Apagão na Calle Ocho provoca risadas e nostalgia em artistas cubanos em Miami

Coralita Veloz, sua filha María Karla Rivero (Maka) e seu genro Jean Michel, e sua grande amiga Irela Bravo, estavam desfrutando em uma cafeteria quando a luz se apagou.

María Karla Rivero e Coralita VelozFoto © Facebook / La casa de Maka

O que deveria ser uma noite tranquila entre artistas cubanos em Miami acabou se tornando uma cena tão familiar para qualquer insular que bastou uma faísca -literalmente- para que todos se sentissem, por um momento, de volta em Havana.

O inesperado corte de energia ocorreu em uma cafeteria da Calle Ocho, esse canto emblemático do exílio cubano onde nada costuma falhar... exceto, por cinco minutos, a luz.

O momento foi capturado em vídeo e divulgado pelo perfil da La Casa de Maka no Facebook.

Entre conversas e risadas, o apagão surpreendeu os presentes.

O ator Jean Michel, sem perder a oportunidade, lançou à sua sogra, Coralita Veloz, uma frase que desatou risadas imediatas: "É como se você estivesse no Casino Deportivo em Havana".

E ela, fiel ao seu estilo, respondeu com um entusiástico: "Sim, senhor!".

À mesa também estava a popular atriz Irela Bravo.

"Ah, Irela, o que é isto!", ouviu-se dizer Jean Michel.

María Karla Rivero (Maka), filha de Coralita, pegou seu telefone e saiu para a rua para registrar o momento inusitado: a icônica Calle Ocho às escuras, iluminada apenas pelos faróis dos carros que continuavam circulando normalmente.

A falta de energia durou apenas alguns minutos, mas quando a energia voltou, uma ovação explodiu que parecia vinda de um bairro habanero: "¡Eeeeeeh, chegou a luz!".

Gritos, aplausos, celebração total. Porque se algo os cubanos não esquecem, mesmo após anos fora, é essa mistura de alívio e festa que provoca o retorno da eletricidade.

A publicação gerou centenas de comentários.

"Chegou o comunismo na rua 8, hahahaha", brincou uma habanera.

Um manzanillero escreveu: "Que susto! Eu pensei: 'ai, a Guiteras também emigrou'".

Outro usuário afirmou que "chegou a luz" é o grito mais desejado em Cuba neste momento.

Houve quem falasse da "maldição da Guiteras", outro perguntou se era "um apagão solidário" e um terceiro zombou dizendo que "a tiraram do Bloco 8".

"Que lindo apagão, lá isso se aprecia porque é um evento muito raro e as pessoas até tiram suas velas para colocá-las na mesa e jantar à luz delas. O que acontece é que não dá tempo para a vela se queimar", expressou outro cubano da Ilha.

Além do humor, o episódio recordou a diferença abismal entre o que em Miami é uma anedota simpática e o que em Cuba é um suplício diário.

Para os cubanos presentes, o breve apagão ativou memórias que nem sempre provocam risadas: a rotina dos cortes intermináveis na Ilha, os horários quebrados pela falta de eletricidade e a vida toda adaptada em torno de um serviço básico que raramente funciona como deveria.

Enquanto na Calle Ocho o apagão foi tratado como uma piada coletiva, em Cuba representa um obstáculo constante que afeta lares, escolas, centros de trabalho e qualquer tentativa de normalidade.

A diferença é contundente: em Miami, cinco minutos de apagão são uma curiosidade; na Ilha, cinco minutos com luz podem ser a verdadeira raridade.

E, no entanto, naquela breve escuridão de Miami, os cubanos fizeram o que sabem fazer de melhor quando tudo se apaga: rir juntos, lembrar de onde vêm... e celebrar como se fosse um milagre quando a luz voltou.

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