Da esperança nos Estados Unidos ao encarceramento: Migrante com parole humanitário está detido em Guantánamo

Joel López Jarquín foi enviado à base de Guantánamo, apesar de ter ingressado legalmente nos Estados Unidos com um parole humanitário. Sua família denuncia isolamento extremo e exige respostas.


O nicaraguense Rodolfo Joel López Jarquín foi transferido no início de abril de 2025 para a base naval de Guantánamo, em Cuba, para sua posterior deportação para a Nicarágua, apesar de ter entrado legalmente nos Estados Unidos sob o programa de Parole humanitário.

El Confidencial informou que López Jarquín chegou a Miami no dia 7 de agosto de 2024 e recebeu um visto condicional por dois anos, mas agora se encontra detido no chamado "centro de operações para migrantes" em Guantánamo.

Em uma comunicação com sua família, disse que passa 23 horas por dia trancado, com apenas cinco minutos de comunicação diária, sob a supervisão de agentes migratórios.

“Fui a Miami e obtive permissão condicional por dois anos. Entretanto, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) me deteve antes que meu prazo terminasse,” explicou o migrante em sua declaração enviada a um juiz federal em Washington.

A mesma foi certificada por Marisol Domínguez Ruiz, advogada do Projeto Nacional de Prisões da ACLU, organização que lidera a ação legal contra essas detenções.

Junto a outro nicaraguense, Johon Elias Suazo-Muller, López Jarquín lidera uma demanda na qual solicita a intervenção judicial para parar as deportações para Guantánamo de migrantes que, como ele, não foram condenados por crimes nem representam um perigo público.

Alega que foi levado para Guantánamo sob enganos

López Jarquín permaneceu de 10 de fevereiro até o início de abril no centro de detenção do ICE em Pine Prairie, Louisiana. Em 4 de abril, foi transferido para Alexandria sob a promessa de que seria deportado para a Nicarágua, mas foi levado para Guantánamo no dia seguinte.

“Foi realmente impactante. Não sabíamos onde estávamos até que o avião chegou e vimos os militares. As pessoas estavam horrorizadas. Pensávamos que íamos para casa”, relatou.

“Não fui condenado por nenhum delito nos Estados Unidos nem na Nicarágua”, acrescentou. López Jarquín foi detido pela polícia da Louisiana após uma reclamação por barulho, mas afirma que não foi acusado formalmente.

Condições de detenção e voos de Guantánamo

Em Guantánamo, afirma que não foi informado sobre seu direito a um advogado. “Só nos perguntaram sobre qualquer doença e depois nos colocaram em quartos com seis camas”, denunciou.

Até o início de abril, aproximadamente 400 migrantes, principalmente venezuelanos e nicaraguenses, foram enviados para a base naval. No dia 3 de abril, um voo com 144 deportados, 44 deles de Guantánamo, aterrissou em Managua. A ditadura de Daniel Ortega confirmou a chegada de outro voo naquela mesma semana.

Os gastos de Trump para manter uma prisão em Guantánamo

A administração Trump gastou 40 milhões de dólares em apenas um mês para manter detidos cerca de 400 imigrantes na base naval de Guantánamo. O senador democrata Jack Reed foi quem denunciou esse assunto e afirmou que a quantia era um "desperdício extraordinário e desnecessário".

Reed liderou, junto a outros quatro senadores democratas, uma visita à base no final de março. Eles emitiram uma declaração conjunta onde denunciavam que Guantánamo é um lugar “provavelmente ilegal e ilógico para deter imigrantes”. Além disso, criticaram severamente o uso de recursos militares para fins de controle migratório.

O centro de detenção recebeu críticas por ter condições que não atendiam aos padrões do ICE, como ar condicionado ou fornecimento elétrico básico.

Em março, o governo dos Estados Unidos anunciou que retirou os últimos 40 migrantes que permaneciam em Guantánamo e cancelou o plano de abrigar até 30.000 pessoas em tendas montadas às pressas dentro da base.

No entanto, o caso de López Jarquín evidencia que ainda há imigrantes detidos na Base Naval.

Trump assegurou que esses espaços seriam usados principalmente para criminosos de alto risco, incluindo membros do Tren de Aragua, uma perigosa organização de origem venezuelana. No entanto, também não descartaram enviar pessoas sem histórico criminal.

Escalada de deportações sob Trump

Durante os primeiros 100 dias do novo mandato do presidente Donald Trump, o ICE relatou a deportação de 65.682 imigrantes indocumentados. 75% dos detidos tinham antecedentes criminais, incluindo membros de gangues como MS-13 e Tren de Aragua.

A família de López Jarquín exige respostas e garantias legais para este homem que entrou legalmente nos Estados Unidos, mas permanece detido em condições que qualificam de desumanas e arbitrárias, sem clareza sobre seu futuro.

Perguntas frequentes sobre o parole humanitário e detenções em Guantánamo

Por que Rodolfo Joel López Jarquín foi transferido para Guantánamo?

Rodolfo Joel López Jarquín foi transferido para Guantánamo para sua posterior deportação para a Nicarágua, apesar de ter ingressado legalmente nos Estados Unidos sob o programa de Parole humanitário. Seu caso é representativo de outros migrantes que enfrentam deportações sob as políticas migratórias da administração de Donald Trump.

Quais condições enfrentam os migrantes detidos em Guantánamo?

Os migrantes detidos em Guantánamo enfrentam condições difíceis, como passar 23 horas por dia presos, com apenas cinco minutos de comunicação diária. As condições não atendem aos padrões do ICE, e os detidos denunciam a falta de acesso adequado à orientação legal e um tratamento que consideram desumano.

Como a revogação do parole humanitário afetou os migrantes?

A revogação do parole humanitário deixou milhares de migrantes em um limbo jurídico, obrigando-os a deixar os Estados Unidos em um prazo de 30 dias ou enfrentar a deportação. Isso gerou incerteza e angústia, especialmente entre aqueles que não têm outro processo migratório ativo que os ampare.

Quais são as críticas à política de detenção em Guantânamo?

A política de detenção em Guantánamo tem sido criticada por ser considerada ilegal e ilógica para deter imigrantes. Organizações como a ACLU denunciaram as condições de detenção e o uso de recursos militares para fins de controle migratório, enquanto alguns senadores democratas classificaram os gastos como um "desperdício extraordinário e desnecessário".

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