Visita do Secretário de Defesa dos EUA a Guantánamo coincide com a chegada de novos imigrantes à Base

"Esses guerreiros estão apoiando diretamente a apreensão e deportação de estrangeiros ilegais perigosos", publicou na rede social X.


O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, visitou nesta terça-feira a Base Naval da baía de Guantánamo, onde já havia servido no início dos anos 2000.

Hegseth explicou em suas redes sociais que sua visita teve como propósito receber informações sobre os esforços militares em apoio à estratégia de deportação em massa do governo de Donald Trump.

A sua presença na Base coincidiu com a chegada de imigrantes, conforme precisou o próprio Hegseth no X.

Dos funcionarios de defesa dos EUA informaram sob condição de anonimato à Voz de América que um avião militar C-130 com nove imigrantes indocumentados aterrissou na Base ao meio-dia de terça-feira, proveniente de Fort Bliss, no Texas.

A fonte citada indicou que aqueles que chegaram são considerados "estrangeiros ilegais de alta ameaça".

Hegseth, em sua visita, percorreu tanto o centro de detenção quanto as instalações destinadas à gestão de imigrantes.

"Estes guerreiros estão apoiando diretamente a apreensão e deportação de estrangeiros ilegais perigosos", publicou nas redes.

"É uma parada temporária crítica no processamento desses perigosos imigrantes ilegais para sua eventual expulsão", acrescentou em outra publicação.

A subsecretária de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, também informou sobre a visita através de um vídeo que mostra as instalações onde estão alojados imigrantes classificados como "estrangeiros ilegais de baixa e média prioridade" antes de sua deportação.

Sem informações sobre a identidade dos detidos

O voo desta terça-feira representa o segundo traslado de detidos para Guantánamo desde o território continental dos EUA em menos de uma semana.

Estes novos detidos se somam a outros 17 imigrantes que foram enviados de Fort Bliss para a base de Guantánamo no domingo.

Um dos oficiais mencionados por La Voz de América indicou que foram transferidos imediatamente para o centro de detenção, onde permanecem sob vigilância.

Um terceiro funcionário revelou que um voo adicional com mais migrantes está programado, tentativamente, para esta quarta-feira.

El jueves passado, ICE deportou 177 detidos que estavam na base desde o início da semana.

De eles, mais de 120 eram considerados criminosos perigosos, incluindo membros do Tren de Aragua, uma gangue venezuelana que os EUA catalogaram como organização terrorista estrangeira.

Os outros 50 indivíduos estavam recluídos no centro de operações para migrantes, um espaço projetado para abrigar imigrantes não violentos antes de sua deportação.

Até o momento, nem o Departamento de Segurança Nacional (DHS) nem o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) revelaram informações sobre a identidade, nacionalidade ou possíveis delitos dos imigrantes detidos.

No entanto, a transferência desses indivíduos para Guantánamo faz parte de uma estratégia que tem sido severamente criticada por grupos de direitos humanos e organizações de defesa de imigrantes.

Desde que a administração de Trump implementou sua nova política migratória, a Base se tornou um ponto chave para a detenção temporária de imigrantes antes de sua deportação final.

No início do mês, a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e outras organizações apresentaram uma ação contra o DHS, alegando que aos detidos em Guantánamo havia sido negado o acesso a advogados antes de serem deportados.

O DHS rejeitou essas acusações, afirmando que o processo de deportação está em conformidade com os padrões legais.

No entanto, a preocupação persiste entre ativistas e defensores dos direitos dos imigrantes, que argumentam que a falta de transparência e a localização remota de Guantánamo dificultam a supervisão e o acesso à justiça para os detidos.

Ampliação da capacidade de Guantánamo

O Comando Sul dos EUA, que supervisiona as operações em Guantánamo, comunicou recentemente ao Congresso que a base tem capacidade para abrigar até 2.500 detidos não violentos, mas que esforços estão sendo feitos para expandir esse número para 30.000.

A ordem executiva do presidente Trump impulsionou o deslocamento de centenas de fuzileiros navais na base com o objetivo de acelerar a ampliação das instalações.

A administração Trump, ao retornar ao poder no dia 20 de janeiro, ordenou a habilitação de 30.000 camas para deslocar "os piores imigrantes ilegais criminosos que são uma ameaça para o povo americano".

Desde 4 de fevereiro, os EUA têm transferido migrantes, na sua maioria venezuelanos, para a base naval.

Apesar dos planos de ampliação, fontes da CNN informaram recentemente que a Administração Trump decidiu interromper temporariamente a construção de tendas para abrigar os 30.000 migrantes inicialmente previstos.

Segundo essas fontes, a infraestrutura não atende aos padrões de detenção e não houve imigrantes suficientes para justificar a construção de novas instalações.

A Base Naval de Guantánamo tem sido, há décadas, um centro de detenção controverso.

Em 2002, o governo de George W. Bush estabeleceu na base uma prisão para suspeitos de terrorismo no âmbito da "Guerra ao Terror" após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Ao longo dos anos, cerca de 780 prisioneiros passaram pelas instalações. Atualmente, restam apenas 15 detidos, dos quais dois foram condenados.

O uso da base para reter imigrantes ilegais marca um novo capítulo em sua história.

Perguntas frequentes sobre a visita do Secretário de Defesa a Guantánamo e a chegada de imigrantes

Qual foi o motivo da visita do Secretário de Defesa dos EUA a Guantánamo?

O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, visitou Guantánamo para receber informações sobre os esforços militares em apoio à estratégia de deportação em massa do governo de Donald Trump. Além disso, sua visita coincidiu com a chegada de novos imigrantes à base, o que lhe permitiu observar diretamente as operações de detenção e deportação. Hegseth também supervisionou as instalações e conversou com agentes do ICE e fuzileiros navais que operam no Centro de Operações Migratórias.

Que tipo de imigrantes estão sendo transferidos para a Base Naval de Guantánamo?

Os imigrantes transferidos para Guantánamo são considerados "estrangeiros ilegais de alta ameaça" e muitos têm antecedentes criminais graves. Entre eles estão membros da gangue Tren de Aragua, que são classificados como perigosos pelas autoridades americanas. Esta medida faz parte de uma estratégia para gerenciar de forma mais eficaz a crise migratória e deter aqueles acusados de crimes graves.

Qual é a capacidade atual e futura da Base de Guantánamo para abrigar imigrantes?

Atualmente, a Base de Guantánamo pode abrigar até 2.500 detidos não violentos, mas estão sendo feitos esforços para ampliar essa capacidade para 30.000. Este aumento é parte de uma ordem executiva do presidente Trump, que tem impulsionado o deslocamento de fuzileiros navais e a construção de novas instalações para acomodar mais imigrantes, especialmente aqueles que representam uma ameaça significativa à segurança dos Estados Unidos.

Quais críticas foram geradas pelo uso de Guantánamo como centro de detenção para imigrantes?

O uso de Guantánamo para deter imigrantes tem sido severamente criticado por grupos de direitos humanos e organizações de defesa dos imigrantes. As principais preocupações incluem a falta de transparência, o acesso limitado a advogados e a localização remota da base, o que dificulta a supervisão e o acesso à justiça para os detidos. Além disso, o governo cubano rejeitou essa decisão, qualificando-a de "brutalidade".

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