Museu Carlos Baliño: Monumento Nacional abandonado no pleno centenário do primeiro Partido Comunista de Cuba

O que um dia foi um centro de referência cultural e de memória histórica no município de Guanajay hoje é apenas uma casca deteriorada. O museu Carlos Baliño, fechado desde 2019, enfrenta um processo de investimento estagnado, com sérios riscos estruturais e sem garantias para preservar sua coleção patrimonial.

Centenário do PCC chegará sem que Guanajay conte com um espaço digno para honrar um de seus próceresFoto © El Artemiseño/Otoniel Márquez

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O museu que homenageia Carlos Baliño (1848-1926), um dos fundadores do primeiro Partido Comunista de Cuba (PCC), permanece fechado e em deterioração, sem uma data clara de reabertura. Seis anos após seu fechamento em 2019, o edifício localizado no município de Guanajay, na província de Artemisa, continua sem cobertura completa, a coleção está amontoada e o investimento aprovado avança a passos lentos.

Baliño “não tem em sua terra natal um busto que preste homenagem à sua memória. Além disso, o museu que leva seu nome enfrenta um processo de investimento que parece não ter fim, e sua condição de Monumento Nacional está por um fio”, reconheceu o jornal oficial El Artemiseño.

Mercedes Záceta, uma das fundadoras do museu que ainda trabalha na instituição, afirmou nunca ter imaginado tal decadência. “Éramos como o centro de convenções de Guanajay. Reuniões importantes e as atividades políticas e culturais de maior alcance no município eram realizadas aqui”, lembrou.

Hoje o museu está fechado ao público e sua coleção está empilhada, exposta ao calor e a possíveis focos de umidade, o que coloca em risco seu bom estado, apesar das contínuas ações de conservação realizadas pelos especialistas do museu.

Mas o mais preocupante, segundo o meio de comunicação, “é ver como foram desperdiçados recursos empregados em alguns trabalhos realizados e a qualidade de sua finalização”.

A esse respeito, referiu-se à colocação incompleta em 2019 da estrutura do telhado sobre viguetas metálicas, sem os materiais essenciais, como a manta impermeabilizante. Como resultado, já há telhas de barro danificadas e partes do telhado com danos irreversíveis devido à chuva e ao sol. A integridade das paredes também está em risco, especialmente nas áreas sem cobertura, onde a umidade compromete seriamente o revestimento.

O historiador e arqueólogo Leonardo Camoeira, um dos colaboradores mais veteranos da instituição, também expressou sua frustração. Mencionou danos estruturais graves e perda de funcionalidade nas paredes de cal e canto. Até mesmo uma janela se desprendeu devido aos efeitos do furacão Rafael, agravando o risco para a coleção.

A direção do museu, liderada por Alina Pérez, continua fazendo malabarismos para preservar o que é possível. As prioridades, disse, são a conservação dos objetos e a atenção aos monumentos externos. Mas reconhece que, sem concluir o telhado, o restante das ações nas paredes, portas, janelas e pisos não pode avançar. E quanto mais se demora, maior é o custo do investimento e os danos ao imóvel.

El Artemiseño destacou que o intendente Diaberkis Lugo e a diretora de Cultura do município, Yanara Sarría, “depositam suas esperanças na chegada de uma manta como doação, assim como na revisão do orçamento de um milhão de pesos atribuído este ano para executar no investimento do museu; valor insuficiente considerando os volumes de trabalho, mão de obra e recursos necessários para a continuidade dos trabalhos.”

Apesar do comprometimento da equipe e de alguns apoios institucionais, a realidade é que o tempo passa e o deterioro avança. Neste ponto, é quase impossível que o museu consiga abrir suas portas no dia 16 de agosto para comemorar o centenário do PCC, uma data chave para a homenagem a Carlos Baliño.

