
Vídeos relacionados:
O regime cubano lançou uma intensa ofensiva diplomática para influenciar a visita oficial à ilha da relatora especial da ONU sobre as medidas coercitivas unilaterais, Alena Douhan, uma funcionária bielorrussa conhecida por seus relatórios favoráveis a governos autoritários como os da Venezuela.
Douhan, que chegou a Cuba no dia 11 de novembro para uma estadia de dez dias, tem o mandato de avaliar o impacto das sanções unilaterais sobre os direitos humanos.
O regime cubano, liderado pela família Castro e pela cúpula militar de GAESA, e representado pelo governante designado Miguel Díaz-Canel, pretende aproveitar esta visita para reforçar sua narrativa de que o chamado "bloqueio dos Estados Unidos" é o responsável pela crise econômica e social que asfixia a população.
O ministério de Relações Exteriores de Cuba (MINREX) divulgou comunicados e imagens dos encontros de Douhan com altos funcionários, incluindo o vice-ministro Carlos Fernández de Cossío, insistindo no suposto caráter “humanitário” de sua visita.
No entanto, organizações opositoras e ativistas de direitos humanos alertaram sobre a manipulação política dessa missão, destinada a obter um relatório complacente que oculte as responsabilidades do próprio regime na repressão, na pobreza e no exôdo em massa de cubanos.
O Conselho para a Transição Democrática em Cuba (CTDC) pediu à relatora que ouvisse também representantes da sociedade civil independente, sublinhando que as violações de direitos em Cuba “não dependem de sanções externas, mas sim da falta de vontade política do Estado”.
En esse sentido, Martí Notícias indicou que seu vice-presidente, Manuel Cuesta Morúa, instou Douhan a perguntar diretamente aos cubanos quem é o verdadeiro responsável pela crise.
A diferença de outros enviados das Nações Unidas, Douhan tem sido criticada por sua proximidade com governos autoritários. Em 2021, ela emitiu um relatório sobre a Venezuela que minimizava os crimes do regime de Nicolás Maduro e culpava quase exclusivamente as sanções internacionais pela emergência humanitária.
Em um gesto diplomático de transparência, a relatora publicou neste domingo na rede social X (anteriormente Twitter) uma mensagem onde assegurou estar aberta a receber testemunhos e documentos de qualquer parte interessada.
Reitero minha disposição em receber todas as contribuições pertinentes, escreveu, convidando a enviar informações para o e-mail [hrc-sr-ucm@un.org](mailto:hrc-sr-ucm@un.org).
Vozes da sociedade civil dentro e fora da ilha chamam a aproveitar esta oportunidade para fazer ouvir a opinião do povo cubano, documentando os abusos do regime, a falta de liberdades e o verdadeiro impacto da repressão interna que não pode ser atribuída a nenhum embargo, mas sim a mais de seis décadas de ditadura.
Arquivado em: