Regime cubano intensifica ataques contra o chefe da Embaixada dos EUA em Havana

Mediante canais alinhados ao regime e publicações nas redes sociais, acusa-se Hammer de agir como “emissário imperial”, de violar os protocolos diplomáticos e de promover uma suposta estratégia de “guerra híbrida” contra Cuba.

Mike Hammer e Marta Beatriz Roque CabelloFoto © Facebook/Embaixada dos Estados Unidos em Cuba

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O regime cubano intensificou seus ataques discursivos contra Mike Hammer, chefe da Missão Diplomática dos Estados Unidos em Havana, acusando-o de promover a “desestabilização do país” através de seu apoio a membros da sociedade civil, ativistas, jornalistas independentes e familiares de presos políticos.

Mediante canais afins ao regime e publicações nas redes sociais, acusa-se Hammer de atuar como “emissário imperial”, de violar os protocolos diplomáticos e de impulsionar uma suposta estratégia de “guerra híbrida” contra Cuba. Ele é vinculado, entre outros, com reuniões realizadas com José Daniel Ferrer, Berta Soler e criadores de conteúdo.

Publicação do Facebook/
Conselho da Administração da Praça da Revolução

Estratégia propagandística: da denúncia à mobilização

O discurso do regime, abordado anteriormente pelo meio oficial Cubadebate, descreve uma suposta estratégia em fases liderada por Hammer: vitimização midiática de opositores, pressão econômica externa e promoção de campanhas cibernéticas a partir do exílio cubano.

Além disso, retoma etiquetas como #FueraHammer e #CubaNoSeVende, com o objetivo de ativar respostas nas redes sociais por parte de estruturas oficialistas.

Em paralelo, a ditadura promove a ideia de que os Estados Unidos estariam instrumentalizando Cuba para “desacreditar modelos socialistas na América Latina” e abrir caminho a interesses econômicos em setores estratégicos como a biotecnologia ou o turismo.

Reação ao ativismo diplomático

Desde sua chegada a Havana em novembro de 2024, Mike Hammer tem mantido uma agenda ativa de reuniões com atores da sociedade civil, o que tem causado um visível desconforto no aparato estatal. Nos últimos meses, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba convocou em três ocasiões diplomatas norte-americanos para expressar sua “enérgica protesto” pelo que considera atos de “ingerência”.

A seu turno, o governo cubano tem utilizado discursos incendiários e dados não verificados para reforçar a narrativa de que os EUA estão financiando os opositores com fins desestabilizadores, citando organismos como a NED (National Endowment for Democracy) ou a USAID como fontes de financiamento estrangeiro para figuras como Soler ou Ferrer, este último encontra-se novamente em prisão injusta.

Contexto: deterioração das relações Cuba–EUA.

O enfrentamento diplomático ocorre em meio a uma relação já tensa entre os dois países, marcada pela inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo, a manutenção do embargo e uma política externa norte-americana cada vez mais crítica em relação ao histórico de direitos humanos do regime.

Enquanto isso, Hammer tem continuado a compartilhar publicamente sua agenda na ilha, incluindo visitas a prisioneiros políticos, templos religiosos e espaços cívicos, o que foi interpretado pelo governo cubano como uma provocação direta.

Segurança do Estado detém opositores antes de se reunirem com o embaixador

A organização não governamental Cubalex denunciou uma nova onda de repressão seletiva em Cuba, destinada a impedir que ativistas e opositores se reúnam com o chefe da missão diplomática dos Estados Unidos.

De acordo com várias publicações na rede social X, entre 29 de abril e 19 de maio, foram documentadas detenções arbitrárias, intimações, vigilância domiciliar e incomunicação contra pelo menos seis membros da sociedade civil independente.

Desde sua chegada à ilha em novembro de 2024, o diplomata Mike Hammer tem mantido uma agenda ativa de encontros com opositores, jornalistas, religiosos e familiares de presos políticos, os quais tem documentado em suas redes sociais.

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