Perderam tudo e vivem à beira da estrada: o outro lado do furacão Melissa em Granma

Famílias em Granma, Cuba, vivem em tendas após perderem tudo por causa do furacão Melissa. Precisam de água, medicamentos e alimentos.

Famílias de Manzanillo sobrevivem sob tendas após perder tudo com o furacão MelissaFoto © Facebook / José Ortiz Benet

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Familias do povoado El Sitio, no município de Manzanillo (Granma), vivem sob tendas improvisadas à beira da estrada após a passagem do furacão Melissa e das inundações que se seguiram ao fenômeno.

O jornalista José Ortiz Benet, residente em Manzanillo, documentou em seu perfil no Facebook a situação naquela comunidade. “Hoje visitei El Sitio, uma das localidades de Manzanillo afetadas pelo furacão Melissa e pelas últimas inundações. O nível da água diminuiu, mas a realidade, muito surreal, cresce. É outro extremo da condição humana e vi tanto em tão pouco tempo, que a voz só consegue perguntar brevemente e ouvir muito mais”, escreveu.

Segundo contou, “há aqueles que perderam tudo e sobrevivem à beira da estrada sob tendas que foram fornecidas pelo Conselho de Defesa Municipal após as evacuações. Há pessoas que ainda buscam seus familiares, mesmo em outras aldeias”.

O jornalista apontou que “água, medicamentos e alimentos é o que mais precisam”. Explicou que os afetados receberam doações de cubano-americanos, das mipymes Bajo Cero e Casa Tres Delicias, e do governo, além de víveres, doces e leite para as crianças, “mas precisam de mais, muito mais”.

“Preciso ir-me, deixo para trás uma dor invisível, um calor opressivo e uma miséria profunda que assusta tudo, exceto os vetores que vagueiam sem piedade”, escreveu Ortiz Benet ao final de sua publicação.

Nas fotografias que compartilhou, observam-se tendas brancas, cozinhas improvisadas e pertences empilhadas à intempérie.

A publicação provocou numerosas reações nas redes sociais, onde usuários expressaram tristeza, indignação e pedidos de ajuda. Alguns lamentaram a falta de soluções, enquanto outros denunciaram que as lonas entregues aos afetados estavam sendo retiradas.

Facebook / José Ortiz Benet

Em toda a província, os danos são consideráveis. A Direção Provincial de Educação de Granma confirmou que as aulas ainda não foram reiniciadas para “preservar a segurança e o bem-estar” de estudantes e professores, diante dos estragos causados pelo ciclone.

Enquanto isso, no município de Río Cauto, continuam as operações de resgate e evacuação de centenas de pessoas afetadas pelas cheias do rio Cauto, e apenas 25% do serviço elétrico foi restabelecido na província.

Em meio à devastação, também se conhecem gestos de solidariedade, como o de um jovem de Guamo que ofereceu sua moto para transportar gratuitamente os evacuados, em uma demonstração de apoio comunitário diante da emergência.

“El oriente de Cuba está em uma situação de crise humanitária profunda e o pior é que não se sabe quando isso poderá terminar”, alertou Ortiz Benet em sua publicação.

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