Cuba à beira do colapso energético: Apagões já alcançam quase 1.800 MW

O país continua imerso em um apagão sem fim: a disponibilidade elétrica diminui semana após semana, a demanda aumenta e o déficit se mantém em níveis críticos, subindo de 1.425 MW para quase 1.800 MW em sete dias.

Imagem de referência criada com Inteligência ArtificialFoto © CiberCuba / Sora

Este sábado, 21 de junho de 2025, o Sistema Elétrico Nacional (SEN) enfrenta um dos piores cenários até agora, com afetos previstos que chegam a 1.770 MW, evidenciando uma tendência de piora contínua durante a última semana.

Segundo a parte oficial da União Elétrica, o serviço elétrico na sexta-feira, 20, foi interrompido durante 24 horas, estendendo-se até a madrugada de hoje. O déficit máximo registrado foi de 1.838 MW às 22h30, superando amplamente o que estava planejado devido a uma demanda superior à esperada e a saída imprevista da unidade 6 de Mariel.

Captura de tela Facebook / UNE

Às 7h00, a disponibilidade era de 1.750 MW frente a uma demanda de 3.120 MW, o que implicou um déficit de 1.389 MW, cifra que se espera que se mantenha próxima a esse valor durante o meio-dia, já que se projeta uma afetacão de cerca de 1.350 MW adicionais.

As limitações térmicas somam 433 MW fora de serviço, e 81 plantas de geração distribuída — devido à falta de combustível — não operam, totalizando 803 MW, além de outros 80 MW afetados pela falta de óleo nos motores. No conjunto, a geração distribuída apresenta um déficit de 883 MW.

Se estima que para o horário de pico noturno entre este sábado e domingo entre em operação a unidade 6 da CTE Diez de Octubre com 100 MW, elevando a disponibilidade de pico estimada para 1.850 MW. Contra uma demanda projetada de 3.550 MW, o déficit ascenderia a 1.700 MW, o que significa uma afetação de 1.770 MW.

Comparativa com a semana anterior

No Dia dos Pais passado (15 de junho), foi registrado um déficit máximo de 1.425 MW, com uma afetação máxima de 1.669 MW, resultado de falhas em várias termelétricas e falta de combustível em geradoras distribuídas.

No dia seguinte, os apagões chegaram a 20 horas, afetando as atividades cotidianas, a preparação de alimentos e o descanso da população, sem qualquer melhoria em relação ao dia anterior.

El martes e quarta-feira, a UNE relatou uma demanda de 3.000 MW logo pela manhã, com uma disponibilidade de apenas 1.810 MW (déficit de 1.213 MW). No horário de pico, a afetacão superou os 1.700 MW.

As cifras mostram um padrão de déficit crescente, com a afetacão nas horas de pico passando de 1.669 MW em 15 de junho, para mais de 1.729 MW em 18, e se aproximando perigosamente neste sábado de 1.800 MW, o que demonstra um contínuo agravamento.

Os 16 parques fotovoltaicos novos geraram entre 1.612 MWh e 1.748 MWh diários, com picos de potência entre 368 MW e 412 MW ao meio-dia. No entanto, essas contribuições ainda se mostram insuficientes para compensar os déficits térmicos, evidenciando a fragilidade da infraestrutura energética cubana.

A crise progressiva do SEN se agrava. A semana terminou com um aumento sustentado do déficit e apagões mais prolongados, maior pressão sobre a geração térmica e distribuída, e uma incapacidade manifesta dos complementos renováveis para mitigar o impacto.

Se não houver mudanças estruturais —ampliação da capacidade térmica ou aceleração real de projetos renováveis—, a normalização do serviço continuará fora de alcance; os cidadãos continuarão a sofrer apagões contínuos e prolongados, com implicações graves na vida cotidiana, na saúde e na economia familiar.

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