Mais de 900 acidentes de trabalho em Cuba em 2024: Uma morte a cada semana

Embora haja menos acidentes, os que ocorrem são mais letais. Santiago de Cuba é a província com mais mortes: nove trabalhadores faleceram.

Trabalhadores da construção de Cuba, setor onde ocorreram oito falecidosFoto © Facebook / Ministério da Construção de Cuba

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Apesar da diminuição no número de acidentes de trabalho reportados em Cuba durante 2024, a cifra de mortes no trabalho não variou: 52 pessoas perderam a vida no ano, mantendo assim a alarmante estatística de uma morte por semana.

Segundo o mais recente relatório da Oficina Nacional de Estatísticas e Informação (ONEI), o número total de acidentes foi reduzido em 37,7 % em relação ao ano anterior, passando de 1.498 para 934.

Mais que um alívio, os dados oficiais revelam uma tendência preocupante: embora haja menos acidentes, os que ocorrem tendem a ser mais letais.

O coeficiente de falecidos por cada 1.000 feridos aumentou em quase 60%, passando de 33,7 em 2023 para 53,3 em 2024. O número revela um contexto laboral mais perigoso e um sistema de proteção incapaz de atenuar o impacto dos acidentes quando ocorrem.

Setores vulneráveis e regiões críticas

O relatório detalha que os setores mais impactados pelos acidentes foram o de saúde pública e assistência social, com 165 incidentes e 169 feridos. Em segundo lugar está a indústria de transformação, com 141 eventos e 156 afetados.

Em relação à mortalidade, o setor da construção lidera com oito óbitos, seguido pelo fornecimento de eletricidade, gás e água e agricultura e silvicultura, com sete mortes cada um.

No mapa das províncias, Havana continua sendo o epicentro dos acidentes de trabalho. Concentra 34,6% dos acidentes do país (324 ao todo), com um saldo de 341 feridos e oito falecidos.

No entanto, Santiago de Cuba é a província com o maior número de mortes: nove trabalhadores perderam a vida lá em 2024.

Holguín vem a seguir La Habana em termos de número de acidentes (131), com 133 feridos e quatro mortes.

Sancti Spíritus, embora figure nos dados oficiais como a única província sem falecidos, foi cenário da trágica morte de Alexei Díaz Salas, um trabalhador de uma planta de asfalto que faleceu após um incêndio na fábrica ocorrido em 24 de dezembro. Seu óbito ocorreu 11 dias depois, em 4 de janeiro deste ano.

Não está claro se o relatório da ONEI inclui as mortes dos dois técnicos turcos que faleceram após um incêndio em uma patana vinculada ao hospital Hermanos Ameijeiras.

Desproteção estrutural

O número de trabalhadores acidentados também registrou uma queda: caiu 36,9%, passando de 1.545 em 2023 para 975 em 2024.

A análise por sexo revela outra constante: os homens são a maioria entre os feridos, representando 69,1% em comparação a 30,9% de mulheres. Mas, além dos números de gênero, o que se destaca é a profunda precariedade estrutural que se vive em múltiplos setores econômicos cubanos.

Trabalhadores com mínima ou nenhuma proteção diante de riscos evidentes, falta de equipamentos de segurança, infraestruturas deterioradas e condições de trabalho degradantes tornam o acidente um risco cotidiano.

Em muitos casos, não se trata de eventos fortuitos, mas de consequências previsíveis em um sistema deteriorado, onde se trabalha entre a escassez de materiais e a urgência da produção.

A outra face da crise: ausência de respostas estatais

Embora os números oficiais mostrem uma suposta eficiência na redução de acidentes, a persistência de mortes no trabalho revela uma crise de segurança laboral que não melhora.

A taxa de mortalidade não diminui, além da falta de informação clara e atualizada.

Especialistas concordam que é necessária uma revisão urgente dos protocolos de segurança no trabalho, um investimento contínuo em meios de proteção e, acima de tudo, um compromisso real do Estado cubano com a vida e o bem-estar de seus trabalhadores.

Enquanto isso, no cenário cotidiano, a cada semana um trabalhador morre em seu posto, deixando para trás uma família despedaçada e uma indústria que não dá respostas.

Perguntas frequentes sobre acidentes de trabalho em Cuba

Quantos acidentes de trabalho foram relatados em Cuba em 2024?

Em 2024, foram registrados 934 acidentes de trabalho em Cuba, o que representa uma diminuição de 37,7% em comparação ao ano anterior, quando ocorreram 1.498 acidentes. No entanto, a taxa de mortalidade não se reduziu, o que indica um contexto laboral mais perigoso.

Quantas mortes laborais ocorreram em Cuba em 2024?

Em 2024, um total de 52 pessoas morreram em acidentes de trabalho em Cuba, mantendo a alarmante estatística de uma morte por semana. Esse dado revela a incapacidade do sistema de proteção para amenizar o impacto dos acidentes quando ocorrem.

Quais são os setores mais perigosos para trabalhar em Cuba?

Os setores mais perigosos para trabalhar em Cuba são a construção, o fornecimento de eletricidade, gás e água, e a agricultura e silvicultura. Em 2024, o setor da construção liderou em mortes, com oito falecidos, seguido pelos outros dois setores, com sete mortes cada um.

Quais províncias cubanas registraram mais acidentes de trabalho?

La Havana foi a província com mais acidentes de trabalho, concentrando 34,6% dos incidentes do país, seguida por Holguín com 131 acidentes. No entanto, Santiago de Cuba registrou o maior número de mortes laborais, com nove falecidos em 2024.

Quais medidas são necessárias para melhorar a segurança no trabalho em Cuba?

Para melhorar a segurança do trabalho em Cuba, é necessária uma revisão urgente dos protocolos de segurança, um investimento contínuo em meios de proteção e um compromisso real do Estado cubano com a vida e o bem-estar de seus trabalhadores. A falta de informação clara e atualizada também é um problema que deve ser enfrentado.

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