Funcionária do MINREX justifica repressão policial contra jornalistas independentes em Cuba

Diante da resposta da funcionária do MINREX, muitos jornalistas têm solicitado nas redes sociais sua expulsão dessa instituição.

Johana Tablada de la TorreFoto © Yoani Sánchez/Facebook

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A subdiretora cubana do MINREX para os Estados Unidos, Johana Tablada de la Torre, justificou a repressão na Ilha contra jornalistas com base nos supostos fundos que recebem de governos estrangeiros para realizar seu trabalho.

"Em Cuba e no mundo todo, é ilegal e punido receber fundos de um governo estrangeiro que atenta contra um país soberano", disse a funcionária em sua conta oficial no Twitter.

"Estados Unidos aprovou apenas em 2019, 20 milhões, uma parte dos quais é destinada a assalariados contratados como 'oposição' na embaixada americana", acrescentou.

As palavras de Tablada de la Torre chegam como resposta ao empreendedor cubano Camilo Condis, que questionou na citada rede social o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla quando falou sobre atos de barbárie, repressão e violações dos Direitos Humanos por parte dos Estados Unidos.

"Se quer falar sobre violações dos Direitos Humanos, se quer falar sobre ações ilícitas, sobre atentar contra nossa ordem constitucional e sobre violações das leis cubanas, fale sobre como impedem uma mulher de sair de sua própria casa e de seu país", disse Condis.

Diante da resposta da funcionária do MINREX ao Condis, muitos jornalistas têm reclamado nas redes sociais, e alguns chegaram a solicitar sua expulsão dessa instituição.

"Estamos pedindo a renúncia imediata de Johana Tablada, subdiretora para os Estados Unidos no Ministério das Relações Exteriores de Cuba. A funcionária, cujo salário pagamos todos nós com nosso próprio dinheiro, justificou a prisão domiciliar da jornalista do 14ymedio, Luz Escobar", disse a jornalista Yoani Sánchez.

Tablada afirma que a repórter independente está entre aqueles que recebem fundos dos EUA, embora não apresente nenhuma prova que respalde sua acusação. Como Escobar não foi julgada em um tribunal e não está sendo processada sob o atual Código Penal, as palavras da funcionária são um ato de difamação e uma violação do código ético e de conduta que deve prevalecer no comportamento de um diplomata e de qualquer representante ou funcionário", acrescentou a jornalista.

Neste mês, à jornalista cubana Luz Escobar foi proibidosair de sua casa em Havana com suas filhas menores em três ocasiões, sem qualquer justificativa.

No dia 15 de novembro passado, vários jornalistas independentes e ativistas cubanos foram sitiados em suas casas por agentes da Segurança do Estado para impedir que saíssem durante os atos de celebração dos 500 anos de Havana.

Muitos jornalistas, ativistas e artistas são submetidos diariamente a detenções arbitrárias, repressão e assédio. O caso mais notório deste ano foi o do jornalista cubano Roberto de Jesús Quiñones Haces, que foi condenado a um ano de privação de liberdade pela suposta prática do delito de “Resistência e Desobediência”.

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