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Juan Bautista dedicou sua vida a ensinar ciências exatas nas salas de aula cubanas e a compor canções que nunca chegaram ao grande público.
Hoje, em uma Havana deteriorada pela crise, ele sobrevive enchendo caixinhas de fósforos em uma esquina do Vedado.
Sem celular, sem rendimentos estáveis e sem as condições mínimas para uma velhice digna, sua história foi divulgada nas redes sociais pelo portal de notícias CubaNet.
“Sou licenciado em física e matemática e fui professor durante muitos anos. Também sou cantor e compositor, pois meu hobby sempre foi a música”, relatou o idoso.
“Faz apenas um mês que estou enchendo isqueiros. Na verdade, não me procuro muito durante o dia... embora neste momento não tenha celular porque me roubaram”, acrescentou com resignação.
O caso de Juan não é uma exceção: é o rosto de uma geração de profissionais que, depois de décadas de serviço ao país, foram condenados ao esquecimento.
Engenheiros, mestres, músicos, cientistas e médicos hoje vagam entre a informalidade, a pobreza e a invisibilidade, sem recursos e sem reconhecimento.
Sua história comoveu a ativista Lara Crofs, cujo nome verdadeiro é Yamilka Lafita, que lamentou no Facebook que tantos cubanos brilhantes, honestos e trabalhadores vivam hoje em condições tão precárias, depois de terem dado o melhor de si ao país.
Descreveu o testemunho como uma combinação dolorosa de "tristeza e dignidade" e lembrou que Juan Bautista não está sozinho, mas representa muitos cubanos silenciados e esquecidos.
Para Lafita, o que o ex-professor vive hoje não é apenas uma anedota pessoal, mas uma denúncia mais ampla sobre "a Cuba real, a Cuba do abandono, dos talentos desperdiçados, da dor digna e silenciada".
Também expressou o desejo de que o país algum dia volte a valorizar seus filhos mais valiosos e deixe de condená-los a sobreviver em vez de viver.
“Se você ver Juan Bautista pelo Vedado, não o ignore”, escreveu. “Ele poderia ter sido seu mestre. Talvez, sua inspiração. Hoje ele precisa que não o esqueçamos. Estendamos-lhe a mão.”
Na Cuba atual, a velhice se tornou sinônimo de precariedade, abandono e trabalho forçado. Dezenas de idosos são obrigados a sobreviver realizando atividades nas ruas diante da falta de apoio institucional.
Tal é o caso de um idoso cubano que, sem pernas, se dedicou a cultivar a terra em Pinar del Río, demonstrando que nem a deficiência o isenta de buscar seu sustento com esforço próprio.
Outro caso comovente é o de um homem doente que ganha a vida como vendedor ambulante, caminhando pelas ruas em condições físicas deploráveis. Sua imagem gerou indignação e compaixão em partes iguais, ao representar muitos idosos que continuam trabalhando por pura necessidade.
Também foi conhecido o caso de um idoso abandonado que sobrevive como vendedor ambulante após ser despejado de sua residência. Vive sem eletricidade, cozinha no chão e dorme em condições insalubres, enquanto tenta ganhar algum dinheiro vendendo nas ruas.
Sua história expõe o fracasso dos mecanismos de proteção social para os idosos.
A pobreza, a solidão e a necessidade de sobreviver também marcam a vida de muitos outros idosos que, como foi documentado em diversos casos, continuam a trabalhar apesar da idade e dos problemas de saúde.
Muitos vivem sozinhos, em condições precárias e sem o apoio de suas famílias ou do Estado, dependendo exclusivamente do que conseguem vender ou fazer por conta própria.
Perguntas frequentes sobre a situação de Juan Bautista e a crise dos profissionais em Cuba
Quem é Juan Bautista e por que sua história é relevante?
Juan Bautista é um licenciado em física e matemática que dedicou sua vida ao ensino e à música em Cuba. Sua história é relevante porque representa uma geração de profissionais cubanos que, após décadas de serviço, vivem em condições precárias e sem reconhecimento em uma Cuba em crise.
Quais problemas Juan Bautista enfrenta em seu dia a dia?
Juan Bautista sobrevive enchendo isqueiros em Havana sem ter rendimentos estáveis nem condições dignas para a sua velhice. Além disso, foi vítima de um roubo, ficando sem o seu celular, e como muitos outros profissionais em Cuba, enfrenta a invisibilidade e a falta de recursos.
Como a comunidade tem reagido à situação de Juan Bautista?
A história de Juan Bautista comoveu muitas pessoas, incluindo ativistas como Yamilka Lafita (Lara Crofs), que expressou sua tristeza e utilizou as redes sociais para dar visibilidade à sua situação. A comunidade reagiu com indignação e solidariedade, vendo nele um símbolo do abandono que muitos profissionais enfrentam em Cuba.
O que representa a situação de Juan Bautista no contexto cubano atual?
A situação de Juan Bautista é um reflexo do abandono e da falta de reconhecimento que sofrem os profissionais cubanos. Em um contexto de crise econômica e social, seu caso evidencia a precariedade e o desamparo em que vivem muitos daqueles que contribuíram para o desenvolvimento do país.
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