Willy Falcón, o capo cubano da cocaína, contará sua história em uma série e podcast

Sua história —que envolve operações encobertas, vínculos com a CIA e milhões em lucros ilícitos— será levada ao cinema, à televisão e ao podcast por uma produtora renomada de Hollywood.

Augusto "Willy" FalcónFoto © NBC Miami Captura de Tela

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Augusto “Willy” Falcón, um dos nomes mais temidos e, ao mesmo tempo, lendários do mundo do narcotráfico nos Estados Unidos, está se preparando para contar sua história como nunca antes.

O traficante cubano-americano, que durante a década de 80 liderou junto de seu sócio Salvador “Sal” um império multimilionário de cocaína conhecido como Los Muchachos, cedeu seus direitos à Entertainment AREU, a produtora do ex-presidente do Tyler Perry Studios, Ozzie Areu, informou o jornalista Mike Fleming Jr.

A vida de Falcón, marcada pelo luxo, a traição, a política e a violência, será levada ao cinema, à televisão e ao formato de pódcast, em uma promessa de ser uma das sagas mais impactantes do gênero true crime.

“Esta é a verdade sem filtros”, antecipou Areu, que também adquiriu os direitos do livro “El Último Kilo”, do jornalista TJ English, que detalha como esses jovens exilados cubanos passaram de abandonar a escola a movimentar toneladas de cocaína e financiar a transformação do skyline de Miami.

“Esta história vai além do crime; é um espelho de uma época, uma busca retorcida pelo sonho americano com sabor de exílio, conspirações e cocaína”, expressou Areu.

Uma história de redenção ou uma confissão sem máscaras?

Desde alianças secretas com a CIA, Pablo Escobar e Noriega, até rotas de contrabando pelas Bahamas e México, o relato de Falcón toca nervos sensíveis na história política da América Latina e, especialmente, de Cuba.

Segundo o próprio livro, o cubano participou de operações precoces para derrubar Fidel Castro, e usou o narcotráfico para financiar armamentos no contexto do escândalo Irã-Contra.

O projeto audiovisual promete revelar detalhes jamais contados dessas operações, as festas de alto risco e o papel que desempenharam os exilados cubanos nos mecanismos mais obscuros do poder.

“Esperei por este momento durante décadas porque quero que as pessoas ouçam toda a verdade”, disse Falcón. Seu testemunho, por décadas reduzido a rumores e reportagens fragmentadas, será apresentado em um formato narrativo multicanal.

Esta não é a primeira vez que Falcón, junto com seu sócio e amigo de infância, Magluta, é protagonista de uma série. Em 2021, ambos inspiram a docuserie da Netflix Cocaine Cowboys: The Kings of Miami (2021), que revisita a ascensão, a queda e o legado desta dupla cubano-americana que transformou Miami em uma das principais capitais mundiais da cocaína.

De lenda urbana a ícone pop

Falcón completou 27 anos de condenação nos Estados Unidos por seu papel fundamental no tráfico de cocaína. Junto com Magluta, não apenas movimentou mais de 75 toneladas do pó branco para os Estados Unidos entre 1978 e 1991, mas também introduziu técnicas inovadoras para importar drogas e lavar dinheiro no Panamá através de contatos diretos com Manuel Noriega.

“Isso não é apenas uma história selvagem de excessos e ambição”, disse TJ English. “É uma saga histórica sobre como um produto ilegal transformou uma nação”.

Este giro narrativo transforma Willy Falcón em algo mais do que um vilão. Ele o coloca como figura central em um drama real que cruzou a fronteira entre Miami, Havana, Bogotá e Washington.

Falcón e Magluta foram presos em 1991 e enfrentaram 17 acusações federais. Em um primeiro julgamento em 1996, foram absolvidos após comprar testemunhas e subornar pelo menos um jurado, mas novas acusações de lavagem de dinheiro, assassinato e corrupção os levaram de volta aos tribunais.

Em 2003, Falcón se declarou culpado de lavagem de dinheiro e foi condenado a 20 anos de prisão, pena que cumpriu até junho de 2017 em uma prisão federal no Kentucky.

Magluta, por outro lado, foi condenado a prisão perpétua em 2002 e permanece detido em uma prisão de segurança máxima em Illinois.

Deportação e vínculos com a CIA

Após sua liberação, Willy Falcón foi detido pelo ICE por não ter residência legal nos EUA. Foi aberto um processo para deportá-lo para Cuba, o que foi contestado por sua defesa ao alegar que sua vida estava em perigo.

Sua defesa argumentou que sua deportação para a ilha seria equivalente a uma “sentença de morte”. Mesmo assim, em abril de 2018, uma juíza de imigração na Flórida negou seu pedido de permanência nos EUA.

Finalmente, Falcón foi deportado para a República Dominicana, de onde desapareceu do radar público.

O que esperar?

Con o surgimento do gênero true crime, e o interesse do público por histórias reais contadas de dentro, esta produção tem todos os ingredientes para se tornar um fenômeno global. Mas para os cubanos, dentro e fora da ilha, representa muito mais: é uma visão íntima de um capítulo de sua história não oficial, onde exílio, política e crime se cruzam com a nostalgia, a dor e o poder.

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