
O diretor do Centro de Estudos Convivência (CEC), Dagoberto Valdés Hernández, denunciou nesta terça-feira o assédio da Segurança do Estado (SE) do regime cubano contra sua organização.
Segundo um comunicado assinado pelo intelectual cubano e publicado pelo CEC no Facebook, na noite do dia 30 de abril, na entrada da rodovia de Pinar del Río, a polícia política e vários agentes do regime interceptaram o carro onde viajavam Valdés e Yoandy Izquierdo.
O acadêmico apontou que a todos os ocupantes do carro foram retirados os documentos e eles foram levados a uma delegacia de polícia, sob o pretexto de uma verificação dos documentos de identidade.
Segundo a denúncia, interrogaram o motorista que os levou a Havana e questionaram os motivos da viagem e os locais que frequentaram.
Além disso, a publicação destaca que a polícia política informou a Valdés que o havia detido porque "queriam esclarecer uma informação e não podiam esperar pela reunião", referindo-se a um encontro que o intelectual teria no dia primeiro de maio.
“O tenente-coronel perguntou se conhecia Ibrahim Bosch, presidente do Partido Republicano de Cuba, residente em Miami. Segundo o oficial, Bosch é um notório terrorista que convocou a realizar atos violentos dentro de Cuba durante as celebrações do primeiro de maio e que havia afirmado contar com Dagoberto em Pinar del Río”, detalhou o comunicado.
Valdés negou conhecer essa pessoa, afirmando que “por seus princípios religiosos e pela história de sua vida, é absolutamente contra não apenas o terrorismo, mas o mais mínimo ato de violência”.
Os oficiais acharam muito suspeita uma série de "coincidências": a convocação de Bosch, a viagem a Havana justo antes do primeiro de maio, além da coluna da segunda-feira que tratava sobre o dia dos trabalhadores, destacou a denúncia do CEC.
Em seguida, a polícia do regime deixou bem claro que “a detenção no meio da autoestrada à noite e a nossa condução a uma estação de polícia não condizem com o objetivo do interrogatório para o qual já estava convocado”.
Por último, segundo o comunicado, naquela noite Izquierdo estava sentado sozinho em um banco, no salão, separado do motorista e sem poder falar entre eles. Quando terminaram com Valdés, devolveram os documentos de identidade, os celulares e os deixaram continuar a viagem.
De acordo com o portal de notícias ADN Cuba, anteriormente, o diretor do CEC denunciou que recebeu uma ligação telefônica do Major Ernesto, da SE do regime, e que estava convocado "para amanhã, 1º de maio de 2024, às 8h, nas Oficinas de Imigração em Pinar del Río".
Por sua oposição política ao regime autoritário cubano e seu trabalho intelectual e social, Dagoberto Valdés, residente na cidade ocidental de Pinar del Río, sofre constantemente com o assédio da Segurança do Estado, incluindo detenções arbitrárias e marginalização oficial, ressaltou o site de notícias.
Como parte desse assédio do regime, o ativista católico já foi questionado pela polícia política.
Em 2023, por exemplo, Valdés foi convocado pela SE de Pinar del Río para um interrogatório.
"Disseram-me que se tratava de fazer uma advertência oficial porque o jornalista dinamarquês Øjvind Kyrø, que me entrevistou há mais de 15 anos na Vitral e que passou pela minha casa há dois meses, estava organizando algumas sessões com 16 pessoas para conhecer mais sobre Cuba", explicou o ativista ao sair da estação de polícia.
Arquivado em: