Paciente em Cuba pede ajuda internacional: “Estamos morrendo, o Estado não tem insumos”



A crítica situação sanitária em Cuba se agrava com a falta de insumos para hemodiálise, afetando pacientes como Nelson Ledesma e expondo o deterioramento do sistema de saúde.


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Um paciente em hemodiálise em Remedios, Villa Clara, fez um apelo por uma “intervenção médica de outros países” em Cuba pelo seu direito de continuar vivendo.

“Eu, Nelson Ledesma Martínez, faço um apelo a todos os pacientes de hemodiálise da província de Villa Clara para que nos unamos em busca de intervenção médica de outros países”, escreveu em um post no Facebook.

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“Nós merecemos viver, já não temos insumos para nos conectarmos três vezes por semana, o Estado não possui esses insumos, no entanto, na rua você os encontra a altos preços que nós não podemos pagar”, denunciou.

Ledesma Martínez pediu a todos os pacientes em sua situação que se organizassem "para reivindicar nossos direitos de continuar vivendo".

Em agosto passado, uma médica cubana, mãe de um paciente que faz hemodiálise no Hospital Celia Sánchez Manduley, em Manzanillo, Granma, denunciou com palavras duras o abandono institucional desses doentes, que são vítimas de frequentes interrupções no tratamento médico e da falta de vontade das autoridades para resolver o problema, o que coloca suas vidas em risco.

Com evidente indignação, a mãe cubana decidiu deixar de lado sua rejeição a fazer publicações na rede social, para expor uma situação que já “passa do ponto” e a envolve pessoalmente.

Revelou que naquele dia o procedimento nos pacientes do hospital não foi realizado por falta de bicarbonato, apesar de que "todo mundo sabe o que significa para eles interromper o tratamento quando chega o final de semana, e até terça-feira não têm mais tratamento".

"Eu me pergunto até quando vamos continuar aguentando que, sempre que chegam para o tratamento, não há água ou não há concentrado ou não há bicarbonato ou não há dializadores ou começaram tarde porque não há auxiliares de limpeza", questionou.

“Falta sensibilidade humana”, sentenciou. “É uma falta de respeito para com esses pacientes e seus familiares”.

Estas denúncias evidenciam o severoe deterioro do sistema de saúde em Cuba, marcado pela falta de medicamentos e insumos, pelas demoras nas cirurgias e outros tratamentos, pelas precárias condições da infraestrutura e pelo abandono institucional.

crise foi reconhecida em julho deste ano pelo ministro da Saúde Pública, José Ángel Portal Miranda, perante a Assembleia Nacional do Poder Popular.

Portal admitiu que o sistema de saúde enfrenta uma “crise estrutural sem precedentes”, com apenas um 30 % da tabela básica de medicamentos coberta e hospitais com graves carências organizativas e materiais.

O ministro expôs o alarmante panorama da saúde pública em Cuba e citou, entre outros problemas, o déficit de insumos médicos, o êxodo de profissionais, o aumento da mortalidade materna e infantil e a corrupção nas instituições hospitalares. No entanto, seguindo o roteiro oficial do regime, responsabilizou a situação pelo embargo dos Estados Unidos, sem mencionar as falhas internas do sistema.

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