
O prisioneiro político Maykel Osorbo Castillo está incomunicado e em uma cela de punição desde a última terça-feira, denunciou a ativista Anamely Ramos.
“Lligou pela última vez na terça-feira desta semana. Não é habitual, pois Maykel liga todos os dias de segunda a sexta-feira. Hoje, outros presos de confiança ligaram para sua esposa para avisar que estavam levando Maykel para a cela de castigo porque não querem lhe dar o telefone e ele protestou”, informou Ramos no Facebook.
A membro do Movimento San Isidro explicou que, quando se passam três dias sem receber notícias de Osorbo, eles dão o alarme. “Pode parecer uma exageração, mas não é. A cada dia, a cada minuto que Maykel passa lá dentro, ele está em perigo”, alertou.
Nas últimas semanas, o dissidente e coautor da canção “Patria y Vida” tem enfrentado os repressors na prisão para proteger os seus direitos.
"Maykel sabe muito bem o valor de sua vida, mas há limites que ele não está disposto a deixar que ultrapassem. Se não fosse assim, já estaria morto. Se Cuba é dominada por uma máfia, o que resta para as prisões, onde os maus-tratos e a corrupção são a norma, e a pior parte sempre fica com os presos políticos?", enfatizou Ramos.
A ativista lembrou que recentemente a congressista americana Debbie Wasserman Schultz enviou uma carta a Antony Blinken, secretário de Estado dos Estados Unidos, apoiando a liberação de Castillo, de Luis (Manuel Otero Alcántara) e de todos os prisioneiros políticos.
Ramos alertou que nas prisões em Cuba sempre há detentos em greve de fome, enquanto outros estão em recuperação, como José Cervantes, que recentemente terminou uma.
Além disso, denunciou a situação de repressão que sofrem os presos políticos e mencionou a terrível situação de Roberto Fonseca, Juan Enrique Pérez e Lizandra Góngora, sendo que esta última ficou internada, sozinha, a muitos quilômetros de sua casa e de seus filhos.
“A Ferrer (José Daniel) pôde ser visto por sua filha depois de mais de um ano sem visitas regulares, apenas para saber que ele continua vivo, mas em condições desumanas”, explicou Ramos.
O rapper cubano El Funky também denunciou os abusos contra Osorbo e o artista visual Luis Manuel Otero Alcántara: “Luisma continua incomunicado e agora Maykel está em uma cela de castigo porque não querem lhe dar o telefone também e ele protestou”.
A organização Amnistia Internacional expressou na última sexta-feira sua preocupação com a situação dos prisioneiros políticos em Cuba, incluindo o rapper Osorbo, que tem sido alvo de repressão em várias ocasiões.
Também fez um apelo urgente a Cuba para que libere de forma imediata e incondicional todas as pessoas detidas por exercer seu direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica.
Além de Osorbo, a organização também exigiu a liberdade de destacados líderes da oposição, ativistas e artistas. Entre eles, mencionou José Daniel Ferrer García, da União Patriótica de Cuba (UNPACU), e Otero Alcántara, fundador do Movimento San Isidro, de quem também não se têm notícias desde 21 de março.
“Hoje não ligou e tinha direito à sua ligação regulamentar”, denunciou na última quinta-feira a página no Facebook do artista.
“Precisamos de ajuda! Luis Manuel Otero Alcántara e todos os prisioneiros políticos cubanos devem ser libertados imediatamente. A prisão é um risco para todos eles, podem ser agredidos por outros detentos, e pelas próprias forças do regime, podem contrair uma doença... As consequências de toda essa violência podem ser indeléveis. Isso é uma tortura para eles e para suas famílias e amigos!”, exigiu a publicação.
Osorbo e Otero estão presos há quase três anos por se manifestarem contra o regime.
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