A partir desta sexta-feira, 4 de julho, a Empresa Productora de Alimentos em Villa Clara retoma a distribuição diária do pão da cesta básica nos 13 municípios do território, confirmou seu diretor, Odel Dueñas, após meses de crescente tensão devido à instabilidade na entrega desse alimento básico.
No entanto, a promessa chega carregada de condições. A crise energética que atravessa o país impede o uso normal de fornos elétricos, por isso uma boa parte da produção deverá apoiar-se em fornos tradicionais.
Citado pela emissora de rádio provincial CMHW, Dueñas indicou que estão “sendo tomadas as medidas organizacionais para usar os fornos tradicionais e garantir a produção naqueles locais onde não existam as condições criadas”, uma frase que sugere mais incerteza do que certeza.
A qualidade também está em dúvida. O executivo reconheceu que a farinha disponível “não é a mais adequada para os processos produtivos devido ao tempo de armazenamento dos trigais”.
Ainda assim, garantiu que estão trabalhando com as equipes municipais para oferecer um produto com “a melhor qualidade possível”, embora sem detalhar como enfrentarão essa precariedade técnica de forma sustentável.
O peso do pão se mantém em 60 gramas, segundo as autoridades. Mas, entre a baixa qualidade dos insumos e as limitações energéticas, os consumidores terão que esperar para saber se essa distribuição diária será mais do que outro anúncio que murcha com o tempo.
A crise de abastecimento de farinha de trigo em Cuba tem forçado a restrição da produção e distribuição do pão normatizado em várias províncias.
Em Artemisa, por exemplo, o pão normatizado é vendido apenas em dias alternados e com misturas “inovadoras” de batata-doce, mandioca e abóbora para esticar a pouca matéria-prima disponível. Em Guantánamo, a distribuição do pão normatizado é limitada a menores de 13 anos e a instituições sociais, enquanto o pão liberado aumentou significativamente de preço.
Cienfuegos implementou novos preços que chegam até 150 CUP por uma peça de 200 gramas, em resposta ao aumento dos custos de produção.
Em Santiago de Cuba, recebem-se apenas entre uma e duas rastras de farinha a cada dois dias, quantidade insuficiente para atender à demanda de pão na capital provincial e seus municípios.
Após uma prolongada escassez, o pão liberado reapareceu recentemente na Ilha da Juventude, embora seu retorno esteja longe de aliviar a economia familiar: vendido a 110 pesos por uma unidade de casca macia de 200 gramas, o produto chega aos consumidores graças à compra de farinha e açúcar através de mipymes, um processo que inevitavelmente encarece seu preço final.
As quantidades produzidas são mínimas em comparação à demanda. Orientou-se as padarias a produzir de 180 a 300 pães por dia, e a distribuição é regulada pelo tamanho da fila: dois por pessoa se houver muita gente, mais se houver poucos.
La Oficina Nacional de Estadística e Informação de Cuba (ONEI) informou que, durante o mês de abril passado, o preço do pão redondo suave não normatizado (80 gramas) alcançou 60 pesos cubanos (CUP) em Santiago de Cuba, a cifra mais alta registrada no país naquele mês. O preço mínimo foi de 18 CUP em Ciego de Ávila, o que evidencia uma marcada desigualdade regional no acesso a este alimento básico.
Em Havana, os preços oscilaram entre 21,42 e 58,33 CUP por unidade, o que a torna uma das províncias com maior dispersão interna. Matanzas foi a única que reportou um preço fixo de 39 pesos, sem variações, enquanto em Cienfuegos e Villa Clara também foram registrados valores máximos acima de 50 CUP. Províncias como Guantánamo, Holguín e Las Tunas apresentaram preços mais contidos, embora igualmente elevados em relação aos salários médios.
Perguntas frequentes sobre a crise do pão em Cuba
Por que foi retomada a venda diária de pão em Villa Clara?
A venda diária de pão em Villa Clara foi reatada como resposta à instabilidade na distribuição do alimento nos meses anteriores. A Empresa Produtora de Alimentos da província optou por utilizar fornos tradicionais devido à crise energética que impossibilita o uso dos fornos elétricos. No entanto, existem dúvidas sobre a sustentabilidade dessa medida devido à baixa qualidade da farinha disponível e às limitações técnicas.
Quais problemas a produção de pão em Cuba enfrenta atualmente?
A produção de pão em Cuba enfrenta problemas significativos devido à escassez de farinha de trigo e à crise energética. Isso levou à implementação de medidas como o uso de fornos tradicionais e a venda em dias alternados em várias províncias. Além disso, a qualidade da farinha e o aumento nos preços geraram descontentamento e preocupação na população.
Como está sendo gerenciado o racionamento de pão em diferentes províncias cubanas?
O racionamento de pão em Cuba varia de acordo com a província, com medidas que vão desde a venda em dias alternados até a distribuição limitada a certos grupos populacionais. Em Guantánamo, por exemplo, o pão normatizado é distribuído apenas para menores de 13 anos e para instituições sociais. Em Artemisa, o pão é vendido em dias alternados e é complementado com misturas de batata-doce, mandioca e abóbora para esticar a matéria-prima disponível.
Quais são os preços atuais do pão em Cuba e como isso afeta a população?
Os preços do pão em Cuba aumentaram significativamente devido à crise de abastecimento e os custos de produção. Em Cienfuegos, por exemplo, o pão pode custar até 150 CUP por uma peça de 200 gramas. Esse aumento, juntamente com a baixa qualidade do produto, gerou descontentamento em uma população já afetada por salários estagnados e alta inflação.
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