Vice-presidente da Comissão Europeia defende a manutenção do acordo de cooperação com Cuba apesar das críticas

Kaja Kallas defende o acordo UE-Cuba, ressaltando que facilita o diálogo sobre questões sensíveis, como os prisioneiros políticos. Ela responde a críticas e esclarece que não financiam o regime cubano, mas sim projetos com ONGs.


A alta representante da União Europeia para Assuntos Estrangeiros e Segurança, Kaja Kallas, defendeu nesta terça-feira no Parlamento Europeu a continuidade do acordo de diálogo político e cooperação com o regime cubano, apesar das denúncias de violações de direitos humanos e dos apelos pela sua suspensão.

Durante um debate realizado no dia 6 de maio em Estrasburgo, Kallas rejeitou os argumentos de eurodeputados conservadores e de extrema direita que defendem a ativação da cláusula de salvaguarda do acordo vigente desde 2016. “Não tínhamos o acordo antes de 2016 e também não havia democracia. Portanto, não faz diferença se há um acordo ou não”, afirmou.

Kallas afirmou que o pacto por si só não garante uma mudança democrática na ilha, mas fornece um marco de diálogo necessário para abordar questões sensíveis como a situação dos presos políticos. Em referência aos opositores encarcerados, José Daniel Ferrer e Félix Navarro, questionou: “Suspender o acordo vai liberar Daniel Ferrer e Félix Navarro? Acredito que todos sabemos a resposta”.

A chefe da diplomacia europeia também se questionou se a União pode limitar sua interlocução apenas a democracias consolidadas: “Temos a possibilidade de interagir somente com democracias perfeitas? Pois não a temos. E por isso também temos esses diálogos, para discutir precisamente esses assuntos tão difíceis.”

Ante acusações sobre um suposto financiamento ao governo cubano, Kallas respondeu: “Nós não apoiamos o regime. Não estamos canalizando nossos fundos através do governo cubano. Temos parceiros em Cuba, projetos europeus com agências das Nações Unidas e ONGs. O que apoiamos é a transição ecológica e a modernização da economia.”

As declarações de Kallas ocorreram em meio a crescentes pressões por parte da sociedade civil cubana e de membros do Parlamento Europeu para suspender o acordo com Havana.

No dia 4 de maio, coletivos feministas independentes pediram à UE que ativasse a cláusula de suspensão do acordo. Em uma carta pública, afirmaram: “O país morre e definha”, e destacaram que “o governo cubano acabou de revogar a licença extrapenal de José Daniel Ferrer e Félix Navarro, duas pessoas íntegra, que não estão dispostas a se submeter ao poder arbitrário”.

Días antes, o Parlamento Europeu havia expressado a sua “profunda preocupação” pelos encarceramentos de ambos os opositores e exigiu a sua liberação imediata. No comunicado, também denunciou a utilização de menores em atos de repúdio organizados pelo regime.

Além disso, no dia 4 de abril, o Eurocâmara aprovou uma emenda ao seu relatório anual de política externa na qual classificou as brigadas médicas cubanas como uma forma de “escravidão moderna”, sublinhando que se trata de um mecanismo de exploração que viola os direitos fundamentais dos profissionais cubanos.

Kallas reconheceu que o acordo “ainda não produziu o tipo de câmbio que desejamos”, embora tenha mencionado alguns avanços, como as “disposições progressistas na Constituição de 2019”, a aprovação de uma nova lei de família e o crescimento do setor privado.

Também alertou sobre o contexto geopolítico atual, lembrando que o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, participará no dia 9 de maio das celebrações do Dia da Vitória em Moscou. “Cuba mantém laços históricos com a Rússia”, destacou, embora tenha sublinhado que “se absteve em seis votações da ONU sobre a agressão russa na Ucrânia”.

A questão hoje é como nos comprometemos com Cuba. Devemos fazê-lo com base em nossos valores e interesses”, afirmou. “O acordo continua a ser a melhor oportunidade da União Europeia para promover nossos valores, defender nossos interesses e apoiar as reformas”.

Perguntas frequentes sobre o acordo de cooperação entre a União Europeia e Cuba

Por que a União Europeia defende o acordo de cooperação com Cuba, apesar das críticas?

A União Europeia sustenta que o acordo fornece uma estrutura de diálogo necessária para abordar questões como os direitos humanos e a situação dos presos políticos em Cuba. Embora o acordo não garanta uma mudança democrática, considera-se crucial para o comprometimento e a promoção de reformas na ilha.

O que os coletivos feministas cubanos solicitaram à União Europeia em relação ao acordo com Cuba?

Os coletivos feministas independentes cubanos pediram à União Europeia que ative a cláusula de suspensão do acordo de cooperação com Cuba. Argumentam que o regime cubano viola sistematicamente os direitos humanos e carece de uma Lei Integral de violência de gênero, o que afeta gravemente as mulheres na ilha.

Como a União Europeia responde às acusações de financiar o governo cubano?

A União Europeia nega estar financiando diretamente o regime cubano. Em vez disso, afirma que seus fundos são canalizados através de agências da ONU e ONGs para apoiar projetos como a transição ecológica e a modernização econômica, evitando que os recursos passem pelo governo cubano.

Qual é a postura do Parlamento Europeu em relação ao encarceramento de opositores cubanos como José Daniel Ferrer e Félix Navarro?

O Parlamento Europeu expressou sua profunda preocupação pelo encarceramento dos opositores cubanos José Daniel Ferrer e Félix Navarro. Exige sua liberação imediata e incondicional e denuncia o uso de menores em atos de repúdio organizados pelo regime cubano.

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