Se quebrou “o mito”: A Ilha da Juventude já não escapa das quedas de energia diárias

Na Ilha da Juventude, os apagões programados comprometem a sua estabilidade elétrica, afetando o descanso e as atividades diárias. A falta de geração e as falhas agravam a situação.

Empresa Elétrica Ilha da JuventudeFoto © Facebook/Empresa Elétrica Ilha da Juventude

Por anos, os cubanos repetiram quase como um mantra que “na Ilha da Juventude não faltava energia”. E não era apenas uma crença popular, em março deste mesmo ano, meios oficiais reconheceram que aquele território contava com geração elétrica própria, com capacidade suficiente para evitar apagões, mesmo durante cortes massivos que afetavam toda a ilha grande.

Pero a realidade tem se desviado do mito há meses, a tal ponto que, neste 16 de junho, as autoridades da Empresa Elétrica daquele território insular começaram a aplicar apagões programados de cinco horas, que se estendem ao longo do dia e da madrugada, conforme confirmou nesta segunda-feira a emissora local Radio Caribe.

Captura do Facebook/Radio Caribe

A medida responde à falta de geração suficiente para atender à demanda, uma situação que se agravou desde o dia 14 de junho, quando duas unidades do sistema elétrico nacional deixaram de operar, o que “antecipou o prognóstico de impacto”, conforme explicou a própria empresa em um alerta de “último minuto”.

Captura do Facebook/Empresa Elétrica Ilha da Juventude

O esquema de apagões anunciado inclui quatro blocos de afetamento, que abrangem horários críticos como a madrugada e as primeiras horas do dia. Zonas como Pueblo Nuevo, La Fe, Mella, La Reforma, Chacón, o Aeroporto, a Universidade e bairros como Micro 70 ou Sierra Caballos estarão entre os principais afetados.

Os cortes de eletricidade ocorrem das 18h às 23h, das 23h às 4h, das 4h às 9h e até às 13h em alguns setores, afetando tanto o descanso noturno quanto as atividades escolares e de trabalho durante o dia.

Facebook/Rádio Caribe

A nota oficial alerta ainda que os horários podem ser antecipados ou atrasados dependendo do comportamento da demanda, e não se descartam novas avarias imprevistas que poderiam agravar o panorama.

Facebook/Radio Caribe

“Não há comida, não há luz, não temos nada.”

“Nossos filhos estão em provas finais e nem dormir conseguem… já não aguentamos mais”, escreveu Ariel Moto na página da emissora municipal. Seu comentário, que resume a angústia de muitos, viralizou entre os pineros.

Outras usuárias, como Katiusca Muñoz, denunciam que os horários de interrupção não são respeitados e que áreas como Chacón ficaram sem energia por mais de cinco horas, tanto de dia quanto de noite. “O relatório não se entende”, reclama.

A incerteza é constante: quando a luz vai embora?, quando volta?, é rotativa ou fixa?, perguntam repetidamente vizinhos como Mirtha Cabrales.

"Estou buscando companhia... na minha região não há energia de madrugada. Procuro alguém que me receba e depois vamos para a minha casa", comentou com ironia Erislandis Durán, numa tentativa de fazer humor em meio ao desânimo.

Nem mesmo a Ilha da Juventude, território historicamente mais estável em termos elétricos, se salvou dessa vez. O mito se quebra, mas com ele também desmorona a esperança de ter, ao menos, uma noite tranquila.

Captura do Facebook/Radio Caribe

As autoridades recomendam carregar lanternas e baterias e desconectar eletrodomésticos durante os cortes, enquanto prometem que os horários serão ajustados "quando a situação melhorar".

Mas para milhares de cubanos na Ilha, o que é urgente não é paciência, mas respostas e alívio.

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