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Como parte do Exercício Nacional de Prevenção e Enfrentamento ao Crime, à Corrupção, às Ilegalidades e às Indisciplinas Sociais, que se inicia nesta segunda-feira em Cuba, o regime prometeu aplicar julgamentos exemplares contra aqueles que cometem crimes considerados graves, especialmente aqueles ocorridos dentro de instituições estatais.
Durante a abertura oficial do operativo, na sede do Comitê Central do Partido Comunista, o governante Miguel Díaz-Canel assegurou que os casos de violência, vandalismo e dano econômico deverão ser enfrentados “com total severidade” e pediu que as respostas judiciais sejam “contundentes”, reportou o jornal oficialista Granma.
Entre os delitos citados pelo governante estão o roubo de cabos elétricos em máquinas de irrigação, os apedrejamentos a lojas e ônibus, e atos de corrupção, todos os quais —disse— devem ser objeto de processos penais que sirvam como advertência.
Embora não tenham sido oferecidos números nem detalhes sobre os casos a serem julgados, as autoridades deixaram claro que buscam transmitir uma mensagem de disciplina e controle social, utilizando o aparato judicial como ferramenta exemplar.
O exercício se estenderá até 29 de março e mobiliza estruturas do Ministério do Interior, do Governo, do Partido, das organizações de massa e dos meios oficiais.
Julio César García Rodríguez, funcionário do Comitê Central, explicou que o principal objetivo é reforçar o papel do Estado e suas instituições no enfrentamento a crimes, ilegalidades e condutas "nocivas" para a ordem interna.
Além dos julgamentos, serão desplegadas ações como a revisão de contratos entre empresas estatais e formas de gestão não estatal, operações contra drogas, inspeções urbanísticas e controles sobre preços abusivos.
No entanto, a ênfase em ações punitivas e na judicialização de conflitos sociais reforça a linha de endurecimento que as autoridades têm adotado no contexto atual de crise econômica e crescente descontentamento popular.
Nesse contexto, o Governo de Havana tem compartilhado nas redes sociais várias publicações que se vangloriaram dessas ações “contundentes”; no entanto, ao mesmo tempo em que o regime exibe o fortalecimento de sua luta contra a criminalidade, também projeta uma mensagem implícita: o aumento dos delitos e a crescente conflitualidade social em Cuba.
No município Playa, as autoridades realizaram –segundo a fonte– uma operação contínua para combater o tráfico e consumo de estupefacientes, como parte de uma estratégia integral de segurança promovida pelo Governo.
O objetivo, conforme informaram em redes sociais, é reforçar o controle em áreas-chave do território e garantir maior proteção à cidadania, que sob o princípio de “tolerância zero”, têm intensificado as operações policiais, os controles em pontos estratégicos e as atividades de inteligência, com o propósito de desarticular redes criminosas dedicadas à venda ilegal de drogas.
Nos primeiros meses de 2025, a violência e a insegurança em Cuba mostraram uma preocupante escalada, refletida em numerosos atos delituosos que geraram alarme social.
Um dos casos mais recentes ocorreu em Moa, Holguín, onde um jovem foi preso após arrancar um celular de uma menina no meio da rua, evidenciando a crescente vulnerabilidade dos menores diante dos roubos com violência.
Días antes, na província de Matanzas, um cidadão foi detido por portar uma espingarda não registrada em seu veículo, no contexto de uma operação da polícia local. O fato, somado a outros similares, reforçou os alertas sobre o aumento de armas ilegais em circulação e motivou que o regime aprovasse um novo decreto para endurecer o controle sobre armamento e munições.
Em paralelo, o clima de insegurança se refletiu na capital. Uma violenta briga na La Cuevita, Havana eclodiu após uma suposta fraude no conhecido mercado informal. O incidente foi gravado e divulgado nas redes sociais, onde cidadãos denunciaram a deterioração social e a falta de uma resposta policial eficaz diante desses surtos de violência cotidiana.
Este padrão não é novo. Já em janeiro, um grupo de delinquentes invadiu um agromercado em Boyeros, onde sete indivíduos neutralizaram o custódio e roubaram produtos alimentícios. A polícia conseguiu capturar os envolvidos, mas o fato gerou grande preocupação entre os residentes pela frequência com que esses assaltos ocorrem, mesmo em áreas urbanas com presença estatal.
Perguntas frequentes sobre os julgamentos exemplares e a situação atual em Cuba
O que são os juízos exemplares em Cuba?
Os julgamentos exemplares em Cuba são processos judiciais que buscam desestimular a prática de delitos por meio da severidade nas sentenças. Esses julgamentos não apenas punem os culpados, mas também pretendem educar a população sobre as consequências de cometer delitos, sendo amplamente divulgados pelos meios oficiais.
Quais delitos estão sendo abordados no Exercício Nacional de Prevenção em Cuba?
O Exercício Nacional de Prevenção em Cuba aborda crimes como o tráfico de drogas, a corrupção, o roubo de cabos elétricos e o vandalismo. O regime enfatizou a necessidade de aplicar penas exemplares para esses crimes, especialmente aqueles cometidos dentro de instituições estatais, com o objetivo de reforçar a disciplina e o controle social.
Quais são as consequências dos julgamentos exemplares para os acusados?
As consequências dos julgamentos exemplares para os acusados em Cuba podem ser muito severas, incluindo longas penas de prisão, prisão perpétua e, em casos relacionados ao tráfico de drogas, até mesmo a pena de morte. Além disso, podem enfrentar a confisc ação de bens e a proibição de exercer certas profissões.
Como a política de controle estatal está afetando a economia privada em Cuba?
A política de controle estatal em Cuba está afetando negativamente a economia privada, com medidas que incluem inspeções e restrições às empresas privadas. O regime busca "ordenar" as relações entre o setor estatal e não estatal, mas essa abordagem tem sido criticada por limitar o crescimento econômico e aumentar a desconfiança em relação ao governo.
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