Walmart Inc., o maior varejista dos Estados Unidos, começou a demitir funcionários migrantes cuja autorização de trabalho está vencida, após a recente decisão da Suprema Corte que permitiu à administração Trump revogar proteções legais concedidas sob o Estatuto de Proteção Temporária (TPS) e o parole humanitário.
Segundo um relatório publicado pela Bloomberg, a empresa já notificou trabalhadores em lojas da Flórida e do Texas que perderão seus empregos se não apresentarem novos documentos válidos de autorização de trabalho.
Em particular, a medida afeta funcionários provenientes de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela, cujos permissos temporários foram considerados inválidos pelo sistema interno de verificação da Walmart.
Os funcionários deverão atualizar seus documentos ainda este mês; caso contrário, serão desligados.
Alguns já foram demitidos, segundo fontes próximas citadas pela Bloomberg, que solicitaram anonimato por não estarem autorizadas a falar publicamente.
As demissões estão relacionadas ao formulário I-9, exigido pela lei federal para verificar a identidade e a autorização de trabalho de todos os empregados nos EUA.
"A administração Trump ainda não especificou como procederá com aqueles que perderem a permissão para permanecer nos EUA. No entanto, autoridades migratórias indicaram que qualquer pessoa em situação irregular poderia ser detida e deportada", ressaltou a fonte citada.
Este movimento ocorre em resposta direta à decisão do Supremo Tribunal que valida a posição do governo de retirar as proteções migratórias concedidas durante a administração Biden, afetando potencialmente centenas de milhares de migrantes com TPS.
O Walmart, que possui mais de 4.600 lojas e emprega 1,6 milhões de pessoas nos Estados Unidos, se junta a outras empresas como a Walt Disney Co., que também começou a rescindir contratos de funcionários afetados pela perda de status migratório.
Walmart exige nova verificação de permissões após a decisão
Um relatório da Univisión revelou que a Walmart começou a identificar e notificar empregados cujos permissões de trabalho podem estar prestes a expirar, após a decisão da Suprema Corte que permite revogar proteções temporárias, incluindo o parole humanitário concedido durante o governo de Joe Biden.
O julgamento também deu luz verde para eliminar o TPS de cerca de 350.000 venezuelanos. Nesse contexto, o Walmart exige agora que seus trabalhadores com permissões temporárias revalidem seus documentos de trabalho neste mês.
Neste sentido, chegou à redação de CiberCuba o testemunho de uma migrante cubana que entrou no país com sua filha sob o programa de parole humanitário.
Ambas solicitaram a residência legal após cumprirem o ano e um dia exigidos e realizaram suas impressões digitais em fevereiro deste ano. Desde então, não receberam resposta.
Sua filha, de 35 anos, trabalhava em uma loja do Walmart há oito meses, mas no dia 3 de junho —segundo contou sua mãe— foi notificada pela empresa de que não poderia continuar em seu cargo devido ao seu status de parole humanitário.
“Estamos à espera, mas não sabemos o que fazer”, escreveu a mulher, visivelmente preocupada com sua situação migratória e a de sua filha.
Flórida, epicentro do impacto: Despidos e pressão política
Segundo New York Post, as demissões na Walmart fazem parte de uma reação empresarial mais ampla à decisão da Suprema Corte, que afeta mais de meio milhão de migrantes com status legal temporário.
Na Flórida, onde residem numerosos beneficiários do TPS, os efeitos já são sentidos em comunidades que, ironicamente, apoiaram majoritariamente Donald Trump nas eleições passadas.
Outras empresas, como a Disney, também começaram a rescindir contratos; pelo menos 45 funcionários foram colocados em licença, conforme confirmou a empresa, que citou o cumprimento das leis de imigração como motivo.
Enquanto isso, o governo lançou uma campanha que incentiva a saída voluntária de migrantes, oferecendo assistência com a viagem e até 1.000 dólares para abandonar o país por conta própria.
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma forte crítica contra a multinacional Walmart, após a rede de grandes armazéns anunciar um iminente aumento de preços em seus produtos, atribuído às tarifas impostas pelo mandatário republicano às importações chinesas.
Em uma publicação em sua rede social Truth Social, Trump expressou seu rejeição frontal à decisão da Walmart e acusou a empresa de usar as tarifas como "desculpa" para justificar os aumentos de preços.
"Walmart deveria DEIXAR de culpar as tarifas como motivo do aumento de preços em toda a cadeia", escreveu o presidente.
A seguir, acrescentou que "Walmart ganhou MILHÕES DE DÓLARES no ano passado, muito mais do que o esperado".
"Entre Walmart e China deveriam, como se diz, ‘COMER OS ALCANCELOS’ e não repassar NADA aos seus valiosos clientes. Estarei atento, e seus clientes também!”, concluiu o mandatário em um tom claramente desafiador.
O recado de Trump respondeu a um anúncio feito dias atrás pela Walmart, no qual comunicou que começaria a aumentar os preços em resposta às tarifas implementadas pelo presidente.
A medida, que poderá ser aplicada "no final deste mês, e sem dúvida muito mais em junho", segundo seu diretor financeiro John David Rainey, afetará produtos essenciais e reflete o impacto direto da política comercial americana no bolso dos consumidores.
Sin embargo, um mês antes, a Walmart havia dito que manteria os preços baixos, reafirmando suas metas de crescimento e apoiando-se em novas fontes de receita para reforçar sua solidez.
Perguntas frequentes sobre o Estatus de Proteção Temporal (TPS) e suas implicações para os migrantes nos EUA.
O que é o Estatus de Proteção Temporal (TPS) e por que é importante?
O Estatut de Proteção Temporária (TPS) é um mecanismo legal que permite a cidadãos de países em crise humanitária permanecer e trabalhar legalmente nos Estados Unidos. É crucial porque oferece proteção àqueles que fogem de conflitos armados ou desastres naturais. No entanto, não fornece um caminho para a cidadania, deixando os beneficiários em uma situação de incerteza quando é revogado.
Como o recente veredicto da Suprema Corte afeta os migrantes com TPS?
O recente julgamento da Suprema Corte permite que a administração Trump revogue as proteções do TPS, afetando centenas de milhares de migrantes, especialmente de países como Venezuela, Haiti, Nicarágua e Cuba. Isso deixa muitos em risco de deportação e com uma grande incerteza sobre seu futuro nos Estados Unidos. Empresas como Walmart e Disney já começaram a demitir funcionários com TPS expirado, refletindo o impacto imediato dessa decisão.
Quais são as implicações para as empresas da revogação do TPS?
A revogação do TPS tem sérias implicações econômicas para as empresas nos Estados Unidos, especialmente em estados como a Flórida. Essas empresas dependem em grande parte da força de trabalho migrante amparada pelo TPS. A perda desses trabalhadores poderia levar ao colapso de negócios em setores como a construção, hospitalidade e serviços, afetando a economia local e nacional.
O que os migrantes afetados pela revogação do TPS podem fazer?
Os migrantes afetados pela revogação do TPS devem agir rapidamente para proteger seu status. É recomendado que busquem assessoria jurídica para explorar outras vias migratórias, como o asilo ou a residência permanente, se forem elegíveis. Além disso, podem considerar retornar voluntariamente aos seus países de origem com a assistência oferecida pelo governo, embora isso nem sempre seja viável devido às condições em seus países de origem.
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