Enquanto no Oriente as pessoas são evacuadas devido ao furacão, no Ocidente marcham por Camilo

Em Cienfuegos e Havana, centenas de estudantes e trabalhadores participaram nesta terça-feira de marchas e homenagens ao comandante Camilo Cienfuegos, em plena crise nacional e apesar das críticas da própria população.

Marchas por Camilo CienfuegosFoto © Facebook

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Enquanto o leste de Cuba se prepara para o impacto do furacão Melissa com evacuações e medidas de emergência, o regime manteve esta terça-feira múltiplos atos comemorativos pelo 66º aniversário da desaparecimento de Camilo Cienfuegos, um dos principais comandantes da revolução.

As imagens divulgadas pelo telecentro Perlavisión mostram estudantes marchando pelo Paseo del Prado até o Malecón de Cienfuegos para depositar flores na baía, como parte da tradicional “Flor para Camilo”.

“As gerações mais jovens foram protagonistas da homenagem ao Comandante Camilo Cienfuegos Gorriarán”, publicou o meio estatal junto a vídeos do desfile, onde se observam crianças e adolescentes marchando sob o sol, em contraste com as evacuações em massa que ocorrem no leste do país devido à iminente passagem do furacão Melissa.

Desde a capital, a empresa estatal Transtur Cuba também se uniu à homenagem com uma mensagem nas redes sociais: “Da Oficina Central rendemos homenagem a Camilo: exemplo de entrega e humildade. Seu legado não é medido apenas em feitos, mas na ternura com que soube liderar”, afirmaram em sua conta oficial.

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As imagens das manifestações em Cienfuegos e Havana provocaram críticas e indignação nas redes sociais, onde diversos usuários apontaram a desconexão do governo com a realidade do país.

Enquanto no oriente milhares de famílias se evacuam devido ao furacão Melissa, e o governo reconhece que não há boa alimentação nos centros de evacuação, no ocidente o Partido Comunista organiza desfiles e atos políticos.

“Em vez de se preocupar com a saúde do povo, continuam com essas marchas que não resolvem nada. Não há comida, não há medicina, não há luz... mas há marchas”, escreveu um internauta. Outro acrescentou: “No dia 28, um furacão de grande intensidade estará atingindo a zona oriental e em Havana diz-se que cem mil habaneros estarão desfilando. As coisas de Nárnia.”

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O contraste entre as duas realidades —a evacuação no oriente e a propaganda no ocidente— voltou a evidenciar a crise nacional.

O Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos confirmou que o furacão Melissa atingirá a terra na manhã de quarta-feira na área de Uvero–Chivirico, em Santiago de Cuba, com ventos sustentados de mais de 220 quilômetros por hora.

As províncias de Guantánamo, Santiago de Cuba e Granma mantêm-se sob alerta de furacão e as evacuações avançam nos territórios costeiros.

O regime anunciou a venda de uma libra de arroz em Granma, mas garantiu que os cortes de energia continuarão durante a passagem do furacão.

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