Relatora da ONU ouve queixas oficiais sobre o "bloqueio", enquanto os cubanos denunciam corrupção e má gestão governamental

O governo atribuiu perdas milionárias em energia e turismo às sanções dos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores demonstrou impactos na biotecnologia, na saúde e na academia. As redes desmontaram a narrativa oficial e exigiram que a relatora veja a verdadeira crise do país.

Cubanos responsabilizaram diretamente o sistema político por décadas de erros econômicos que não reconheceFoto © X/Cancillería de Cuba

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A visita a Cuba até 21 de novembro da relatora especial das Nações Unidas, Alena Douhan, serve ao governo para expor os danos atribuídos ao embargo americano, mas provocou uma avalanche de críticas da população que apontam corrupção, má administração e prioridades distorcidas que aprofundaram a policrise atual.

Na sexta-feira, diretores da Central Termoelétrica "Antonio Guiteras", em Matanzas, receberam Douhan e afirmaram que as sanções americanas têm limitado a compra de peças de reposição.

Captura de Facebook/Cancelleria de Cuba

Le comentaram, além disso, que o acesso ao combustível encareceu e mencionaram danos superiores a 496 milhões de dólares no setor energético, de acordo com um relatório do Ministério das Relações Exteriores em sua página de Facebook.

Em Varadero, autoridades do Ministério do Turismo e representantes da Marinha local asseguraram que as medidas restritivas frearam a chegada de visitantes internacionais, impediram a entrada de cruzeiros e paralisaram projetos estratégicos, resultando em perdas superiores a 2,528 milhões de dólares no último período.

A agenda incluiu também intercâmbios com acadêmicos da Universidade de Havana, especialistas do Hospital Pediátrico William Soler e visitas a instituições como a empresa BioCubaFarma para examinar impactos em biotecnologia e saúde, destacou em X o Ministério das Relações Exteriores.

Mas a resposta nas redes sociais foi imediata e feroz. Centenas de cubanos questionaram que o governo culpe o “bloqueio”, enquanto mantém privilégios para a elite, investe em hotéis de luxo e quase vazios e deixa deteriorar a infraestrutura essencial do país.

Alguns, como Ada Pérez, denunciaram a vida acomodada de dirigentes e suas famílias; outros, como Santo Norben Ramírez, responsabilizaram diretamente o próprio sistema político por décadas de erros econômicos.

Usuários reclamaram que a relatora também ouça jovens presos por protestar, ou comunidades mergulhadas no deterioro.

Em paralelo, vários comentários desmontaram o argumento energético oficial. A esse respeito, lembraram que a Guiteras opera com tecnologia francesa e japonesa e que a falta de peças se deve a inadimplência e à perda de credibilidade creditícia, e não a proibições externas.

Outros apontaram a contradição entre o discurso do "bloqueio" e a contínua entrada de mercadorias dos Estados Unidos, assim como a prioridade dada à construção hoteleira em detrimento de serviços essenciais como ambulâncias, aquedutos ou estradas em ruínas.

Vários cibernautas mencionaram fundos previamente doados para reparos que nunca foram realizados e acusaram o governo de desviar recursos.

Enquanto a Chancelaria insiste em apresentar a visita como evidência do impacto do embargo, a resposta da sociedade exibe uma narrativa oposta.

Para uma parte significativa da população, o verdadeiro bloqueio é interno e se exprime em corrupção, opacidade e uma administração incapaz de tirar o país do colapso.

A realidade para os cubanos continua sendo de falta de energia prolongada, interrupções imprevistas e uma infraestrutura elétrica com uma vulnerabilidade crônica.

Embora sejam anunciados investimentos em energias renováveis, o Sistema Elétrico Nacional continua à beira do colapso, incapaz de garantir um fornecimento estável para lares, hospitais e indústrias, enquanto a população paga o preço acumulado de anos de negligência, decisões erráticas e má gestão estatal.

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