Lidia Esther Hidalgo Rodríguez, vice-presidente Comercial da ETECSA, confirmou nesta sexta-feira, no espaço oficialista da Mesa Redonda, que quase metade dos usuários será afetada pelo novo pacote de medidas que limita severamente o uso do peso cubano (CUP) para recargas móveis e promove, em seu lugar, pacotes de dados em dólares americanos.
Em comparecência televisiva, a mulher afirmou ao porta-voz do regime Randy Alonso que a decisão foi tomada com base em um "estudo" dos padrões de consumo da população.
Mais de 50% da nossa população consome aproximadamente esse valor que está relacionado com as ofertas que estamos disponibilizando e que continuam a ter cada vez um preço mais acessível e mais quantidade de dados também nas ofertas que estamos apresentando", disse a diretora, referindo-se a supostos benefícios da medida.
Hidalgo Rodríguez enfatizou que o limite de 360 CUP em um prazo de 30 dias se aplica especificamente às recargas nacionais realizadas através de aplicativos locais.
"Há clientes que apenas querem desfrutar de dados e fazer uma combinação e, além disso, há uma oferta de 360 pesos que compõe a soma para ter 6 GB e ainda inclui um pouco mais de SMS e minutos do que as outras ofertas que temos nessa capacidade", disse.
Para a outra "metade" da população, com "necessidades diferentes", são oferecidos planos de dados extras com valores altíssimos. Por 3 GB, será necessário pagar 3,360 CUP; por 7 GB, cerca de 6,720 CUP e por 15 GB, 11,760 CUP. Outro pacote de ofertas apresenta preços em dólares e será recarregado do exterior.
Em sua justificativa, Hidalgo aludiu à urgência de financiamento para "desenvolver o país", mas na sua insistência de que o tráfego de internet em Cuba aumentou reside a verdadeira causa. O regime aproveita o aumento no consumo de dados para trazer dólares ao país.
"Sabemos da importância da internet hoje. Utilizamos para tudo, desde o trabalho até as relações entre amigos e familiares. O tráfego hoje quase quadruplica. 75% do tráfego de internet em Cuba é sustentado pelos serviços móveis. O padrão de consumo tem mudado nos últimos anos em direção a plataformas de streaming e plataformas de jogos; é um comportamento normal", comentou na Mesa Redonda Tania Velázquez, presidenta da ETECSA.
"Todo isso exige um modelo de sustentação, mesmo quando a moeda de pagamento é em CUP. Paralelamente, o ingresso em divisas que sustentou os serviços diminuiu. Desde dezembro, foram anunciadas algumas medidas para recuperar as exportações da ETECSA", precisou.
As funcionárias do monopólio das comunicações enalteceram que, apesar do limite de 6G por 360 pesos cubanos em recargas nacionais, plataformas como WhatsApp ou Telegram permitem "um uso eficiente dos dados": "Com apenas 1 GB é possível enviar até um milhão de mensagens de texto, mantendo assim uma comunicação ativa", sem mencionar quanto se gastaria em videoconferências, um dos métodos mais utilizados pelos cubanos para se comunicar com seus familiares emigrados.
Em relação às necessidades educativas e laborais, disseram que estão incluídos 300 MB de navegação nacional e acesso gratuito a plataformas como ToDUS, o correio Nauta com 50 MB por caixa de entrada e outras ferramentas educativas que "não consomem dados", como se fossem as únicas necessárias para os estudantes.
A dolarização dos serviços da ETECSA afeta principalmente os cubanos que não têm acesso a divisas estrangeiras. Os novos planos de dados em dólares oferecem opções como 4 GB por 10 USD, tornando o acesso à internet um privilégio para aqueles que recebem remessas do exterior.
Esta medida aprofunda a desigualdade econômica e limita a conectividade de uma grande parte da população, consolidando uma dualidade monetária em um serviço essencial.
A justificativa dada pela empresa foi percebida como uma zombaria por muitos usuários, que consideram que a qualidade do serviço não melhorou, apesar das altas tarifas e das contínuas restrições.
Perguntas frequentes sobre o aumento das tarifas da ETECSA em Cuba
Quais mudanças a ETECSA anunciou sobre as recargas móveis em Cuba?
ETECSA Limitou as recargas em pesos cubanos (CUP) a um máximo de 360 em um período de 30 dias, o que obriga a contratar pacotes de dados maiores em dólares estadunidenses (USD). Essa medida gerou críticas pela exclusão de quem não tem acesso a divisas estrangeiras.
Como afetam as novas tarifas da ETECSA os usuários cubanos?
As novas tarifas implicam que os cubanos que não têm acesso a dólares só podem adquirir um pacote de 6 GB por 360 CUP mensais, o que é insuficiente para as necessidades diárias de internet. Isso aprofunda a desigualdade e limita a conectividade para uma grande parte da população.
Por que a ETECSA decidiu dolarizar parte de seus serviços?
Según ETECSA, a dolarização busca "desenvolver e sustentar" a rede de serviços de telecomunicações em Cuba. No entanto, essa justificativa foi amplamente criticada, pois a qualidade do serviço não melhorou e muitos consideram que a medida é uma zombaria que aumenta a desigualdade econômica.
Que reações a decisão da ETECSA provocou na população cubana?
A decisão da ETECSA provocou uma onda de indignação e críticas tanto nas redes sociais quanto em meios digitais, até mesmo em plataformas oficialistas como o Cubadebate. Os usuários consideram que a medida é um "roubo à mão armada" e um passo a mais em direção à exclusão econômica.
Quais opções têm os cubanos que não recebem remessas para acessar à internet?
Para los cubanos sin acceso a remesas, as opções de conectividade estão severamente limitadas. Solo pueden adquirir un paquete de 6 GB en CUP, mientras que los planes más accesibles están en dólares, lo que los deja fuera del sistema o con conectividad mínima.
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