Fuentes de Correo alertaram um escritório de advogados em Miami sobre um possível fraude na solicitação de devolução de permissões de trabalho revogadas após a cancelamento do parole humanitário, o que deixa 530.000 imigrantes em risco de deportação.
Segundo explicam, uma funcionária dos Correios afirma ter "virado muita gente com a devolução da autorização de trabalho", pois o endereço para onde devem devolver o cartão gera dúvidas.
"Meu paralegal veio bem assustado porque a senhora do correio disse a ele que ela não está enviando nenhum desses permissos de trabalho porque não confiam. Ela disse a todos que retornem com seu permissão de trabalho por onde vieram e consultem um advogado porque o endereço é suspeito", disseram em declarações à CiberCuba.
Consultada por um espectador desta plataforma, a advogada de Imigração Liudmila Marcelo sugere cautela, aguardando quinze dias antes de devolver o cartão, como precaução diante da constante oscilação das decisões migratórias, e recomenda ligar primeiro para o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) para verificar o endereço para o qual devem enviar o cartão.
"Estão chegando, certamente, cartas pedindo que devolvam o visto de trabalho. Nenhum dos meus clientes recebeu. Eu gostaria de revisar alguns dos meus clientes que tenham recebido a carta de devolução do visto de trabalho, porque quero lê-la. Até agora, só vi pessoas que publicaram, mas não li nenhuma. Veja, você pagou 520 USD por esse visto de trabalho. Esse visto de trabalho chegou a você em um cartão. Além disso, você precisa enviar esse visto de trabalho de volta quando já se sabe que está revogado. Na minha opinião, isso é totalmente ilógico. Eu não li a carta, não sei, inclusive se será um franqueio pago, que você nem vai ter que pagar pelo envio. Imagine que além de ter pago 520 USD por esse visto de trabalho, você tenha que colocá-lo em um envelope e pagar o Correio para que enviassem de volta para o USCIS. As ordens são cumpridas. Ou seja, se o USCIS disser, devolva-me o visto de trabalho, então eu o devolveria, mas eu esperaria", disse Liudmila Marcelo em declarações ao CiberCuba.
"Eu esperaria algumas semanas para ver, porque realmente eu paguei por essa autorização de trabalho. Não vou usá-la, porque não posso usá-la, porque foi revogada. Mas você vai me obrigar agora a pagar novamente para te devolver a autorização de trabalho", acrescentou.
"Se não houver mais remédio, então eu terei que devolvê-lo. Mas eu sempre espero. Não gosto de ser uma das primeiras pessoas a cumprir com as orientações. Vamos ver o que acontece. Vamos ver se nesses dias a juíza finalmente toma a decisão e vemos o que aconteceu. Mas por enquanto eu deixaria assim. Sim, eu vou devolver, mas me dê tempo. Eu vou devolver assim que eu puder ir aos Correios, assim que eu puder sair, porque não é que eu vá receber a carta e amanhã já vou aos Correios para enviá-la, porque realmente tudo tem seu tempo na vida", concluiu.
No dia 12 de junho de 2025, o DHS revogou imediatamente o parole humanitário CHNV, cancelando também os permissos de trabalho de mais de 530.000 pessoas, incluindo milhares de cubanos. Em 28 de março de 2025, três organizações pró-imigração —CHIRLA, UndocuBlack e CASA— apresentaram uma ação federal no Tribunal de Distrito de Washington D.C., argumentando que a revogação em massa viola o devido processo e exige uma avaliação caso a caso antes de ordenar deportações aceleradas. O litígio ainda está em andamento, com audiências em tribunais inferiores.
"Ainda não se decidiu sobre a legalidade da revogação em massa. O que foi decidido foi sobre a faculdade do Governo de suspendê-la sem esperar a decisão da ação, e é por isso que está cancelada. Nesta quarta-feira, foram apresentadas moções por estas mesmas organizações para que o juiz responsável pela ação acelere a decisão, dado o grave prejuízo que a cancelamento do parole e dos permissões de trabalho causou aos beneficiários", explica a advogada Marcelo.
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