Uma funcionária colombiana do Walmart comoveu as redes sociais com uma mensagem emotiva sobre a difícil jornada que ela e seus colegas de trabalho enfrentaram, em meio a demissões que estão afetando migrantes com permissões temporárias vencidas nos Estados Unidos.
“Hoje todos nós da Walmart estamos trabalhando com o coração apertado”, disse a jovem, identificada no TikTok como Melienusa. Vestida com o uniforme da rede, ela gravou o vídeo de seu local de trabalho, visivelmente afetada. “Os migrantes, inclusive cidadãos americanos, todos estamos trabalhando muito tristes hoje. E os que não somos cidadãos, estamos um pouco angustiados também por toda a situação que está acontecendo no país.”
Em seu testemunho, compartilhado em 3 de junho, explicou que mais de 60 funcionários foram suspensos ou demitidos em sua loja após perderem seu status migratório, particularmente o parole humanitário. “Pessoas trabalhadoras, responsáveis, que pagam impostos, que têm filhos, que querem fazer as coisas da maneira certa… estão pagando as consequências.”
Embora não mencione diretamente nenhum político, faz alusão ao impacto que as mudanças na política migratória sob a nova administração tiveram. “Já não sabemos o que vai acontecer. Todo mundo está tentando fazer as coisas certas, de maneira legal e ordenada, tentando respeitar as normas e as leis, mas já não sabemos o que esperar.”
Antes de finalizar, dedicou algumas palavras àqueles que perderam seus empregos: “Desejo mil bênçãos. Confie em Deus, que é quem tem a última palavra. Ele é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, e é Ele quem tira e põe reis no mundo.”
Reações: entre empatia, dúvidas e críticas
O vídeo de Melienusa não demorou a se tornar viral e abrir um intenso debate no TikTok. Centenas de usuários expressaram apoio emocional, agradecendo-a por dar visibilidade a uma realidade que afeta muitos. “Obrigada por falar por todos. Hoje eu chorei com você”, escreveu uma usuária. Outra acrescentou: “Estamos com você. Deus proverá”.
No obstante, também surgiram perguntas, dúvidas e críticas. Alguns ficaram surpresos ao saber que o Walmart contrata pessoas com status migratório temporário: “Desde quando o Walmart contrata pessoas com parole?”, questionou um perfil. Outros lembraram que o parole é uma permissão temporária: “Que parte de temporário não entenderam?”, escreveu um usuário.
Também houve comentários em um tom mais duro: “Muitos de vocês zombavam de outros migrantes. Agora é a sua vez”. E outros que responderam a partir de sua própria experiência: “Eu estou aqui há 20 anos sem documentos e continuo lutando. Não há garantias para ninguém”.
Apesar dos matizes, o vídeo gerou uma conversa aberta sobre a incerteza que vivenciam aqueles que chegaram legalmente e tentaram se integrar, mas agora enfrentam obstáculos para continuar trabalhando.
“Pagamos justos por pecadores”: outra trabalhadora relata sua demissão
Poucas horas depois do primeiro vídeo, outro testemunho se tornou viral. Ruth, uma trabalhadora venezuelana, compartilhou sua experiência após ter sido demitida também no dia 3 de junho. “Hoje, oficialmente, acabei de receber uma ligação para me informar que estou fora do meu trabalho”, contou.
Según explicou, Walmart notificou que já não podia continuar em seu cargo por ter permissão de trabalho na categoria C11, correspondente ao parole humanitário. “Só podemos renovar as pessoas que tenham um permissão de trabalho por asilo, ou seja, que tenham cinco anos, a permissão que é da categoria C8”, detalhou.
Com a voz embargada, Ruth expressou sua indignação: “Pagamos justos por pecadores. Somos nós que saímos para trabalhar, saímos para nos esforçar, saímos para deixar nosso país em alta, pagamos por documentos, pagamos pela legalidade neste país”.
