A solo horas de sua chegada aos Estados Unidos, a ativista cubana Amelia Calzadilla fez sua primeira visita em Miami a Eliannis Ramírez, mãe de Damir Ortiz, o menino cubano falecido no dia 5 de abril após anos doente.
O encontro, carregado de emoção, foi relatado por Calzadilla em uma entrevista com CiberCuba.
"A primeira visita que fiz neste país foi precisamente a Diasniurka e a Eliannis, eu fui direto vê-las", disse, e acrescentou que Eliannis está devastada.
"Não há palavras para descrever como se sente", sublinhou.
Um abraço em meio à dor
Amélia quis transmitir pessoalmente à mãe do menino o apoio do povo cubano, dentro e fora da Ilha. "Eu a abracei e disse: 'Acredite, há muitas pessoas que a têm em suas orações e pensamentos'", comentou.
Apesar da profunda dor, Calzadilla destacou a firmeza de Eliannis. "Ela é uma mulher muito forte, fiquei impressionado ao vê-la passar por tudo isso e ter a capacidade de falar comigo, de dizer como se sentia", precisou.
A ativista comentou que Eliannis não tem sentimentos de culpa, no entanto, sente que lhe faltaram coisas a fazer para salvar a vida do filho.
"E é exatamente o oposto: fez muito mais do que muitos pais fizeram", afirmou Amelia, lembrando os riscos, a pressão e a luta que essa mãe corajosa enfrentou em Cuba para que seu filho tivesse o atendimento médico adequado.
"Não há palavras que possam consolar a maneira como ela se sente, apenas o tempo pode equilibrar suas emoções. Mas, mesmo assim, eu precisava dizer a ela o que nosso povo sente. Há muita manipulação e ela precisa sentir que o povo a ama", ressaltou.
A despedida a Damir
A comunidade cubana no exílio poderá se despedir de Damir neste domingo 20 de abril, na funerária Caballero Rivero de Hialeah, entre as 18:00 e as 22:00.
Suas cinzas permanecerão em Miami, cidade onde Eliannis solicitou asilo político por medo de represálias após suas denúncias públicas sobre a assistência médica em Cuba.
Calzadilla pediu àqueles que comparecerem ao funeral que compreendam o estado emocional de Eliannis: "Ela está muito agradecida, mas não está estável para enfrentar essa situação, é uma situação que a supera", garantiu.
Uma morte que denunciou um sistema colapsado
O caso de Damir, diagnosticado desde os dois anos com neurofibromatose tipo 1, tornou-se um símbolo da crise sanitária em Cuba.
O menor sofreu múltiplas complicações que se agravaram após contrair uma bactéria resistente. Segundo médicos que o atenderam em Miami, ele não morreu por sua doença de base, mas pela infecção severa e pela falta de acesso a antibióticos na Ilha.
Foi transferido em estado crítico para Miami no dia 12 de março, após uma intensa campanha de arrecadação liderada por sua mãe e apoiada por ativistas como Diasniurka Salcedo Verdecia.
Mas, apesar dos esforços médicos, faleceu semanas depois no Nicklaus Children’s Hospital.
Uma visita sem fins políticos
Amelia Calzadilla esclareceu que sua viagem aos Estados Unidos não tem motivações políticas nem permanentes. Foi apenas para acompanhar Eliannis e Diasniurka Salcedo na despedida de Damir neste domingo.
"Vim sozinha, por poucos dias, e retorno a Madrid com minha família", explicou anteriormente. Desde a Espanha, acompanhou de perto o caso de Damir, compartilhando transmissões ao vivo e mensagens de apoio.
Sobre os rumores nas redes sociais a respeito de sua visita, ele deixou claro que não recebeu nenhum tipo de financiamento externo nem apoio institucional para custear sua passagem.
"Os trabalhadores normais no mundo moderno podem custear suas férias com o resultado de seus modestos esforços", apontou.
Perguntas frequentes sobre o caso de Damir Ortiz e a viagem de Amelia Calzadilla
Qual foi o motivo da viagem de Amelia Calzadilla a Miami?
O motivo principal da viagem de Amelia Calzadilla a Miami foi acompanhar Eliannis Ramírez, mãe do menino Damir Ortiz, na despedida de seu filho que faleceu após uma batalha contra uma infecção severa. Calzadilla deixou claro que sua viagem não tem fins políticos nem pretende ficar nos Estados Unidos.
Por que o caso de Damir Ortiz é significativo no contexto cubano?
O caso de Damir Ortiz se tornou um símbolo da crise do sistema de saúde cubano. Damir, diagnosticado com neurofibromatose tipo 1, faleceu devido a uma sepse severa causada por bactérias resistentes, evidenciando as carências e negligências do sistema de saúde em Cuba. Sua mãe, Eliannis Ramírez, denunciou publicamente esses problemas, o que gerou uma grande mobilização social e solidariedade dentro e fora da ilha.
Como reagiu Eliannis Ramírez após a morte de seu filho Damir?
Eliannis Ramírez, mãe de Damir, compartilhou mensagens profundamente emocionais nas redes sociais, expressando sua dor e vazio após a perda de seu filho. Ela solicitou asilo político nos Estados Unidos, temendo represálias por suas denúncias contra o sistema de saúde cubano. As cinzas de Damir permanecerão em Miami, onde a comunidade cubana no exílio poderá prestar-lhe homenagem.
Qual foi o impacto da campanha de arrecadação de fundos para Damir Ortiz?
A campanha de arrecadação de fundos foi crucial para levar Damir aos Estados Unidos e oferecer-lhe o tratamento médico especializado que não podia receber em Cuba. Esta mobilização foi impulsionada pela sociedade civil cubana, ativistas e médicos, que lutaram contra as barreiras burocráticas e conseguiram que Damir fosse atendido no Nicklaus Children's Hospital de Miami.
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