O cubano Yoendrys Leyva, um balsero que chegou aos Estados Unidos em 2017, poucos meses após o fim da política de pies secos, pies mojados, implorou para que o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) não o deportasse e o separasse de sua família, cuja sobrevivência depende dele.
O vídeo, enviado ao jornalista Mario J. Pentón, revela o drama de um lar que vive entre hospitais, crises médicas e um medo constante de uma detenção.
Leyva contou que ao entrar no país sem amparo legal foi processado e recebeu uma ordem final de deportação (I-220B), o que o obrigou, durante anos, a se apresentar regularmente às autoridades migratórias.
Mas as novas medidas de controle migratório o colocaram esta semana à beira da detenção, apesar de ser, segundo afirma, um trabalhador honesto, sem antecedentes criminais e o único sustento econômico de sua casa.
Seu testemunho se quebra quando ela mostra sua filha mais nova, nascida em Tampa em 2020, diagnosticada com paralisia cerebral severa após sofrer uma convulsão pouco depois de nascer, aos seis meses de gestação.
A menina não sustenta a cabeça, não anda, não come pela boca e depende de um tubo gástrico. Suas crises convulsivas são constantes e obrigaram a família a passar meses inteiros entre unidades de terapia intensiva e hospitais na Geórgia.
“Aqui está minha família... Eu sou o sustento desta casa. O que seria deles se eu fosse deportado?”, lamentou. “Minha menina está muito doente, precisa de mim. Não queremos ser um fardo para a sociedade.”
Sua esposa, Ana María Leyva, residente legal desde 2019, também pediu ajuda olhando para a câmera. Ela explicou que não consegue trabalhar devido à grave condição da menina e que, sem seu esposo, que também cuida de seus outros dois filhos, um deles menor de idade, eles ficariam literalmente “na rua”. Dois dos menores são cidadãos americanos.
“Rogamos que não nos separem”, disse. “Eu só venho para casa um fim de semana por mês porque vivo em hospitais com minha filha. Se prenderem meu esposo, minha família fica sem nada”.
A família assegura ter iniciado todos os trâmites possíveis, desde uma petição familiar (I-130), perdões migratórios e processos legais pendentes junto ao USCIS. Mesmo assim, o risco de detenção era iminente.
Leyva relatou que durante o encontro da última terça-feira em Atlanta, um agente do ICE lhe confessou que a intenção inicial era prendê-lo, mas desistiram ao ver a condição da menina.
No entanto, ele foi enviado de volta a Savannah com a ordem de se apresentar novamente e “trazer todos os documentos”, o que aumentou a angústia do lar.
Atualização do caso
O jornalista Mario J. Pentón informou que conseguiu se comunicar nesta quinta-feira com Ana María Leyva e confirmou que Yoendrys não foi detido em sua audiência perante o ICE. As autoridades permitiram que ele voltasse para casa e continuasse trabalhando enquanto seu caso migratório segue em processo.

A família respira hoje com um alívio momentâneo, mas sua situação continua sendo frágil e marcada pela incerteza. Sua história reflete o drama de centenas de cubanos que chegaram após o fim de pies secos, pies mojados e vivem presos entre ordens de deportação, novas políticas migratórias e a impossibilidade moral e humana de abandonar aqueles que dependem deles para sobreviver.
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