Em meio à debacle em Cuba, Bruno Rodríguez culpa os Estados Unidos pela crise do turismo

Cuba enfrenta uma crise humanitária após o furacão Melissa, enquanto o governo culpa os EUA pelo colapso do turismo. A população sofre sem ajuda efetiva, evidenciando a desconexão do governo.

Bruno Rodríguez ParrillaFoto © X/@BrunoRguezP

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Enquanto Cuba enfrenta uma das piores emergências humanitárias das últimas décadas após a passagem devastadora do furacão Melissa, o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla dedicou seu espaço nas redes sociais para culpar os Estados Unidos pela crise do turismo e pelo colapso econômico nacional, reavivando o discurso político mesmo em meio ao desastre.

Em vários trechos de suas intervenções na ONU, divulgados em sua conta de X, Rodríguez afirmou que o bloqueio americano é o responsável direto pelo colapso do turismo na ilha.

“Outro setor vital da economia que tem sido particularmente prejudicado é o turismo. Hoje, cidadãos de mais de 40 países estão sendo intimidados e ameaçados de represálias pelo governo dos Estados Unidos (…) se decidirem visitar Cuba”, afirmou o chanceler.

“O governo dos Estados Unidos não apenas priva seus próprios cidadãos do direito de viajar para Cuba, mas também consegue privar, por meio da coerção, cidadãos de outros países, especialmente europeus.”

Um país colapsado e um governo em campanha política

Enquanto Rodríguez reitera o discurso do bloqueio, milhões de cubanos permanecem sem eletricidade, incomunicados e em meio a uma situação crítica nas províncias orientais.

O furacão Melissa causou inundações massivas, destruição de moradias e perdas totais em comunidades rurais, mas o aparato estatal parece mais focado em sua narrativa política do que em atender à emergência real.

Nas redes sociais, dezenas de cubanos têm expressado indignação pela desconexão entre a mensagem oficial e a realidade do país.

“Enquanto as pessoas no Oriente não têm nem onde dormir, continuam falando dos Estados Unidos. Não há água, não há luz, não há comida. E a prioridade continua sendo o bloqueio”, escreveu um usuário de Holguín.

Propaganda e autocomplacência em meio ao desastre

Rodríguez aproveitou também para agradecer o apoio de aliados políticos e governos afins após a votação nas Nações Unidas contra o embargo, qualificando a resolução como uma “vitória” diplomática.

“Agradecemos aos presidentes, primeiros-ministros, ministros de relações exteriores e compatriotas no exterior que nos transmitiram seu apoio após a recente vitória contra o bloqueio”, publicou o chanceler.

A mensagem contrasta com a situação no terreno, onde a infraestrutura colapsa, os hospitais carecem de suprimentos e milhares de famílias estão desabrigadas.

Na prática, o país vive uma crise generalizada enquanto o governo continua utilizando os canais oficiais para repetir consignas políticas e desviar a atenção da emergência humanitária.

O contraste mais cruel

Em vez de declarações sobre a situação em Granma, Holguín ou Santiago de Cuba, ou anúncios concretos de envio de alimentos, colchões ou materiais de construção, a chancelaria cubana insistiu na narrativa do “inimigo externo”.

O contraste entre o discurso político e a realidade cotidiana evidencia a desconexão da cúpula do poder com as necessidades urgentes do povo. Nada novo em um país mergulhado em quase eterna desgraça.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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