"Ilha féretro": A poderosa denúncia de um músico cubano contra o colapso do país

"A palavra já não é Urgência, é Emergência", expressou o músico Pável Urkiza, autor do vídeo, que se tornou viral em poucas horas.

Isla féretroFoto © Captura de vídeo do Facebook de Pavel Urkiza

O artista cubano Pavel Urkiza abalou as redes sociais com uma impactante denúncia visual sobre o colapso moral, social e econômico de Cuba.

"A palavra já não é Urgência, é Emergência…. ¡S.O.S. CUBA! ¡COMUNIDADE INTERNACIONAL, vocês estão ouvindo?", escreveu na publicação, que se tornou viral em questão de horas.

Urkiza, compositor, produtor, arranjador, guitarrista e cantor de grande prestígio internacional, compartilhou um vídeo gerado com Inteligência Artificial (IA) que resume em imagens a desesperança que se vive na Ilha.

Um retrato fúnebre da nação

O vídeo, intitulado "Ilha féretro" (Coffin Island), começa com uma imagem perturbadora: Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel sentados, rodeados por centenas de caixões.

A câmera se afasta lentamente e revela que toda Cuba está coberta por caixões, uma metáfora visual do colapso do país.

Em outra cena, aparece José Martí, herói nacional, caminhando com tristeza entre as caixas de mortos em um ambiente sombrio e silencioso.

A imagem avança em direção ao Capitólio de Havana, que aos poucos vai se desmoronando. O Apóstolo permanece cabisbaixo, abatido, incapaz de conter a tragédia que o rodeia.

Finalmente, no clímax da obra, a ilha inteira afunda no mar do Caribe, devorada pelas águas.

Quando tudo desaparece, apenas flutua uma bandeira cubana rasgada, símbolo de um país quebrado e que se desvanece sem salvação possível.

"Com esse vídeo, tudo foi dito sem precisar de uma única palavra."

A peça, que não possui narração nem diálogos, provocou uma onda de reações emocionais entre os cubanos dentro e fora do país.

Os comentários refletem indignação, tristeza e desesperança, e muitos a classificam como uma das denúncias mais poderosas dos últimos tempos.

"Impressionante esta obra visual", "Assim terminará o povo de Cuba se não tirarem esses assassinos do poder", "Não é ficção, para lá vamos, sem dúvida alguma" e "Ver nosso país desaparecer do mapa é uma dor imensa" foram alguns dos comentários.

Outros usuários destacaram o valor simbólico do vídeo:

"Sem palavras... minha bela ilha morrendo sem remédios, com hospitais caindo aos pedaços, com fome, com dirigentes corruptos e um povo morrendo lentamente", "Que dor na alma ver como tudo desmorona em nossa Cuba" e "Com esse vídeo, tudo foi dito sem dizer uma única palavra", disseram.

Um grito desesperado

Pavel Urkiza, de 62 anos, alcançou a popularidade em Cuba nos anos 90, com o dueto Gema e Pavel, formado com a cantora Gema Corredera.

Publicou mais de 40 composições em álbuns próprios e de artistas de renome como Ana Torroja, Miguel Bosé, Albita Rodríguez, Ketama, Yusa e Luis Enrique.

Também desenvolveu uma fecunda carreira como produtor musical, com mais de 20 obras discográficas suas e de outros artistas como Omara Portuondo e Habana Abierta.

Esta nova mensagem sua se junta a uma crescente onda de expressões artísticas que, tanto de dentro quanto de fora do país, retratam o deterioro humano e estrutural que atravessa Cuba.

Com o vídeo, o músico recorre à arte digital para denunciar a morte de uma nação.

Em um país onde o exílio, a pobreza e a repressão marcaram a vida de milhões, "Isla féretro" se tornou um símbolo do luto coletivo, um grito visual que condensa a desesperança de um povo que, nas palavras de muitos internautas, "se afunda, como a ilha do vídeo".

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