Governo eleva para mais de 45.000 as habitações danificadas pelo furacão Melissa no leste de Cuba

O furacão Melissa deixou mais de 45.000 residências danificadas em Cuba, afetando também escolas e cultivos vitais. Apesar da entrega de recursos, persistem reclamações pela falta de materiais e pela lentidão na ajuda. Granma e outras províncias orientais sofreram danos graves.

Casa desmoronada em Palma SorianoFoto © Facebook José Batista Falcón

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O regime cubano informou nesta segunda-feira que o número de residências afetadas pelo furacão Melissa no leste do país ultrapassa 45.000 casos.

“De maneira preliminar ainda, contabilizam-se 45.282 afetações em residências, a maioria nos telhados. Já começou a entrega de telhas”, indicou a conta oficial da Presidência de Cuba na rede social X.

Não especificaram quantas casas foram totalmente destruídas nem os prazos previstos para sua recuperação.

O governo também reconheceu danos em 1.552 centros escolares, dos quais “cerca de 200 já foram recuperados”. Mais de 14.000 pessoas permanecem evacuadas em instalações estatais, enquanto outros 120.000 cubanos continuam em centros de proteção ou casas de familiares.

A ministra da Educação, Nayma Trujillo Barreto, afirmou que o retorno às aulas ocorrerá dependendo das condições em cada província. "Mais de uma centena de escolas são hoje centros de evacuação", disse.

Os danos agrícolas também são significativos. As autoridades admitiram que cerca de 78.700 hectares de cultivos foram afetados, mais da metade dedicada ao banana, um alimento básico na dieta dos cubanos.

Desde a província de Granma, a governadora Yanetsy Terry reconheceu que as maiores tensões se concentram no município de Río Cauto, embora o nível da água “comece a descer”. No povoado de Guamo, cerca de 3.000 pessoas foram transferidas para Las Tunas.

Por sua parte, o governante Miguel Díaz-Canel assegurou em uma reunião do Conselho de Defesa Nacional que “está se avançando na restauração da eletricidade e no abastecimento de água, embora ainda haja muito trabalho a fazer”.

"Já começaram a ser entregues recursos para as habitações danificadas, o saldo preliminar é de 45.282 afetados. Recebemos e entregamos doações de nações, organismos, instituições, MIPYMES e do movimento de solidariedade de todo o nosso povo", escreveu Díaz-Canel no X.

Apesar do discurso oficial otimista, a situação nas áreas mais afetadas continua crítica. Numerosas famílias relataram a falta de materiais de construção e que o Estado vende esses recursos que são de primeira necessidade.

Há lentidão na entrega de ajuda e cortes de energia prolongados em meio a uma emergência que agrava ainda mais a já precária situação econômica do país.

As províncias mais afetadas pelo furacão Melissa foram Granma, Las Tunas, Holguín e Santiago de Cuba, onde foram relatadas severas inundações e danos em estradas, redes elétricas e colheitas.

O governo ainda não informou o número total de afetados nem o custo estimado das perdas, enquanto os cubanos continuam aguardando soluções concretas após a passagem do potente ciclone que atingiu a região oriental no final de outubro.

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