Laritza Camacho: “Eu gostaria que dessem um Toque aos responsáveis pelo ordenamento."

Desde as redes sociais, a locutora questionou a ofensiva do regime contra El Toque e exigiu soluções para o desastre econômico causado pelo ordenamento.

Laritza Camacho questionou a ofensiva do regime contra El ToqueFoto © Collage Facebook / Laritza Camacho e El Toque

A locutora Laritza Camacho, conhecida por suas análises nas redes sociais sobre os problemas atuais da sociedade cubana, reagiu nesta quinta-feira à ofensiva midiática do regime contra o meio independente El Toque, com uma mensagem crítica e contundente.

En seu perfil do Facebook, Camacho disse: “Eu não lido com dólares. Eu não ganho em dólares. Eu nem compro nem vendo, porque não tenho. Para mim, como cidadã cubana, eu gostaria mais que dessem um ‘Toque’ a Murillo e a todos os implementadores da reordenação que disparou a inflação, que alguém explicasse por que 253 medidas não conseguem mudar nada para melhor.”

Captura Facebook / Laritza Camacho

Suas declarações surgem após os ataques lançados na quarta-feira na televisão oficial contra El Toque, acusado pelo porta-voz do regime Humberto López de cometer “terrorismo financeiro” e de participar em uma suposta “guerra econômica” contra Cuba.

No programa Razões de Cuba, López retomou declarações do chanceler Bruno Rodríguez, que na ONU afirmou que existiam “provas de manipulação especulativa da taxa de câmbio”.

Durante a emissão, o porta-voz afirmou que El Toque “foi criado para rebaixar o nível de vida dos cubanos” e sugeriu abrir processos penais contra seus membros.

Os meios oficiais Granma e Cubadebate replicaram a acusação, rotulando o meio como “instrumento subversivo” e “agente do terrorismo econômico”. 

Diante dessa narrativa, Camacho destacou as verdadeiras causas do desastre econômico: a organização monetária e as políticas fracassadas do governo.

“Por que temos uma lei de soberania alimentar e não produzimos comida? O presidente fez a pergunta, mas não ouvi a resposta”, apontou.

Em sua mensagem, a locutora também ironizou sobre o debate em torno da taxa de câmbio informal, que o regime pretende controlar atacando meios independentes.

"Eu gostaria que a taxa de câmbio aumentasse diariamente... mas não a do dólar, não a do euro, não a do teque, os discursos e a palabraria. É necessário que a taxa de câmbio da produtividade, da ordem real, do justo aumente. É necessário que um de nossos pesos volte a valer o que produz."

Camacho pediu soluções reais diante do deterioramento do país e denunciou a falta de responsabilização dos líderes que levaram Cuba à atual crise.

“Em um país onde todos têm febre, não me importa a metáfora do termômetro. Não quero culpas nem culpados. Quero soluções. É urgente a prosperidade, assim como é urgente que se restabeleça a saúde de todos, começando pela saúde da economia e o civismo da Pátria”, escreveu, antes de finalizar com uma pergunta direta:

“Ou será que em Cuba não há ninguém responsável pelo desastre?”, destacou.

A publicação recebeu milhares de comentários de apoio. A intelectual Alina Bárbara López Hernández respondeu: “Não poderia ser dito de maneira melhor. Concordo com você, querida amiga”.

Outros usuários destacaram o valor de sua postura em um contexto onde poucos artistas e comunicadores se atrevem a questionar publicamente o poder.

As palavras de Camacho resumem o sentimento de frustração que hoje permeia milhões de cubanos: a indignação diante de um governo que, em vez de oferecer soluções, busca culpados externos para justificar a ruína que provocou seu próprio modelo econômico.

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