Desgarradora carta de José Gabriel Barrenechea da prisão: "À minha mãe, coração e cérebro do lar onde nasci"

José Gabriel Barrenechea, preso político em Cuba, escreveu uma carta para sua mãe falecida, lamentando não poder se despedir dela devido ao seu encarceramento por protestos cívicos.

Zoila Esther Chávez, a mãe do prisioneiro político José Gabriel BarrenecheaFoto © Redes sociais

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O preso político José Gabriel Barrenechea, que não pôde se despedir de sua mãe, falecida recentemente, escreveu uma carta comovente em decorrência da morte de sua progenitora.

O texto da carta, dedicado à sua mãe ("Coração e cérebro do lar onde nasci e me criei"), foi enviado da prisão La Pendiente em Santa Clara e publicado na íntegra no meio independente 14ymedio. Trata-se de um grito de dor por tamanha perda.

"Nunca a valorizei como merecia, mas mesmo assim Deus teve a bondade de me dar o privilégio de ter uma mãe da qual só posso dizer que foi, por excelência. O que sou, esse pouco do que posso me orgulhar, devo ao lar onde nasci e me criei. E nesse lar, minha mãe era o coração e o cérebro, os braços e até os pulmões", expressou o escritor.

Em uma recordação da figura de Zoila Esther Chávez, José Gabriel traz ao presente o cheiro de sua mãe, seus braços suaves, suas canções tristes, seus olhos tortos. Suas palavras denotam aflição, mas também nostalgia pela pessoa que o formou.

Captura do Facebook / Yoani Sánchez

"Seu sorriso, que era amplo e suave, com uma pitada de melancolia no fundo; seus cabelos cor de mel presos; suas mãos já gastas de tanto lavar para a rua, e tanto limpar; suas expressões idiomáticas arcaicas, de gente do campo cubano", continuou o ativista.

Zoila, sentenciou, suportou "qualquer quantidade de sofrimento": viu um filho morrer e o outro ser encarcerado, meses antes de perder a vida.

"La culpa é minha. Porque, sabendo do país em que me coube viver, cometi o gravíssimo crime de me unir aos meus vizinhos na reivindicação cívica de energia elétrica (...) Não pude me despedir dela, não pude pedir que me perdoasse e receber sua bênção. Não pude contar a ela como, depois de tantos anos me negando à verdade, finalmente entendi o que realmente é essencial no mundo humano: seu fundamento são aqueles que, entre sofrimentos e alegrias, nos trazem ao mundo, nossas mães", foram as comoventes palavras de Barrenechea.

A mãe sofria de câncer e precisava de atenção constante. O encarceramento de Barrenechea, por protestar no contexto da crise energética que atravessa Cuba, deixou a idosa sem os cuidados que necessitava.

Havendo estado meses separado dela, o preso político cubano só teve um breve momento de despedida após o falecimento. Foi trasladado da prisão para dar um último adeus a Zoila, no município de Encrucijada, província de Villa Clara.

O ato, sob forte vigilância, durou menos de uma hora. Barrenechea foi conduzido ao velório, sem contato com a imprensa nem possibilidade de uma despedida digna e privada.

Uma vez concluído o breve momento, foi devolvido à sua cela.

Perguntas frequentes sobre o caso de José Gabriel Barrenechea e a situação em Cuba

Quem é José Gabriel Barrenechea e por que está preso?

José Gabriel Barrenechea é um escritor e jornalista independente cubano que foi preso em novembro de 2024 por participar de uma manifestação pacífica no contexto da crise energética em Cuba. Sua detenção foi considerada arbitrária por organizações de defesa dos direitos humanos, uma vez que seu encarceramento não seguiu o devido processo legal.

O que aconteceu com a mãe de José Gabriel Barrenechea?

Zoila Esther Chávez, mãe de José Gabriel Barrenechea, faleceu sem poder se despedir de seu filho. Seu falecimento ocorreu em um contexto de abandono e desproteção, uma vez que dependia completamente de seu filho para receber cuidados devido ao seu estado de saúde crítico por causa de um câncer. A negativa do regime cubano em permitir que Barrenechea a visse em vida foi amplamente condenada.

Como tem reagido a comunidade internacional diante do caso de Barrenechea?

A comunidade internacional, incluindo organizações de direitos humanos e a Embaixada dos Estados Unidos em Cuba, expressou seu pesar e preocupação. Exigiram a liberação imediata de José Gabriel Barrenechea e de todos os prisioneiros políticos em Cuba, condenando a repressão e as violações dos direitos humanos na ilha.

Qual foi o impacto deste caso na sociedade cubana e no exílio?

O caso de José Gabriel Barrenechea e a morte de sua mãe geraram uma onda de indignação e solidariedade tanto dentro quanto fora de Cuba. Ativistas, defensores dos direitos humanos e a diáspora cubana levantaram suas vozes para denunciar a repressão do regime. Este caso se tornou um símbolo do sofrimento e da injustiça a que muitas famílias cubanas são submetidas por motivos políticos.

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