Dr. Francisco Durán confirma que Cuba enfrenta uma epidemia de chikungunya: há mais de 31.000 casos e 95 pacientes graves

Cuba enfrenta uma grave epidemia de chikungunya, com mais de 31.000 casos suspeitos e 95 pacientes em estado crítico. A falta de fumigação e recursos agrava a situação.

Dr. Francisco DuránFoto © Revista Buenos Días, Televisão Cubana

El Ministério da Saúde Pública de Cuba (MINSAP) confirmou nesta sexta-feira que o país está enfrentando uma epidemia de chikungunya, com uma ampla dispersão do vírus em todo o território nacional.

O anúncio foi feito pelo doctor Francisco Durán García, diretor nacional de Epidemiologia, durante sua intervenção no programa de televisão Buenos Días, onde ofereceu um extenso relatório sobre a complexa situação epidemiológica que o país enfrenta.

Segundo os dados oficiais apresentados, 31.513 pessoas foram diagnosticadas com suspeita de chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue.

O vírus circula atualmente em 14 províncias, 99 municípios e 164 áreas de saúde, o que, segundo Durán, “configura um comportamento epidêmico sustentado”.

O funcionário informou ainda que no último dia foram reportados 753 novos casos suspeitos de chikungunya e 847 positivos para dengue, o que demonstra a simultaneidade de ambas as doenças no país.

“Estamos em uma epidemia de chikungunya”, confirmou o especialista, explicando que esse termo é utilizado quando há “um aumento no número de casos de uma doença em uma área geográfica determinada e mantido ao longo do tempo”.

Em vez disso, precisou que o dengue mantém um comportamento endêmico, com presença contínua, mas estável.

Durán apontou que 5.713 pacientes continuam internados com suspeita de chikungunya, desses, 5.607 em casa e o restante em instituições hospitalares.

Além disso, 95 pessoas estão em unidades de terapia intensiva, 77 em estado grave e 18 em estado crítico. Dentre os pacientes graves, 63 são menores de 18 anos, e entre os críticos, 16 são crianças.

O diretor de Epidemiologia alertou que o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti permanece elevado, em 0,73, um número que classificou como “risco de transmissão alto”.

Neste sentido, destacou que as províncias com os índices mais altos são Camagüey, Pinar del Río, Sancti Spíritus e Villa Clara.

O diretor de Epidemiologia em Cuba reconheceu limitações nas atividades de fumigação. No dia anterior, 142 equipes não trabalharam, 109 por falta de pessoal e 33 por quebras.

Também indicou que não foram realizados tratamentos adulticidas extradomiciliares em Mayabeque, Matanzas, Camagüey, Las Tunas nem no município especial Ilha da Juventude.

Durán insistiu na necessidade de incrementar as ações de saneamento em lares e centros de trabalho, assim como acudir aos serviços de saúde diante de qualquer sinal de alerta, como febre prolongada, desidratação ou perda de consciência.

Aclarou que o chikungunya deixa imunidade praticamente para a vida toda, embora possa provocar sequelas e reexibição de sintomas após a melhora. Também apontou que ainda não existe uma vacina eficaz contra este vírus.

Durán reconheceu que a situação “continua sendo muito complexa”, mas assegurou que o sistema de saúde “continuará trabalhando para resolvê-la na medida do possível”.

As suas declarações não tranquilizam a população, pois as denúncias sobre este vírus vêm sendo feitas há meses. As pessoas consideram que o Estado demorou demais para focar sua atenção na crise sanitária, especialmente com o colapso que há no sistema de saúde de Cuba há anos.

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