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Das comunidades rurais do município de Río Cauto, na província de Granma, melhoraram seu acesso aos cuidados médicos graças à doação de dois equipamentos de ultrassom realizada por um cubano residente no exterior, identificado nas redes sociais como Robert Ayuda.
Segundo relatou o próprio doador em uma recente publicação no Facebook, os equipamentos foram entregues há pouco mais de dois anos, mas sua ação não foi divulgada antes porque “sempre fizemos isso de coração, em silêncio e sem buscar aplausos”.
Um dos aparelhos foi destinado ao policlínico de Vado del Yeso, o que marcou um antes e um depois para centenas de pessoas que agora podem acessar exames médicos sem sair do povo.
O segundo equipamento foi entregue ao consultório expandido de Grito de Yara, onde também teve um impacto direto nos diagnósticos e na qualidade de vida de muitas famílias.
Embora o gesto seja profundamente valioso e tenha melhorado a atenção médica dessas comunidades, é inevitável fazer uma pergunta: por que um serviço essencial como este depende do altruísmo da emigração cubana e não de um Estado que se presume ter um dos melhores sistemas de saúde do mundo?
“Devemos dar o que temos, não o que nos sobra”, escreveu o doador, citando sua falecida mãe Nieves, cujo legado de solidariedade inspira o trabalho que ele descreve como uma promessa cumprida desde o coração.
“Ela me ensinou que quando se ajuda com a alma, não é necessário palco, fama ou reconhecimento”, sublinhou o cubano, cuja solidariedade suplanta as carências deixadas pelo regime.
Em sua mensagem, também agradece ao doutor Eudecel Vilche, diretor do policlínico de Vado del Yeso, por sua dedicação e comprometimento com a comunidade.
“Sua inteligência, esforço e amor pelo seu povo tornaram possível que cada recurso doado se transformasse em uma verdadeira transformação”, expressou.
No entanto, nas redes sociais, funcionários como José Manuel Rodríguez Valdivia —que se identifica em Facebook como trabalhador do governo em Rio Cauto— não hesitaram em apresentar essa doação como uma conquista do sistema.
Em sua publicação, fala sobre serviços médicos “reconhecidos por sua excelência” graças ao compromisso do pessoal estatal.
Mas a verdade é que nada disso teria sido possível sem o gesto altruísta de um emigrante cubano que, do exterior, supriu com recursos concretos a carência institucional em duas comunidades esquecidas.
A precariedade do sistema de saúde em Cuba continua se evidenciando através de fatos que refletem uma crise estrutural, onde a população se vê obrigada a suprir as deficiências do Estado.
Em Havana, os moradores organizaram a compra de um gerador para um policlínico, diante dos constantes apagões que impediam a realização de procedimentos médicos básicos.
Esta ação comunitária, impulsionada pela necessidade e não por uma estratégia estatal, evidencia o deterioro da infraestrutura de saúde e a indiferença institucional diante dos serviços essenciais.
Ao mesmo tempo, no leste do país, outra situação alarmante veio à tona: o mercado negro absorveu parte do funcionamento de um banco de sangue, onde se denuncia o desvio de recursos essenciais para a vida.
A imprensa oficial tentou minimizar o fato, mas as evidências apontam para um sistema que já não pode garantir nem mesmo o fornecimento legal e seguro de sangue.
Perguntas frequentes sobre a doação de ultrassons em Granma e o sistema de saúde cubano
Quem doou os equipamentos de ultrassom para as comunidades de Granma?
Os equipamentos de ultrassom foram doados por um cubano residente no exterior chamado Robert Ayuda. Este gesto altruísta permitiu melhorar o acesso aos cuidados de saúde nas comunidades de Vado del Yeso e Grito de Yara, no município de Río Cauto, província de Granma.
Por que um emigrante cubano teve que doar esses equipamentos médicos?
A doação de equipamentos médicos por parte de um emigrante cubano evidencia as carências do sistema de saúde em Cuba, que muitas vezes depende do altruísmo de indivíduos fora do país para suprir suas necessidades. Isso levanta questionamentos sobre por que o Estado, que presume ter um dos melhores sistemas de saúde do mundo, não consegue proporcionar esse tipo de recurso essencial por conta própria.
Como reagiram as autoridades locais diante da doação?
Alguns funcionários nas redes sociais tentaram apresentar a doação como uma conquista do sistema de saúde estatal. No entanto, a realidade é que essa melhoria nos serviços médicos foi possível graças à contribuição de um emigrado cubano, que do exterior tem ajudado a aliviar as carências institucionais em duas comunidades negligenciadas.
Qual é o estado atual do sistema de saúde em Cuba segundo o contexto fornecido?
O sistema de saúde em Cuba enfrenta uma grave crise caracterizada pela falta de insumos, medicamentos e equipamentos médicos adequados. O sistema depende cada vez mais de doações externas e da solidariedade de cubanos no exterior, o que evidencia problemas estruturais, má gestão estatal e uma incapacidade de garantir uma atenção médica digna à população.
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