Violência contra a mulher em Cuba: Assassinato de enfermeira no bairro Guiteras em Havana

Odalys Bataille, de 53 anos e mãe de dois jovens, foi assassinada na manhã desta segunda-feira em sua casa, na rua 15 do bairro Guiteras (Baía), no município de Habana del Este.

Odalys Bataille foi assassinada em sua casa, em Havana do LesteFoto © Facebook/Lara Crofs

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O assassinato de uma enfermeira na localidade Antonio Guiteras (Bahía) no leste de Havana chocou nesta segunda-feira a comunidade e aponta para mais um caso de feminicídio no país, conforme denunciaram fontes próximas à vítima.

Odalys Bataille, de 53 anos e mãe de dois jovens, foi assassinada nas primeiras horas da manhã em sua casa, na rua 15 do bairro localizado no município Habana del Este, reportou a ativista Yamilka Lafita -conhecida nas redes como Lara Crofs-, com base em informações fornecidas por vizinhos da mulher.

Captura do Facebook/Lara Crofs

“Odalys saía de casa nas primeiras horas da manhã, quando o perpetrador se aproximou e a esfaqueou várias vezes”, na frente do esposo e de outros familiares, informou Lafita. Segundo algumas pessoas em publicações no Facebook, no momento do trágico ocorrido, a vítima estava acompanhada, além de seu parceiro, por sua irmã e cunhado.

O suposto criminoso se chama Plana, tem cerca de 60 anos e cumpre pena pelos assassinatos de sua ex-esposa e da parceiro dela, precisou Lafita. Ele estava em permissão da prisão e fugiu após o crime, embora alguns tenham afirmado que ele já se entregou à polícia.

Captura de Facebook/Reparto Bahia / Antonio Guiteras / Havana do Este

Bataille era enfermeira de profissão e “muito querida e respeitada no bairro”, sublinhou a ativista. Ela tinha duas filhas, de 23 e 24 anos.

Não foi revelado qual era a relação entre o assassino e sua vítima, embora muitas pessoas concordem que o fato deve ser considerado um feminicídio, por se tratar de um evento de violência extrema contra uma mulher e sendo o segundo crime da mesma natureza cometido pelo agressor.

O regime cubano não reconhece a existência do feminicídio no país, um crime que não está tipificado como delito no Código Penal vigente. No entanto, as autoridades tiveram que reconhecer o aumento da violência machista contra as mulheres, e dos crimes por tal causa nos últimos anos.

As plataformas feministas independentes Alas Tensas e Yo Sí Te Creo en Cuba têm se encarregado desde 2019 de manter um sub-registro de feminicídios reportados na ilha.

Neste ano, foram verificados sete casos e estão investigando três alertas, em Artemisa, Matanzas e Santiago de Cuba.

O assassinato da enfermeira cubana denunciado nesta segunda-feira não havia sido corroborado pelas plataformas independentes, até o momento da publicação desta nota.

Perguntas frequentes sobre feminicídios em Cuba

O que aconteceu com a enfermeira assassinada no bairro Guiteras de Havana?

Odalys Bataille, uma enfermeira de 53 anos, foi esfaqueada em sua residência no bairro Antonio Guiteras, Havana, por um homem que cumpria pena por assassinatos anteriores. Este crime é considerado por muitos como um feminicídio.

Está o feminicídio tipificado como delito em Cuba?

Não, o feminicídio não está tipificado como crime no Código Penal cubano. Apesar disso, plataformas feministas como Alas Tensas e YoSíTeCreo em Cuba fazem esforços para visibilizar e registrar esses crimes, embora enfrentem dificuldades devido à falta de reconhecimento oficial.

Que papel desempenham as plataformas feministas em Cuba?

Plataformas feministas como Alas Tensas e YoSíTeCreo em Cuba desempenham um papel crucial no registro de feminicídios e violência de gênero na ilha. Essas organizações documentam casos e emitem alertas sobre novos incidentes, uma vez que o governo cubano não fornece estatísticas transparentes nem reconhece formalmente esses delitos.

Quantos feminicídios foram confirmados em Cuba em 2025?

Até março de 2025, foram verificados sete casos de feminicídio em Cuba, segundo as plataformas feministas Alas Tensas e YoSíTeCreo em Cuba. Além disso, estão sendo investigados três alertas adicionais em Artemisa, Matanzas e Santiago de Cuba.

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