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O humorista cubano Eddy Escobar enviou uma mensagem contundente ao defenestrado ministro da Economia Alejandro Gil Fernández, cujo julgamento concluiu esta quinta-feira em Havana sob um clima de secretismo e sem acesso à imprensa independente.
“Meu conselho para Alejandro Gil é simples e brutalmente honesto: fale. Fale tudo”, escreveu Escobar em sua conta no Facebook, aludindo ao processo judicial que o ex-ministro cubano enfrenta por supostos crimes de espionagem, evasão fiscal e tráfico de influências.
O humorista instou o ex-funcionário a romper o silêncio e contar “desde Raúl até o último peão da cadeia”, lembrando-lhe o destino do general Arnaldo Ochoa, fuzilado após confiar na promessa de Fidel Castro de que seu caso “era apenas para ficar bem com a opinião pública”.
“Você sabe demais. E em um sistema construído sobre segredos, silêncios e lealdades forçadas, quem rompe o pacto é quem muda a história”, escreveu Escobar.
O comediante, conhecido por suas publicações críticas sobre a realidade cubana, sugeriu que Gil poderia se tornar “o vilão arrependido que, ao falar, mostrou ao povo o monstro inteiro e não apenas a sombra”.
A mensagem foi publicada poucas horas depois de confirmar o encerramento do julgamento contra o destituído ministro, realizado no Tribunal de Marianao sob vigilância rigorosa e sem transparência.
Segundo denunciou sua irmã, María Victoria Gil, o processo foi “à porta fechada, com grande despliegue de segurança e sem acesso nem mesmo para familiares diretos”.
Gil Fernández, um dos homens mais próximos do governante Miguel Díaz-Canel e ex-rosto do chamado “ordenamento monetário”, enfrenta acusações graves que podem custar-lhe a pena de prisão perpétua.
Sua queda em desgraça tem sido interpretada como um ato de purga política dentro da cúpula do poder cubano, mais do que como um exercício de justiça real.
“Em suas mãos está a possibilidade real de abrir os olhos a um povo que por décadas viveu entre meias verdades, promessas vazias e medos herdados”, acrescentou Escobar.
Em uma recente entrevista com o jornalista da Univision, Javier Díaz, María Victoria Gil, advogada de profissão e irmã do destituído ministro, ofereceu um testemunho duro, direto e carregado de angústia sobre a situação do acusado e da família.
María Victoria descreveu desde o início a falta de informação e as barreiras à comunicação: "o julgamento está totalmente blindado... não tenho comunicação porque retiraram a internet da minha sobrinha e do meu sobrinho desde ontem e bloquearam o WhatsApp".
A irmã do ex-ministro não poupou adjetivos para definir o que, segundo ela, é uma perseguição política com contornos pessoais: "isto é um caso típico de um ensaio brutal".
Gil recordou que seu irmão está "detido há mais de um ano em uma prisão de segurança máxima" - uma circunstância que ela relata com horror e em detalhes - e acrescentou: "está sofrendo… maus-tratos… perdeu 23 quilos, não tem cabelo, tem alopecia areata provocada pelo estresse".
Embora reconheça que no poder "se entra nisso" e que a corrupção é sistêmica, defendeu a hipótese de que seu irmão não foi um espião convencional: "eu duvido muito... que meu irmão tenha sido capaz de se tornar um espião. O que eu realmente penso é que meu irmão queria mudar coisas... ele se tornou incômodo porque quis mudar coisas dentro da estrutura econômica de Cuba".
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