O centenário da morte do patriota será em junho do ano que vem e em agosto, o centenário do nascimento de Fidel Castro (1926-2016). Outras datas simbólicas no horizonte. Mas se a vontade política e os recursos não aparecerem, Guanajay continuará sem busto, sem museu e sem memória tangível para prestar tributo a um de seus grandes.

O primeiro Partido Comunista de Cuba foi fundado em 16 de agosto de 1925 em um local que existia onde hoje se encontra o teatro Hubert de Blanck, em Havana. Foi resultado da iniciativa de vários líderes comunistas, como José Miguel Pérez (1896-1936), Alfonso Bernal del Riesgo (1902-1975), Julio Antonio Mella (1903-1929) e Carlos Baliño.

Este partido, originalmente chamado Partido Comunista Cubano, depois se tornou o Partido Socialista Popular (PSP). Mais tarde, em outubro de 1965, adotou o nome de Partido Comunista de Cuba sob a liderança de Castro.

Em tempos em que o governo insiste tanto na identidade e na memória, é alarmante a quantidade de sites patrimoniais ou lugares emblemáticos em Cuba, abandonados e condenados a desaparecer por um sistema incapaz de preservá-los, imersos na indiferença oficial e na resignação cidadã, já acostumada ao deterioro em meio à crise econômica.

Um exemplo é a imprenta El Arte, em Manzanillo, um dos símbolos culturais mais importantes do leste cubano, que agoniza no abandono, enquanto seu legado histórico e editorial se desmorona diante da indiferença institucional.

O aeroporto Máximo Gómez, de Ciego de Ávila, construído com mais de 100 milhões de pesos, é hoje uma ruína sem voos nem propósito. Mais de duas décadas de abandono estatal sepultaram o investimento público sob o peso da indiferença e do absurdo.

O outrora Casino Español de La Habana, no município de Playa; o emblemático Teatro Musical de La Habana e o antigo Hotel Venus em Santiago de Cuba, são alguns dos muitos exemplos de joias culturais e arquitetônicas, vítimas do abandono e da desídia governamental.

A Terminal de Ferrocarriles de Morón, Monumento Nacional e a segunda maior do país, é mais um exemplo de como em Cuba os orçamentos públicos disparam sem um planejamento realista ou transparência, pois o que começou em 2022 como uma “restauração capital” com um orçamento de 3,4 milhões de pesos, se transformou em um megaprojeto estatal que já supera os 100 milhões de pesos.

Perguntas frequentes sobre o estado de abandono do patrimônio cultural em Cuba

Qual é o estado atual do Museu Carlos Baliño em Cuba?

O Museu Carlos Baliño está fechado e em estado de decadência desde 2019, com sua coleção acumulada e exposta à deterioração. Apesar de um investimento aprovado, as obras de restauração avançam lentamente e o museu não tem uma data clara de reabertura.

Por que é importante o Museu Carlos Baliño para a história de Cuba?

O museu presta homenagem a Carlos Baliño, um dos fundadores do primeiro Partido Comunista de Cuba, e é considerado um Monumento Nacional. É um símbolo da memória histórica e política do país, cuja conservação é crucial para manter vivas as raízes culturais e históricas de Cuba.

Quais outros monumentos em Cuba estão em risco de abandono e deterioração?

Além do Museu Carlos Baliño, outros monumentos e locais emblemáticos em Cuba estão em risco, como o Cemitério Chinês de Havana, a gráfica El Arte em Manzanillo, a Estação Ferroviária de Morón e o Aquário Nacional de Cuba. Esses locais enfrentam um grave deterioramento devido à falta de manutenção e apoio institucional.

Que medidas estão sendo tomadas para restaurar o Museu Carlos Baliño?

As autoridades aprovaram um orçamento de um milhão de pesos para o investimento no museu este ano, e espera-se receber uma lona impermeabilizante como doação. No entanto, esses fundos são insuficientes para cobrir o volume de trabalho necessário, e o progresso das obras continua sendo lento.

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