O governante Miguel Díaz-Canel convocou os cubanos a se impregnarem da “doutrina revolucionária de Fidel” para superar os problemas.
“Não se trata de recordar Fidel, trata-se de trazê-lo para este momento; de nos impregnarmos de sua doutrina revolucionária para enfrentar os desafios colossais destes tempos”, disse Díaz-Canel no fechamento do X Pleno do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba (PCC) neste sábado.
O dirigente repetiu os clichês da propaganda do regime em um discurso onde pediu sacrifícios, culpou os EUA e a situação internacional pela crise em Cuba e convocou a celebração do centenário do falecido ditador.
Referindo-se à elite que lidera nominalmente, Díaz-Canel disse que “o que o povo espera de nós, seus principais representantes e servidores públicos, são ações concretas e imediatas que ajudem a superar a profunda crise econômica que tanto dano está causando ao tecido espiritual de nossa nação”.
“Hoje, mais do que nunca, reafirma-se que essas soluções dependem inteiramente de nós, em um contexto altamente desafiador e ameaçador”, acrescentou, para em seguida se escudar nas sanções e ameaças externas.
“Somos um país em guerra. Cuba vive e resiste há mais de 60 anos sob condições de guerra. Todos os dias, as bombas da guerra econômica caem ao nosso redor, bloqueando, obstruindo, freando ou retardando todos os esforços, e as bombas da desinformação, da distorção e do ódio que envolvem as primeiras”, disse.
O governante voltou a mencionar a "imaginacão" como solução para a profunda crise que os cubanos enfrentam e que provoca manifestações diárias de descontentamento contra sua gestão.
“Firme, sem alardear diante de seus próprios atos de heroísmo, com uma dignidade que está fora de qualquer negociação possível, o povo cubano vive dias extremamente desafiadores. E faz isso colocando à prova todo o seu saber, até mesmo desatando a imaginação nesse caminho complexo, terrenal, que demanda inventividade e adaptabilidade”, disse.
Na sexta-feira, ante o mesmo Pleno, o primeiro-ministro do regime Manuel Marrero assegurou que seu governo sente a “mais profunda insatisfação, ao não conseguir” resolver a crise que afeta o povo cubano.
Desde o Governo mantém-se a “mais profunda insatisfação, por não ter alcançado o esperado nos assuntos mais sensíveis que afetam o nosso povo”, disse Marrero.
Admitiu ainda que “2025 está sendo desafiador” e nada mudará para os cubanos no que resta do ano.
Após os fracassos econômicos do planejamento do regime nos últimos anos, Marrero agora se concentra no “Programa de Governo para corrigir distorções e reimpulsionar a economia no primeiro semestre do ano”, que, segundo sua opinião, levará à recuperação gradual da economia.
Agora, o dirigente fala de 10 ambiciosos objetivos para sair da crise que afeta a ilha, enunciados com generalizações que não explicam como pretendem implementá-los.
Entre os objetivos estão, avançar na estabilização macroeconômica; incrementar e diversificar as receitas externas do país; a produção nacional, com ênfase nos alimentos; avançar na reestruturação e desenvolvimento da empresa estatal socialista; ou recuperar o Sistema Electroenergético Nacional (SEN).
Perguntas frequentes sobre a crise econômica e política em Cuba
O que propõe Díaz-Canel como solução para a crise em Cuba?
Díaz-Canel chama os cubanos a se impregnarem da "doutrina revolucionária de Fidel" para superar os problemas. Em seu discurso, insistiu no sacrifício e culpou fatores externos, como o embargo americano, pela situação atual, enquanto apelou à imaginação e criatividade do povo para enfrentar a crise. No entanto, seu discurso carece de propostas concretas para abordar problemas estruturais, como a escassez de alimentos, medicamentos e o colapso do sistema energético.
Quais são os principais desafios econômicos que Cuba enfrenta em 2025?
Cuba enfrenta uma profunda crise econômica caracterizada pela inflação, escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, e um colapso do sistema energético. Apesar das afirmações de Díaz-Canel sobre o avanço na estabilização macroeconômica e diversificação de receitas, as medidas gerais anunciadas carecem de detalhes concretos sobre sua implementação. A situação é agravada pela dolarização de fato da economia e pela falta de reformas estruturais.
Como o sistema político cubano afeta a situação econômica atual?
O sistema político cubano, caracterizado por um modelo socialista centralizado e pela falta de pluralismo, limita a implementação de reformas estruturais necessárias para a recuperação econômica. Apesar da grave crise, o regime insiste na continuidade do socialismo como única via, o que impede o desenvolvimento de políticas econômicas mais flexíveis e adaptadas às necessidades atuais do país. Essa rigidez política agrava a situação econômica e social.
Qual é o papel do embargo americano na crise cubana?
O governo cubano culpa o embargo americano por ser o principal responsável pela situação crítica do país. No entanto, economistas e analistas apontam que a crise também é resultado de políticas internas ineficazes, falta de reformas estruturais e uma gestão econômica centralizada que não se adapta às necessidades atuais. O embargo contribui para as dificuldades, mas não é a única causa dos problemas econômicos de Cuba.
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