Além disso, questionou a cobertura mediática que prioriza certos casos escandalosos em detrimento do que, para ela, deveria ser o foco: pessoas honestas que estão perdendo seu sustento. “Estão nos revogando de nossos empregos e ninguém presta atenção a isso. Ficamos como quem diz em standby.”
Reações: defesa, julgamento e solidariedade
O vídeo de Ruth também recebeu uma avalanche de comentários, alguns solidários, outros muito críticos. Vários usuários defenderam a Walmart, apontando que apenas cumpre regulamentos: “Não é decisão da Walmart, é uma ordem federal”. Outro comentou: “A culpa não é da loja, é do sistema”.
Também houve quem criticasse o tom emocional do vídeo: “Deixem de chorar, assim é a vida nos EUA.”. Outros lembraram que o parole não garantia permanência: “Era uma medida temporária. Não fizeram os ajustes a tempo.”
No entanto, muitos ofereceram palavras de encorajamento: “Confie em Deus, coisas melhores virão”, “Isto é apenas um teste, você consegue superar”, “Você é uma guerreira, siga em frente”.
"Estamos à espera, mas não sabemos o que fazer."
A redaçao de CiberCuba também recebeu um testemunho direto. Uma cubana de 65 anos explicou que ela e sua filha, de 35, chegaram ao país sob o parole humanitário em dezembro de 2023. Em dezembro de 2024, após cumprir o ano e um dia regulamentares, solicitaram a residência. Em fevereiro de 2025, foram convocadas para a coleta de impressões digitais, mas não receberam resposta desde então.
No dia 3 de junho, a filha foi demitida do Walmart após oito meses de trabalho. “Tenho a notificação das minhas impressões digitais e o número do caso que a imigração já recebeu. Mas até agora não tive mais resposta. Minha filha trabalhou desde que chegou, e hoje lhe disseram que não pode continuar”, explicou. “Estamos aguardando, mas não sabemos o que fazer. Podem nos deportar?”
Estas reações chegam pouco depois de que foi notícia que Walmart havia começado a demitir empregados migrantes após a decisão da Suprema Corte que permite ao governo revogar o Estatus de Proteção Temporária (TPS) e o parole humanitário. Segundo Bloomberg e Univisión, a empresa exige que seus trabalhadores atualizem os permissos de trabalho este mês ou serão dispensados. As demissões afetam especialmente empregados de origem cubana, venezuelana, haitiana e nicaraguense.
O formulário I-9, exigido por lei federal, obriga as empresas a verificar a autorização de trabalho. Especialistas em migração têm recomendado que aqueles que estão em processos ativos (como solicitações de residência) mantenham a documentação em dia e busquem orientação legal.
Perguntas Frequentes sobre os Despedimentos de Imigrantes na Walmart
Por que o Walmart está demitindo funcionários migrantes com permissões temporárias?
Walmart está demitindo funcionários migrantes devido à decisão da Suprema Corte que permite revogar proteções legais como o Estatuto de Proteção Temporária (TPS) e o parole humanitário. A empresa exige que os trabalhadores atualizem suas permissões de trabalho ou enfrentarão demissões.
O que é o parole humanitário e por que isso afeta os funcionários da Walmart?
O parole humanitário é uma autorização temporária que permite aos migrantes viver e trabalhar nos EUA por um período limitado. Os desligamentos na Walmart ocorrem porque essas permissões estão expirando e as políticas migratórias atuais não as renovam.
Como isso afeta os empregados migrantes em termos pessoais e laborais?
A perda de emprego afeta gravemente os empregados migrantes, que enfrentam incertezas econômicas e legais. Muitos são trabalhadores responsáveis que pagaram impostos e agora temem ser deportados ou não conseguir se manter nos EUA.
Quais medidas os migrantes afetados pelas demissões na Walmart podem tomar?
Os migrantes afetados devem buscar assessoria legal para avaliar suas opções, como renovar seus permissões de trabalho ou solicitar outras formas de proteção. É essencial manter a documentação em dia e seguir as recomendações de especialistas em migração.
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