
A resolução garante que todos os casos incluídos atendem aos critérios de designação estabelecidos por normas internacionais e cubanas, embora não sejam apresentados publicamente provas ou documentos de suporte.
O texto entrou em vigor no mesmo dia de sua publicação e foi comunicado a organismos judiciais, fiscais e financeiros do país.
No entanto, embora o regime promova a elaboração de uma Lista Nacional de Terrorismo, na qual inclui comunicadores, influenciadores e ativistas da diáspora, essas pessoas podem viajar para a Espanha sem medo de que exista um alerta que avise para detê-los ao pisar em qualquer aeroporto do país.
Al menos em 2024, o Ministério das Relações Exteriores espanhol confirmou a CiberCuba que não tinham naquele momento conhecimento da lista de pessoas catalogadas como terroristas.
Perguntas frequentes sobre a lista de terroristas do regime cubano e seu contexto político
O que contém a nova lista de pessoas e entidades ligadas ao terrorismo publicada pelo regime cubano?
A lista publicada pelo regime cubano inclui 62 indivíduos e 20 entidades que supostamente estão vinculados a atos de terrorismo. A maioria dessas pessoas são exilados cubanos nos Estados Unidos, e as entidades estão principalmente localizadas na Flórida. O regime afirma que essas pessoas e grupos foram investigados criminalmente por ações contra a segurança do Estado cubano.
Por que o regime cubano entregou esta lista à ONU?
O regime cubano entregou a lista à ONU como parte de seus esforços para denunciar o que considera a impunidade de atos terroristas planejados a partir dos Estados Unidos. A entrega busca pressionar internacionalmente para que se tome uma ação contra indivíduos exilados que o governo cubano acusa de terrorismo e que, segundo eles, operam a partir do território americano.
Como o regime cubano reagiu à sua inclusão na lista de países patrocinadores do terrorismo pelos Estados Unidos?
O regime cubano reagiu de maneira crítica e desafiadora, qualificando a inclusão como uma "investida imperialista" por parte dos Estados Unidos. O governo cubano insiste que essas decisões se baseiam em mentiras e argumenta que o verdadeiro problema na ilha é o bloqueio e as agressões dos Estados Unidos, não suas políticas internas.
Qual é o impacto da reincorporação de Cuba à lista de países que não cooperam com esforços antiterroristas?
A reincorporação de Cuba a esta lista implica a proibição da venda ou exportação de artigos e serviços de defesa para a ilha. Além disso, confirma a posição dos Estados Unidos de não flexibilizar sua política em relação ao regime cubano, especialmente em assuntos relacionados à cooperação em segurança e terrorismo.
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